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Irmão do chefe de gabinete de Montenegro nomeado consultor coordenador no Governo. Ministério justifica com notas e currículo do candidato

Frederico Perestrelo Pinto vai ter salário de 4400 euros enquanto parte do Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado. Irmão diz que desconhecia nomeação. Candidato era estagiário da EDP há um ano.

António Moura dos Santos
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Um dos quatro consultores coordenadores nomeados para integrar o Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado é irmão do atual chefe de gabinete do primeiro-ministro, Luís Montenegro. Governo descarta suspeitas de favorecimento, segundo a TVI/CNN Portugal, afirmando que escolha decorreu por processo de recrutamento com entrevista e destaca currículo e notas académicas do candidato.

Segundo o Despacho n.º 928/2026, datado de 28 de janeiro, Frederico Perestrelo Pinto foi nomeado para “exercer o cargo de consultor coordenador do Grupo de Trabalho para a Reforma do Estado, em regime de comissão de serviço”. A TVI/CNN Portugal adianta ter confirmado que se trata do irmão do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Pedro Perestrelo Pinto.

A natureza desta nomeação prende-se, conforme se lê no mesmo documento, com a necessidade de nomear até 15 consultores para fazer parte deste grupo de trabalho, por sua vez previsto num despacho datado de 2024 e alterado em 2025 quando o segundo governo Montenegro “assumiu a reforma do Estado como um dos eixos prioritários da sua agenda transformadora”.

Na semana passada, foi então publicado em Diário da República o despacho que nomeia Frederico Perestrelo Pinto, tendo sido assinado pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e pelo ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias. De acordo com a tabela de remunerações da administração pública, prevê-se que um profissional nestas funções ganhe 4404 euros por mês.

Em resposta por escrito à TVI/CNN Portugal, Pedro Perestrelo Pinto negou ter “qualquer intervenção” na nomeação do irmão, tendo conhecimento apenas quando este o “informou que recebera a proposta”. “O meu irmão tem uma vida profissional completamente autónoma e independente, alicerçada numa carreira 100% própria. Para aferir as capacidades do meu irmão poderá consultar a nota curricular anexa ao despacho, anteriores superiores hierárquicos e o orientador de mestrado“, defendeu o chefe do gabinete de Luís Montenegro.

Esta nota curricular dá conta de que Frederico Perestrelo Pinto, de 25 anos, é “Mestre em Economia pela Università Commerciale Luigi Bocconi e licenciado na mesma área de estudo pela Nova School of Business and Economics”, além de ter sido aluno visitante no Innocenzo Gasparini Institute for Economic Research (IGIER) da mesma universidade de Milão onde tirou o mestrado.

Quanto à experiência profissional, é referido que “foi analista de negócios na EDP Renováveis, na área de estratégia e desenvolvimento de negócios, tendo ainda completado estágios na EDP, na área de gestão de energia, e na Caixa Geral de Depósitos, na área de banca de investimento”. Consultando a sua página de LinkedIn, é possível aferir que iniciou atividade como Business Development Analyst dos escritórios da EDP Renováveis em Madrid em maio de 2025 após um estágio de seis meses.

Segundo a TVI/CNN Portugal, o Ministério das Finanças remeteu explicações para o Ministério da Reforma do Estado. Numa resposta por escrito, o gabinete de Gonçalo Matias revela que a escolha fez-se “como em qualquer processo de recrutamento”, onde foi feita “a análise curricular e entrevista pessoal, tendo-se concluído que o Dr. Frederico Pinto reúne amplamente” características como  ter “perfil analítico ou jurídico, experiência de gestão, capacidade de acompanhamento de projetos, e uma base académica relevante na área jurídica e económica”.

O Ministério da Reforma do Estado destaca ainda que Frederico Perestrelo Pinto “tem uma licenciatura numa das melhores faculdades portuguesas de economia, a Nova SBE, com 17 valores”, assim como “um mestrado numa das melhores universidades do mundo, a Bocconi, em Milão, onde obteve uma classificação de 109/110 pontos e a classificação máxima na nota da tese”.

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