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Ismael Santos e a família vivem “com o coração nas mãos sempre que chove”, devido às cheias recorrentes na zona da lezíria do Tejo, onde esta quarta-feira as águas voltaram a inundar estradas e a isolar aldeias do distrito de Santarém.
A viver há 26 anos numa espécie de casa abarracada na zona do Vale de Santarém, no concelho de Cartaxo, com mais 10 pessoas, Ismael Santos observa, com preocupação, a subida imparável das águas do Tejo, que já galgaram a estrada que liga aquela localidade à de Valada do Ribatejo.
“Cada vez que vem muita água, é o que se vê aqui. Isto enche tudo”, afirma, resignado, à agência Lusa.
Apesar de estar habituado às consequências nefastas das intempéries, confessa que sempre que chove não consegue “pregar olho” e que “as últimas noites não foram exceção”.
“Já houve alturas em que isto ficou tudo cercado de água. Estamos aflitos, porque esta noite vai chover mais. Não dá para dormir. É sempre alerta”.
Ismael Santos, que vive num terreno isolado, queixou-se também da inoperância das autoridades que sabem o risco para quem ali reside, mas que “fecham os olhos”.
“Ainda agora esteve aí a polícia e a GNR. As viaturas passaram por aqui, mas não disseram nada”, queixou-se.
Uns metros mais à frente da habitação de Ismael Santos, as águas invadem a estrada e impedem as viaturas de avançar em segurança, isolando algumas das localidades ali existentes.
“Tentei ir à Valada, mas não vale a pena arriscar. É melhor voltar para trás”, afirma um automobilista que parou o carro para conversar com Ismael.
O cenário repete-se em várias localidades ribeirinhas do distrito de Santarém, como é o caso de Vale de Figueira, onde as águas galgam a estrada e impedem o acesso rodoviário a aldeias como Reguengos do Alviela, como a Lusa constatou.
Em vários locais colocaram-se barreiras e sinais de proibição indicando “estrada submersa”, sem, contudo, a presença de autoridades policiais ou de proteção civil.
Ainda no distrito de Santarém, no concelho de Coruche, apesar do caudal do rio Sorraia parecer bastante elevado, o comandante da corporação local, Nuno Coroado, assegurou que a situação na vila ribatejana “é tranquila”.
https://observador.pt/2026/02/02/mau-tempo-santarem-cria-balcao-para-candidaturas-as-medidas-extraordinarias-do-governo/
“Neste momento nada faz prever que as águas possam galgar e chegar à vila de Coruche ou ameaçar alguma habitação“, assegurou.
A garantia do comandante dos Bombeiros Voluntários de Coruche surge no dia em que a Autoridade Nacional de Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) disse estar em avaliação a necessidade de evacuar um lar com 132 utentes naquele concelho.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou na terça-feira em comunicado que as ondulações frontais associadas à depressão Leonardo irão afetar o estado do tempo em Portugal continental até sábado, com períodos em que a precipitação será persistente e por vezes forte, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima forte.
Portugal enfrenta esta quarta-feira a chegada de uma nova tempestade, ainda com populações privadas de eletricidade e a precisar de ajuda, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que causaram 10 mortes e deixaram 68 concelhos em calamidade.
[Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]