“Girls on Wire”
A realizadora chinesa Vivian Qu (também produtora — o excelente Carvão Negro, Gelo Fino) assina Girls on Wire, um thriller sobre duas primas que eram melhores amigas quando pequenas, e depois se zangaram e separaram. A mais nova, Tian Tian (Haocun Liu), mata um mafioso do bando que a sequestrou devido às dívidas da família, que tem uma manufatura de tecidos, e do pai, toxicodependente, e foge para Pequim, em busca da outra, Fang Di (Vicky Chen), que é “dupla” em filmes históricos de artes marciais, para que ela a ajude. Embora o argumento seja algo atabalhoado e com um par de buracos, Girls on Wire tem peripécias suficientes para nos manter sempre interessados na sorte das duas primas. Qu aproveita e integra bem na ação o ambiente da cidade do cinema em que Fang Di trabalha, e permite-nos dar uma espreitadela ao submundo do crime na China, neste caso ligado à agiotagem e ao tráfico de droga.
https://www.youtube.com/watch?v=xKDvLp__2eI
“Louca-Mente”
Imaginem um filme que transfere para imagem real e ambiente de comédia romântica o universo das animações Divertida-Mente! da Disney/Pixar, e eis Louca-Mente, de Paolo Genovese (que tem a Disney+ como parceira de distribuição em Itália e na Europa), o maior sucesso bilheteira de 2025 nas bilheteiras italianas. Em vez de dentro da cabeça de uma menina, e depois de uma adolescente, como naquelas duas, Louca-Mente decorre nas mentes de Pietro e Lara, dois adultos, na noite do seu primeiro encontro, enquanto as várias corporizações dos seus traços de personalidade, e dos modos de ser masculino e feminino, controlam os seus respetivos discursos e atitudes. Se esta ideia funciona de forma brilhante no universo da animação, isso já não acontece num cenário realista. Louca-Mente resulta num filme verboso, monótono e teatral, que, literalmente, não sai do mesmo sítio.
https://www.youtube.com/watch?v=bX57zKkttp8
“Hamnet”
Baseado no best-seller homónimo de Maggie O’Farrell publicado em 2020, e realizado por Chloé Zhao (a autora de Nomadland — Sobreviver na América, que também assina o argumento, com O’Farrell), Hamnet está nomeado para oito Óscares e é uma especulação sobre a vida matrimonial e familiar de William Shakespeare (Paul Mescal) e de sua mulher Anne (Jessie Buckley), a sua dor pela perda do filho, Hamnet, aos 11 anos, e sobre como esta tragédia poderá ter levado o pai a escrever a sua peça Hamlet. E, acima de tudo, é uma tentativa de reabilitação de Anne, que ao longo dos anos, e muito em especial na ficção, tem oscilado entre a dona de casa e mãe de família modelar, e uma figura muito mais negativa, inclusive na relação com o marido. Hamnet foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.