Aí está João Almeida. Quase quatro meses depois de não ter concluído a prova de fundo do Campeonato da Europa, o português voltou esta quarta-feira à competição. Depois de várias semanas de trabalho, com estágios de altitude, para preparar o regresso à Volta a Itália, Almeida volta a ser o líder da UAE Team Emirates-XRG na Volta à Comunidade Valenciana, que perdeu o ano passado para Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious). Contudo, na 77.ª edição da corrida espanhola, o português tinha um adversário de peso, que arrancou a temporada com três vitórias em território espanhol: Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe). Com uma equipa talhada para trabalhar para si, à semelhança da Emirates, o belga prometia voltar a dar espectáculo com ataques longe da meta.
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“Serei um pouco mais conservador em alguns dias, como hoje [quarta-feira], por exemplo, que será um dia para apenas sobreviver e depois pensar no dia amanhã. Será um pouco diferente em termos de corrida, mas estou tão motivado como nas primeiras corridas. Vamos tentar dar o nosso melhor. Temos uma equipe muito forte, com mais espaço para lutar. Vai ser uma semana divertida. Espero fazer um bom contrarrelógio, sabendo que não haverá uma etapa final adequada. Esse será o dia mais decisivo. Acho que o contrarrelógio e as etapas de sábado e domingo são muito difíceis. Acho que hoje em dia, no ciclismo, abrimos a corrida bastante cedo. Há três etapas muito importantes para a classificação geral”, disse o campeão olímpico à partida para a corrida.
“Tenho estado bastante bem, sem azares e estou bem fisicamente. Tenho-me esforçado bastante para estar numa condição física melhor que a do ano passado, o que não é fácil, mas estou otimista e confiante para começar a temporada. Espero ter boas pernas, já que o objetivo é ganhar a corrida, para entrar no Algarve com um pouco de ritmo de corrida e não ser um choque tão grande. 2025? Sem dúvida que foi a minha melhor [temporada] de sempre. Tive muitas vitórias e vitórias com grande valor em corridas do mais alto nível. Obviamente vai ser sempre difícil superar-me ano após ano, mas estamos aqui para mais um ano e vamos tentar superar a temporada anterior. Giro? Inicialmente o plano era fazer outro Tour, mas depois de conversar com a equipa, chegámos à conclusão de que preferia fazer o Giro. A equipa concordou e mudámos isso”, antecipou o português em conferência de imprensa no Algarve.
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A primeira etapa da valenciana ligou Segorbe a Torreblanca, numa extensão de 160 quilómetros pouco planos, mas perfeitos para uma chegada explosiva. Sem Buitrago, o dorsal um passou para Antonio Tiberi (Bahrain), ao passo que Nelson Oliveira (Movistar) completou o contingente português. Danny van der Tuuk (Euskaltel-Euskadi), Diego Sevilla (Polti VisitMalta), Mats Wenzel (Kern Pharma) e Adam Lewis (APS by Cadence Cyclery) protagonizaram a primeira fuga da competição, que acabou por ser anulada já dentro dos 30 quilómetros da chegada, na altura em que o pelotão se partiu e Almeida ficou cortado em relação aos colegas Brandon McNulty e Marc Soler, e a Evenepoel.
Com a Red Bull a impor o ritmo, a última subida do dia não dilatou a diferença entre os grupos e, na fase mais plana, baixou, depois de a Movistar se ter recusado a colaborar. Marc Soler (Emirates) foi o primeiro a atacar, seguindo-se a resposta de Giulio Pellizzari (Red Bull). A junção acabou por acontecer a 17 quilómetros de Torreblanca, levando as equipas dos sprinters a assumirem a perseguição ao italiano. Nelson Oliveira foi chamado a trabalhar nos últimos três quilómetros, com Pellizzari a ser alcançado nessa fase. No sprint, Ben Turner (Ineos Grenadiers) começou mais forte, Biniam Girmay (NSN) tentou respondeu nos últimos metros e acabou por somar a primeira vitória na temporada logo ao primeiro dia de competição. Arne Marit (Red Bull) foi segundo e Giovanni Lonardi (Polti) completou o pódio. Almeida chegou nos últimos lugares do pelotão, mas com o mesmo tempo de Evenepoel.
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