Pep Guardiola nunca se escondeu dentro do futebol para fugir ao que se passava no resto do mundo. Foi uma voz ativa durante as crises independentistas na Catalunha, sempre a favor da separação de Espanha, falou abertamente sobre os milhares de refugiados que cruzam o Mediterrâneo todos os dias e usou o keffiyeh, o lenço tradicional do Médio Oriente que é um símbolo da causa palestiniana, para garantir que “não é neutro” no que diz respeito a Gaza. Esta semana, voltou a posicionar-se.
Na conferência de imprensa de antevisão do jogo desta quarta-feira contra o Newcastle, a contar para a segunda mão das meias-finais da Taça da Liga, o treinador do Manchester City abordou a guerra em Gaza, na Ucrânia e no Sudão, comentando ainda as duas mortes recentes em Minneapolis, nos EUA, causadas por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência federal norte-americana que fiscaliza a imigração.
https://observador.pt/2017/06/08/em-que-pensa-pep-guardiola-quando-nao-esta-sentado-no-banco-do-city/
“Nunca, em momento algum da história da humanidade — nunca, mas nunca –, tivemos a informação à frente dos nossos olhos, a assistir de forma tão clara como agora. O genocídio na Palestina, o que acontece na Ucrânia, o que acontece na Rússia, o que acontece em todo o mundo, no Sudão, em todo o lado. O que acontece à nossa frente. É o nosso problema enquanto seres humanos, são os nossos problemas. Haverá alguém que veja as imagens de todo o mundo e que não fique afetado? Aqui não é uma questão de estar certo ou errado”, começou por dizer.
Mais à frente, depois de um jornalista ter feito uma pergunta sobre o tema, Guardiola continuou a abordar a questão a partir das imagens. “Hoje conseguimos vê-lo, antes não conseguíamos. Dói-me. A mim dói-me. Se fosse o lado oposto doía-me da mesma forma. Desejar mal a outro país? Dói-me. Não tem a ver com uma posição política. Matar milhares de pessoas inocentes dói-me. Tenho muitos amigos de muitos, muitos países, imensos amigos, mas quando tens uma ideia e precisas de a defender e para isso tens de matar milhares e milhares de pessoas, lamento, mas vou levantar-me. Estarei sempre presente, sempre”, acrescentou.
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“Não consigo imaginar como é que alguém pode não sentir isto quando vê as imagens todos os santos dias. Os pais, as mães, as crianças, depois de ter acontecido o que aconteceu, as suas vidas a serem destruídas. As pessoas não sentem? Lamento, mas não consigo compreender. Podemos concordar, podemos criticar uma coisa ou outra. Quando tens uma ideia tens de a expressar, mas quando as pessoas estão a morrer tens de as ajudar. Proteger a vida é a única coisa que temos. O que acontece agora, com todos os avanços tecnológicos que temos… A humanidade está melhor do que nunca em termos de possibilidades, conseguimos chegar à Lua, conseguimos fazer tudo. Ainda assim, neste exato momento, matamo-nos uns aos outros. Para quê? Para quê?”, terminou o espanhol, que ainda na semana passada viajou até Barcelona para participar num concerto de solidariedade com as crianças palestinianas.
Era neste contexto que o Manchester City recebia o Newcastle esta quarta-feira. Os citizens surgiam em vantagem na segunda mão, depois de terem vencido em St. James’ Park há menos de um mês, e já sabiam que o potencial adversário na final da competição seria o Arsenal, que esta terça-feira eliminou o Chelsea. Matheus Nunes era o único português titular no City, com Rúben Dias a ser suplente e Bernardo a falhar o jogo por lesão, sendo que Haaland também começava no banco e Omar Marmoush aparecia como referência ofensiva, apoiado por Phil Foden e Semenyo. Do outro lado, nuns magpies que conquistaram a Taça da Liga na temporada passada, Eddie Howe tinha o crónico Nick Woltemade a liderar o ataque.
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Os citizens começaram praticamente a ganhar: com muita sorte à mistura, Marmoush foi lançado em velocidade na esquerda em direção à baliza e Dan Burn, em carrinho, acabou por fazer com que a bola ressaltasse no egípcio para trair Aaron Ramsdale e abrir o marcador (7′). Os magpies poderiam ter empatado logo a seguir, com Joe Willock a tentar contornar James Trafford e o guarda-redes a resolver (9′), mas a equipa de Guardiola aproveitava todas as aproximações à baliza contrária para criar perigo e Reijnders obrigou Ramsdale a uma intervenção atenta (12′).
O jogo estava bom e aberto, apesar de os citizens não abdicarem de alguma superioridade traduzida em posse de bola, e Anthony Gordon falhou o empate na cara de James Trafford, que evitou o golo com mais uma defesa importante (21′). A eficácia, porém, era o que fazia a diferença: Semenyo cruzou na esquerda, Trippier tentou aliviar e Marmoush apareceu a cabecear para bisar (29′), com Reijnders a aumentar ainda mais a vantagem minutos depois (32′). Ao intervalo, o Manchester City estava a vencer o Newcastle, já goleava na eliminatória e tinha pé e meio na final da Taça da Liga.
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Pep Guardiola mexeu logo ao intervalo e trocou Nathan Aké por Max Alleyne, sendo que Eddie Howe já tinha sido forçado a tirar Anthony Gordon por lesão ainda nos últimos minutos da primeira parte, lançando Harvey Barnes, mas também colocou Yoane Wissa, Anthony Elanga e Jacob Murphy no arranque do segundo tempo. O jogo regressou mais calmo, até devido ao resultado e às contas da eliminatória, e o Manchester City foi dominando sem grandes sobressaltos.
O Newcastle reduziu a desvantagem depois da hora de jogo, com Anthony Elanga a passar por vários adversários na direita antes de atirar em jeito para bater James Trafford (62′). Harvey Barnes marcou pouco depois, com o golo a ser anulado por fora de jogo (67′), e Pep Guardiola reagiu ao momento mais rebelde do adversário com a entrada de Haaland, Rayan Cherki e Rodri.
Já nada mudou até ao fim e o Manchester City voltou a vencer o Newcastle, terminando a eliminatória com uma goleada frente ao detentor do título e carimbando a passagem à final da Taça da Liga, onde vai defrontar o Arsenal em Wembley, em março, e procurar conquistar um troféu que não alcança desde 2021.
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