O Campeonato da Europa de Pista continua a ser de altos e baixos para a Seleção portuguesa. Com mais baixos dos que altos ao cabo de três dias de competição. Depois de Daniela Campos, na eliminação, e Diogo Narciso, na corrida por pontos, ter alcançado os primeiros registos de top 10 (ambos foram oitavo), a portuguesa que está sem equipa não conseguiu ir além do 17.º posto na prova de omnium, tendo como melhor resultado a 12.ª posição no scratch. Por outro lado, o ciclista da Credibom-L.A. Alumínios-Matos Car também ficou aquém, sendo 19.º na final do scratch. Desta forma, Portugal partia para as últimas duas jornadas do Europeu de Konya a saber que não ia conseguir repetir as seis medalhas da edição passada.
“A Daniela fez uma corrida dentro do projetado no scratch e na tempo race, mas fomos infelizes na eliminação. Ela partiu bem, mas o pé saiu do pedal e, quando conseguiu recolocá-lo, já não foi a tempo de evitar a eliminação. Na corrida por pontos ainda tentou uma situação de volta para somar pontos e subir na geral, mas não foi possível. Procurámos uma situação que nos permitisse evitar uma corrida para o sprint final. O Diogo ainda tentou uma iniciativa para criar uma fuxga, mas não foi possível. Na fase final, o pelotão fragmentou-se com novos ataques, ficámos integrados no grupo de retaguarda e o resultado acabou por ficar abaixo do objetivo”, explicou o selecionador Gabriel Mendes.
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Ao quarto dia de provas no Velódromo de Konya, foi a vez de o capitão e maior aspirante português às medalhas, Iúri Leitão, entrar em ação, três dias depois de ter sido quarto no Troféu Palma, na estrada, numa corrida ganha por Remco Evenepoel. A travessia entre Espanha e a Turquia foi feita nos últimos dias, com Leitão a arrancar no omnium, especialidade em que é vice-campeão olímpico e partia como um dos candidatos à vitória, juntamente com Roger Kluge, que rendeu o vencedor de 2025, Tim Torn Teutenberg, na Alemanha, Yanne Dorenbos (Países Baixos) ou Simone Consonni (Itália). À procura de superar o quinto lugar de Ivo Oliveira na edição passada, o pistard da Caja Rural-Seguros-RGA entrou em grande na segunda manga da qualificação e qualificou-se para a final com o segundo melhor registo (27 pontos), apenas atrás de Oscar Nilsson-Julien (França). Pouco depois, no scratch, Leitão foi o único a conseguir dobrar o pelotão e venceu a prova à frente de Kluge e Dorenbos.
A fechar a sessão da tarde, a tempo race voltou a correr de feição ao velocista, que venceu com 32 pontos e chegou a meio do combinado com 80 pontos, mais 12 que o alemão e 16 que o neerlandês. Contudo, a reentrada em competição, na prova de eliminação, acabou por não ser positiva para Iúri Leitão, que foi eliminado na fase inicial, acabando em 15.º e abrindo ainda mais a discussão pelas medalhas à partida para a corrida dos pontos. Henry Hobbs (Grã-Bretanha) foi o vencedor da terceira prova do omnium, que teve Yanne Dorenbos a assumir a liderança, com 102 pontos, à frente do português, do britânico, de Roger Kluge e de Ilya Savekin, todos com 92. A derradeira corrida começou bastante animada, com os ataques a surgirem nas primeiras voltas. O vianense mexeu-se pela primeira vez antes do segundo sprint, tendo somado os primeiros pontos. Hobbs respondeu, dobrou o pelotão e assumiu a liderança a 67 voltas do fim.
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Depois de ter somado cinco pontos no quarto e três no quinto sprints, Leitão continuou a subir paulatinamente e a responder aos ataques de Hobbs, que liderava por oito pontos a 30 voltas do fim. A 28 voltas do fim foi a vez do português atacar pela primeira vez, causando dificuldades aos rivais diretos, e passando em primeiro no antepenúltimo. Com o britânico a acelerar para defender o seu lugar no pódio, Iúri assumiu a liderança no sprint seguinte, somou os 20 pontos da dobragem e entrou para o último sprint a precisar de somar apenas um ponto. E assim foi. Nenhum dos cinco primeiros pontuou e Iúri Leitão sagrou-se campeão da Europa no omnium, com 140 pontos, contra os 131 de Yanne Dorenbos e os 126 de Robert Kluge. Este é o sexto título europeu do português, que tem, no total, dez medalhas na principal prova europeias. Acrescentam-se ainda três pódios em Mundiais e dois olímpicos.
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Escutada A Portuguesa em solo turco, foi a vez de Daniela Campos participar numa corrida por pontos de ataque, Akvilė Gedraitytė (Lituânia) somou os primeiros cinco pontos, ao passo que Palina Konrad (equipa neutra) e Victoire Berteau (França) conseguiram a primeira dobragem. Lotte Kopecky (Bélgica) mexeu na corrida após o terceiro sprint, dobrou a portuguesa, que perdeu 20 pontos e alcançou um bónus que a atirou para o primeiro lugar. Com a algarvia arredada da luta pelo top 10, Sofie van Rooijen (Países Baixos) arrancou em busca do pódio, mas a belga voltou a pontuar e garantiu de imediato a medalha de ouro (45 pontos). Berteau ficou com o bronze (38) e a neerlandesa com o bronze (33), ao passo que Daniela Campos acabou no 17.º lugar (-40).
Esta quinta-feira é o último dia de competição em Konya, com Iúri Leitão a voltar a entrar em pista para competir no madison, prova em que é campeão olímpico, juntamente com Diogo Narciso, que substitui Miguel Salgueiro (AP Hotels & Resorts-Tavira-SC Farense). A corrida que encerra o programa de competições está marcada para as 13h15 (de Portugal continental).
Notícia atualizada às 18h33 com os detalhes da corrida por pontos feminina