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Nível de cheia em Alcácer do Sal ultrapassa 1,20 metros, aldeia em Grândola isolada há horas

Multiplicam-se os alertas sobre a possibilidade de cheias nos próximos dias. A chuva intensa já fez transbordar a Ribeira da Corona, no concelho de Grândola, isolando a aldeia do Lousal.

Agência Lusa
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Adriana Alves
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Cheias e inundações, aldeias isoladas e planos para retirada de pessoas e de bens. Depois da depressão Kristin, chegou a Portugal a tempestade Leonardo, que promete picos de chuva e vento forte até sábado. As previsões para os próximos dias levaram a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil a lançar vários alertas por todo o país. Entre 1 de fevereiro e as 12h00 desta quarta-feira a ANEPC já registou 3.326 ocorrências relacionadas com cheias, revelou em conferência de imprensa o comandante nacional do organismo.

“Temos em situação de alerta as ribeiras do rio Vouga, do rio Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado. Em situação de vigilância o rio Lima, Cávado, Ave, Douro e o Tâmega”, explicou o comandante nacional da Proteção Civil numa conferência de imprensa pelas 12h30. “É expectável que haja inundações ou potencial de inundação devido à subida dos caudais destes rios“, afirmou Mário Silvestre.

https://observador.pt/2026/02/03/os-picos-de-chuva-e-vento-da-leonardo-ate-sabado-torneiras-vao-abrir-sobre-grande-lisboa-peninsula-de-setubal-e-zona-sul/

O comandante explicou que estão a ser usados três meios aéreos para reconhecimento e avaliação e que o serviço de cartografia da Força Aérea também está a ajudar no mapeamento via satélite do complexo de rios de norte a sul do país. “Os efeitos expectáveis são os que andamos a anunciar, mantém-se e vão manter-se neste período todo: inundações em áreas urbanas, cheias, deslizamento de terras, piso rodoviário bastante escorregadio“, enumerou.

A ribeira da Laje, em Oeiras, distrito de Lisboa, galgou as margens ainda na noite de terça-feira, provocando inundações na zona de Santo Amaro de Oeiras, de acordo com a corporação de bombeiros local e a PSP. Fonte do Comando Sub-regional da Grande Lisboa referiu à agência Lusa pelas 23h00 que entre as 8h00 e 23h00 foram registadas 39 ocorrências nesse concelho.

Em Almada teve de ser temporariamente encerrado o Parque Urbano da Costa de Caparica, anunciou a Câmara Municipal, que invocou motivos de segurança. Numa informação divulgada na rede social Facebook, a Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, refere que devido à forte precipitação, os solos se encontram saturados e intransitáveis, assim como as áreas de relvado e estadias.

O município de Santiago de Cacém, no distrito de Setúbal, também alertou que os próximos dias podem trazer um “aumento significativo dos caudais, com risco de cheias e inundações”. “O Município apela à população para que adote todas as medidas de autoproteção necessárias, salvaguardando pessoas, bens e animais, e evitando a circulação e permanência em zonas potencialmente afetadas”, lê-se numa publicação na página de Facebook.

O nível de cheia na zona baixa de Alcácer do Sal, também em Setúbal, “já ultrapassou 1,20 metros”, disse esta quarta-feira à agência Lusa o comandante sub-regional da proteção civil. “Prevê-se um agravamento das condições meteorológicas, a continuação da precipitação e do vento”, disse o comandante sub-regional de Emergência e proteção Civil do Alentejo Litoral. Tiago Bugio acrescentou que as barragens continuam a descarregar, com essa água a chegar ao Rio Sado que ‘banha’ a cidade de Alcácer do Sal. “A situação agravou-se. Tivemos a maré cheia por volta das 5h00 e a próxima será às 18h00”, relatou.

A chuva intensa já fez transbordar também a Ribeira da Corona, no concelho de Grândola, estando a população da aldeia do Lousal isolada desde as 06h00, disse à agência Lusa o presidente da junta. “Estamos a fazer um apelo para as pessoas não correrem riscos, para não se meterem em aventuras, não tentarem passar as pontes, nem da Ribeira da Corona, nem da Ribeira do Lousal. É um risco demasiado grande”, alertou Pedro Ruas.

Meios pesados da força especial de Proteção Civil e dos fuzileiros da Marinha foram ativados para assegurar o transporte de pessoas e mercadorias para a Ereira, em Montemor-o-Velho, devido à subida da água no único acesso. O transporte especial vai decorrer “em contínuo, dia e noite”, disse à Lusa fonte do município de Montemor-o-Velho. “O acesso está muito condicionado, com a subida da água. Ainda se passa, mas não estamos a aconselhar as pessoas a fazê-lo e deverá ser encerrado em breve”, indicou a fonte.

Multiplicam-se os alertas sobre a possibilidade de cheias. A Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região Metropolitana de Coimbra reforçou esta quarta-feira, através de um publicação no Facebook, que se mantém o elevado risco de cheias, com especial atenção às zonas ribeirinhas do Rio Mondego. A Câmara de Arganil, no distrito de Coimbra, alertou também para o “risco de inundações e cheias rápidas, em especial junto ao rio Alva e seus afluentes”, em consequência da depressão Leonardo.

Em Mértola teme-se a contínua subida do nível do rio Guadiana, com o presidente da Câmara Mário Tomé a admitir a possibilidade de serem retiradas pessoas e bens de zonas ribeirinhas no concelho. “A preocupação em Mértola é muita, porque, a confirmar-se a pluviosidade prevista para as próximas horas e vendo como o rio está, ele pode subir para níveis que nos possam obrigar a retirar pessoas e bens”, afirmou.