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Marius Borg Høiby: violação terá acontecido na cave da casa do príncipe herdeiro da Noruega

O julgamento do filho da princesa Mette-Marit e enteado do príncipe Haakon arrancou esta terça-feira com o depoimento da primeira alegada vítima.

Sâmia Fiates
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Pelo menos uma das quatro violações pelas quais Marius Borg Høiby está a ser acusado terá acontecido em Skaugum, a residência oficial dos príncipes herdeiros da Noruega em Oslo. É a grande revelação do primeiro dia do julgamento, que teve início esta terça-feira, e que teve o depoimento da primeira vítima à porta fechada fechada, e acompanhado por um ecrã apenas por uma parte da imprensa. Ao jornal norueguês VG, a porta-voz da Casa Real diz que o príncipe Haakon e a princesa Mette-Marit não vão reagir. 

O caso remonta a 20 de dezembro de 2018, quando Marius tinha 21 anos. O enteado do príncipe herdeiro da Noruega estava numa discoteca no centro de Oslo com alguns amigos quando, pelas 3h20 da manhã, o grupo decidiu seguir para Skaugum de táxi, a alegada vítima incluída. A mulher diz que já conhecia Marius há algum tempo mas nunca teve um encontro romântico com o filho da princesa Mette-Marit. No depoimento, relata que os amigos desceram para uma sala na cave que “parecia um bunker”. “Disseram-me que era a casa do Marius. Havia algumas raparigas lá que eu nunca tinha visto antes. Lembro-me que o teto era baixo e havia sofás. Também era muito escuro.” O grupo terá iniciado um jogo de bebida cerca de 30 minutos depois de chegarem ao local. “Disseram-nos que depois do jogo não poderíamos usar telemóveis, tirar fotos ou gravar vídeos. Lembro-me de ter ouvido isso. Acho que tem algo a ver com o facto de ele ser filho da princesa herdeira e enteado do príncipe herdeiro”.

“Tinha bebido bastante vinho tinto com as minhas amigas na festa de Natal, talvez uns dois cocktails num bar, mas nada além disso”, relata a alegada vítima, que assume ter tido relação sexual consensual com Marius Borg na casa de banho de Skaugum. Entretanto, a mulher diz que “interrompeu” a relação. “Agora que digo isso mais uma vez parece tão diferente, mas foi assim mesmo. Aconteceu e eu também posso assumir a responsabilidade. Mas aconteceu muito rápido, e eu consegui impedir”, disse, em lágrimas. Entretanto, a alegada vítima afirma que não se recorda de mais nada depois do ocorrido. “Lembro-me apenas de sair de Skaugum. Sentia-me em paz e uma ausência de perigo. Na verdade, até estava de bom humor. Aproximei-me de um guarda e perguntei se ela poderia ajudar-me a conseguir um táxi.” A mulher terá deixado a residência oficial dos príncipes às 7h30, quando abordou o agente de segurança, que deve prestar depoimento noutro momento do julgamento.

A versão da acusação, contudo, é um pouco mais sombria. Durante as investigações sobre o filho de Mette-Marit,  a polícia encontrou quatro vídeos gravados ao longo de cinco minutos entre as 7h12 e às 7h17 daquela manhã, apenas 13 minutos antes de a alegada vítima sair da casa. Há ainda fotografias que foram encontradas numa app de armazenamento de dados e que, apesar de não terem registo de data e hora, o Ministério Público tem convicção de que foram tiradas dentro do mesmo período de tempo. As imagens serão, para a acusação, provas da violação, e foram apresentadas posteriormente à mulher, que no início não quis revelar à polícia pormenores da sua relação com Høiby. “Assim que vi essas provas, é claro que optei por contar toda a verdade. Eu não suportava me envolver em nada disso e fiquei muito irritada por ter sido chamada para esse interrogatório”, disse a alegada vítima, em tribunal.

Já na manhã desta quarta-feira foi exibido o vídeo do interrogatório policial em que a alegada vítima teve o primeiro contacto com as imagens que serão as principais provas do abuso. “Ele garantiu-me que não me tinha tocado”, disse a mulher, em choque, aos agentes da polícia. A alegada vítima afirma ainda que acredita ter sido drogada e que nunca viveu uma experiência em que ficasse tão inconsciente. “No início, não acreditei. Não conseguia acreditar que Marius tivesse feito algo assim comigo. Foi uma verdadeira traição e um choque”, disse a mulher em tribunal.

Os vídeos e fotografias que serão as provas do crime em questão foram apresentados em tribunal à porta fechada, e a imprensa não teve acesso aos seus conteúdos. O caso é classificado de acordo com a justiça norueguesa como uma “violação sem penetração”. Na passada terça-feira  Høiby declarou-se inocente nas quatro acusações de violação que enfrenta. O filho da princesa Mette-Marit é ainda acusado de outros 34 crimes, entre abusos, agressões, fotografias sem consentimento, e condução acima do limite de velocidade permitido.