Chuva sem parar nas próximas 48 horas em Lisboa e Setúbal. Ou melhor, na Grande Lisboa e em toda a Península de Setúbal. Sem poupar também a zona centro, a de Leiria, a que a tempestade Kristin devastou. Agora a culpada é a Leonardo, em concreto as várias frentes frontais e os vários núcleos que dela se vão formar.
E a primeira dessas frentes, a que se associou um enorme rio atmosférico vindo do Golfo do México e carregado de humidade, fará com que as “torneiras se abram” já na noite desta terça-feira e madrugada de quarta: entra pelo Oeste, e atravessa a Península pelas bacias do Tejo, do Sado e também do Guadiana. Para além da chuva contínua, haverá um período muito intenso ao fim da tarde (depois das 18h), outro no início da madrugada (00h00) e outro já com o chegar da manhã (6h00).
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Com a precipitação persistente e por vezes muito forte, a água dos terrenos já saturados escoará para os caudais de ribeiros e rios já cheios e desaguará nas suas bacias ou em zonas propícias a inundações e cheias. Não será chover sobre o molhado. Será um dilúvio sobre o empapado. Daí que esta seja uma das grandes preocupações da Proteção Civil, que elevou o nível de prontidão novamente para o grau máximo.
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Para além da chuva, o vento voltará também a ser um problema. As rajadas soprarão entre 80 e 100km/h nas terras altas abaixo de Coimbra, em especial na zona sul e serra algarvias, Em relação ao vento, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro estarão sob aviso amarelo até às 3h de amanhã, no caso dos dois primeiros distritos, até às 6h em Setúbal e até às 18h nos restantes.
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Este primeiro sistema frontal, engrossado pelo rio atmosférico, irá estender-se gradualmente às restantes regiões do continente durante esta quarta-feira, prevendo-se que o período com valores acumulados de precipitação mais elevados e vento mais intenso seja na noite desta quarta-feira e madrugada de quinta. Sem que deixe de chover, haverá depois uma redução gradual da precipitação, que passará a regime de aguaceiros, mas que poderão ser de granizo e acompanhados de trovoada.
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Ah, e como a superfície frontal arrasta uma massa de ar frio, há que contar ainda com queda de neve nos pontos mais altos da Serra da Estrela, baixando a cota para 900 metros na sexta-feira. Neve que derrete, ensopa os solos, com a água a escorrer para os rios, num ciclo de enchentes garantidas.
O vento terá um enfraquecimento temporário entre a tarde de quinta-feira e a manhã de sexta, intensificando-se novamente a partir da madrugada de sábado, quando se espera uma nova frente frontal da Leonardo, com mais chuva persistente e generalizada, e também mais temporal de ventania; na região da Grande Lisboa as rajadas podem voltar a ser de 100 km/h.
A agitação marítima também continuará forte nestes dias, com ondas de oeste até seis metros de altura, que podem chegar a um máximo de 11.
Há avisos meteorológicos laranja e amarelos para chuva, neve, rajada de vento e agitação marítima.
Devido à agitação marítima, os Açores contam com um aviso vermelho para o Grupo Ocidental e o restante arquipélago está sob aviso laranja, pelo menos até às 9h00 de quinta-feira. Na Madeira também se deverão manter os avisos amarelo e laranja para agitação marítima no mesmo dia.
Até sábado, os maiores valores acumulados de precipitação deverão registar-se nas regiões montanhosas do norte e centro. Contando desta terça e até esperam-se 150 a 250 mm (litros/m2) em alguns locais. Mas haverá também muita água na região sul, devido à chuva intensa em alguns períodos nestes dias.
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A chuva voltará com força na tarde do dia eleitoral. O IPMA prevê a passagem de novas superfícies frontais e a continuação deste tempo muito instável. A partir de domingo, teremos um novo Presidente, mas não um novo padrão atmosférico.