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(A) :: “Disruptivo mas realista”, dialogante e fã de Torga. Quem é Paulo Fernandes, o ex-autarca responsável por reerguer as zonas destruídas

“Disruptivo mas realista”, dialogante e fã de Torga. Quem é Paulo Fernandes, o ex-autarca responsável por reerguer as zonas destruídas

Nasceu em Lisboa mas antes de chegar a autarca já era conhecido por promover o interior. Ex-colegas e amigos traçam perfil do líder da estrutura de missão pós-Kristin.

Miguel Pinheiro Correia
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Ainda antes de ser autarca ou até vereador, Paulo Fernandes começou a destacar-se na região Centro quando decidiu impulsionar a Rede das Aldeias do Xisto. Nessa altura, antes de o movimento ser criado em 2001, não foi bem recebido nas aldeias que queria promover. “Lembro-me do Paulo Fernandes contar que a primeira vez que eles foram [às aldeias] quase que eram apedrejados, porque iam dizer às pessoas para elas voltarem a fazer casas de xisto”.

Décadas depois, e comprovado o sucesso do projeto, Miguel Poiares Maduro, que recorda a boa relação e as histórias dos dois, não tem dúvidas que a capacidade de diálogo do então futuro Presidente da Câmara do Fundão (pelo PSD) seria essencial para levar esse projeto adiante. E mais: seria imprescindível para, em 2026, ser o escolhido do Governo para liderar a estrutura de missão, sediada em Leiria, com o objetivo de coordenar a recuperação das zonas afetadas pela depressão Kristin.

“A nomeação de Paulo Fernandes (…) é uma ótima notícia e boa decisão do Governo. É dos melhores autarcas que o país já teve e dos melhores quadros que conheço do PSD”, reagiu nas redes sociais o antigo Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional (que no Governo de Pedro Passos Coelho tinha a tutela das autarquias locais, o que o aproximou bastante do então autarca do Fundão).

Nascido em Lisboa, foi longe da capital (geograficamente e não só) que Paulo Fernandes cresceu e se assumiu confesso regionalista. “Em determinado momento eu fiz-me uma pergunta: se eu tiver todos os dias uma atitude de ‘Calimero municipal’, permanentemente a queixar-me perante o Terreiro do Paço, que resposta iria ter? Provavelmente, estava aqui, neste momento, com um cadáver reivindicativo de tudo aquilo que ainda falta”, assumiu em setembro de 2025, numa entrevista ao jornal Público.

Até ser escolhido pelo Governo para liderar a estrutura de missão, sediada em Leiria, notabilizou-se como o autarca que, à frente do município do distrito de Castelo Branco, tentou travar o despovoamento do interior e apostou em várias vertentes, da imigração à educação e da tecnologia à cereja. Como lema, usa recorrentemente a frase de Miguel Torga: “Qualquer lugar é o universo, se lhe tirarmos as paredes”.

https://twitter.com/MaduroPoiares/status/2018001646207242628

Nasceu em Lisboa — filho da primeira diretora prisional — mas fez-se “regionalista” em Castelo Branco

Paulo Fernandes nasceu a 5 de junho de 1972, mas com apenas dois anos, no ano em que Portugal viveu a Revolução, mudou-se para Castelo Branco, cidade onde os pais desempenhavam funções nos Serviços Prisionais. A mãe, antiga diretora das prisões de Castelo Branco e Covilhã, foi a primeira mulher em Portugal a desempenhar essas funções.

“Quando houve o 25 de abril, houve o saneamento de muitos funcionários e diretores de cadeia. Eu estava ligada à inspeção do serviço social da Direção Geral dos Serviços Prisionais, e fui surpreendida [com a decisão]”, recordou Maria Manuela Fernandes em entrevista ao jornal regional Reconquista. “Não fui bem recebida [pelos guardas]”.

Através dos pais, começou a moldar a sua definição do “conceito de liberdade”, conforme testemunhou numa entrevista publicada em dezembro de 2025 no portal Capeia Arraiana. “Liberdade é inclusiva, a liberdade é intrínseca ao indivíduo e maravilhosa na definição coletiva da comunidade, povo, aldeia, cidade ou país. A inspiração é sempre maior do que a inveja, a confiança será sempre maior que a desconfiança, a esperança sempre melhor que o medo. Fui… tenho sido… um privilegiado pela inspiração da liberdade materna”.

Conheço o Paulo há 30 anos. Sei que é um homem que trabalha 24 horas por dia para a causa pública
Rui Pelejão, vereador do PS no Fundão

É também pela mãe que surge a ligação ao concelho que viria a liderar. “Como a minha mãe é natural da aldeia de Joanes [do Fundão], também ali passei momentos muito felizes no Natal, na Páscoa e na Festa de Nossa Senhora do Amparo na companhia dos meus avós maternos e familiares”, relata na mesma entrevista.

Em Castelo Branco, onde acabariam por nascer mais dois irmãos, passou pelo Colégio de Nossa Senhora do Rosário, a Escola Primária da Senhora da Piedade e o Liceu Nuno Álvares, onde foi “aluno premiado”. “Durante cinco anos fui escuteiro no Agrupamento 160 do CNE de Castelo Branco, com chefes muito competentes e dinâmicos. Frequentei durante seis anos o Conservatório Regional de Castelo Branco, onde aprendi a tocar diversos instrumentos musicais.”

O percurso académico voltaria a ligá-lo à cidade de Lisboa. Licenciou-se em Relações Internacionais no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade Técnica de Lisboa e, depois, prosseguiu os estudos em Espanha, onde se tornou mestre em Estudos Europeus e Direitos Humanos pela Universidade de Salamanca, com a especialização em Desenvolvimento Regional na Baixa Densidade.

Na universidade portuguesa foi colega do conterrâneo Rui Pelejão, que agora lembra um “homem de trabalho, de visão e de desenvolvimento”. “Conheço o Paulo há 30 anos. Sei que é um homem que trabalha 24 horas por dia para a causa pública”, recorda o atual vereador do PS na Câmara do Fundão.

“Se nós queremos ganhar, por exemplo, uma agenda da regionalização, e eu sou um regionalista, só vamos ganhar também no dia em que os municípios digam, OK, há competências que nós agora vamos delegar numa escala maior”, chegou a admitir Paulo Fernandes. O tempo como autarca viria a dar-lhe tempo para colocar na prática essas ideias.

Das aldeias de Xisto ao Fundão. “Grande capacidade de comunicar com as pessoas” é mais-valia, destaca Poiares Maduro

Em 2002, Paulo Fernandes tornou-se vereador da Câmara Municipal do Fundão. Mas antes disso, tentou impulsionar o projeto das Aldeias do Xisto. “Antes de ser autarca foi o coordenador das Aldeias do Xisto. E aí teve um papel importantíssimo”.

Poiares Maduro destaca a capacidade de alinhar várias vertentes de políticas públicas — como o urbanismo, a habitação, a componente cultural e a componente social — que foi “extraordinariamente bem sucedida”. Apesar de ter sido contestado, numa fase inicial, pelos moradores das aldeias, todos acabaram por perceber a “mais valia” que seria o projeto.

Nesse período revelou-se imprescindível uma qualidade que viria a marcar o percurso profissional e político: a “grande capacidade de comunicar com as pessoas”, destaca o antigo ministro, uma característica amplamente elogiada pelas várias pessoas ouvidas pelo Observador.

Paulo Fernandes chegou a presidente em 2012, já depois de ter desempenhado o cargo de vice-presidente e de vereador com pelouros como o desporto, a cultura e a ação social. Luís Miguel Gavinhos, agora seu sucessor, recorda o programa “arrojado” que o executivo liderado por Paulo Fernandes colocou em prática “para tentar contrariar as desigualdades regionais”.

“Estamos a falar de um município, do interior, que viveu muito essa sangria de pessoas. Procurámos contrariar essa tendência que o país vivia e, de certa forma, o Fundão foi bem sucedido nos últimos anos pela forma como conseguiu atrair empresas, sobretudo no setor tecnológico, e a forma como alavancou setores como a agricultura, ligados às novas tecnologias”.

O atual presidente da Câmara, que conheceu pessoalmente Paulo Fernandes antes de se terem cruzado no município, realça a importância de um autarca que soube “relacionar-se” com instituições “da área científica”, das universidades, mas também com a CCDR “e os diferentes Governos que desempenharam funções durante os seus mandatos”.

À frente do executivo autárquico tentou grandes transformações que visaram transformar a sociedade do Fundão, angariando para o município do interior mais de mil engenheiros informáticos e três mil imigrantes. “Hoje sinto que as pessoas procuram um pouco a ideia de uma certa felicidade. É inequívoco, estatisticamente, que há cada vez mais gente a concentrar-se nas cidades. Por isso, há cada vez mais gente a querer sair delas. Há uma oportunidade nesse paradoxo. O interior tem a possibilidade de oferecer um estilo de vida mais ajustado ao sentido do tempo? Sem dúvida nenhuma, a um custo muito menor”, assumiu Paulo Fernandes em entrevista ao Público.

Mais do que as pessoas, o autarca focou-se em ter tecnologia, meios e infraestruturas para poder levar empresas ao Fundão. “Foquemo-nos nas pessoas. Viremos o jogo ao contrário. O jogo tradicional no que é o desenvolvimento das regiões, das cidades, é primeiro vêm as empresas e para onde estão as empresas vão as pessoas. Foi sempre assim”.

“Quando nós começámos [o programa Fundão Inovação], tínhamos três engenheiros informáticos a trabalhar no concelho do Fundão e os três trabalhavam na câmara municipal. Não tínhamos um histórico de empresas tecnológicas, não tínhamos uma universidade ou um politécnico”, acrescentou, na entrevista dada ao mesmo jornal.

Foquemo-nos nas pessoas. Viremos o jogo ao contrário. O jogo tradicional no que é o desenvolvimento das regiões, das cidades, é primeiro vêm as empresas e para onde estão as empresas vão as pessoas. Foi sempre assim
Paulo Fernandes, em entrevista ao Público

Para o desenvolvimento da cidade, foi importante a aposta feita pelo autarca na integração de migrantes, imigrantes e refugiados. “O nosso concelho é um lugar de destino e de passagem. Aqui se cruzaram milenares modos de vida. Aqui se continuam a cruzar. Não é de agora isto de sermos uma Terra de Acolhimento. Está na nossa génese. É uma realidade histórica inerente à nossa identidade, construída com e pelas diferenças. Não temos dúvidas quanto ao dever e à vontade de acolher todos aqueles que chegam de paragens mais ou menos longínquas”, explica o próprio no portal da Fundação Acolhe, desenvolvida há vários anos pela autarquia que em 2023 foi nomeada capital europeia para a inclusão e diversidade.

“Uma região que perdeu dois terços da sua população ativa nas últimas décadas do século passado para a emigração, só tem futuro no seu projeto económico e social se começar a ter saldos migratórios positivos na população ativa, de forma a responder à falta crescente de trabalhadores em quase todas as áreas, desde a agricultura aos cuidados sociais. O Fundão tem hoje quase oitenta nacionalidades diferentes de fundanenses”, disse em entrevista ao Capeia Arraiana.

Ao longo dos anos, o percurso de Paulo Fernandes na autarquia não foi apenas feito de conquistas e de evoluções que já se traduzem na demografia do Fundão. No último verão, o autarca viveu um dos momentos mais críticos do seu percurso autárquico quando lidou com aquele que seria classificado como o “maior incêndio de sempre em Portugal”, em termos de área ardida.

https://observador.pt/especiais/em-11-dias-48-pessoas-ficaram-feridas-e-arderam-cerca-de-60-mil-hectares-provavel-maior-incendio-de-sempre-em-portugal-cede-aos-meios/

Passou “tarde terrível” a combater incêndios. Experiência em situações de catástrofe pode ser importante agora

14 anos depois da primeira aparição na RTP — quando, em 2010, como vice-presidente do Fundão, deu a cara por uma loja social criada para apoiar famílias carenciadas — Paulo Fernandes voltou a aparecer na televisão pública. Desta vez, as palavras não eram necessárias para perceber o momento crítico.

De colete da proteção civil vestido, com uma máscara de proteção contra o fumo ao peito e de cara chamuscada descreveu “uma tarde terrível” de combate aos incêndios. “É dos dias mais difíceis para o concelho. Temos um povo bravo que com os poucos meios que temos tido, salvámos cerca de dez aldeias totalmente fustigadas com muitos poucos recursos”, disse a 20 de agosto, depois de quase oito dias de incêndio (três deles no seu município).

Visivelmente cansado, assumiu que a “alma guerreira” dos munícipes ajudava a combater a fadiga e recusou sentir-se “esquecido” e “sozinho” face ao “resto do país”. “Não entro nessa questão, quando estamos neste momento a vinte minutos de irmos para outro local onde provavelmente vamos ter mais duas localidades em grave risco. O mais importante é lutarmos, unidos”.

Esta capacidade de liderança em momentos críticos e sensíveis podem ter representado uma mais valia no momento de escolher Paulo Fernandes para a liderança da missão de recuperação de zonas afetadas pela depressão Kristin. “É alguém que conhece muito bem o território, conhece bem estas realidades. Já passou por calamidades, como os fogos. Tem uma voz respeitada junto do Governo, seja que Governo for. Era enquanto autarca, unânime, toda a gente o reconhecia”, destaca Duarte Marques, ex-deputado do PSD.

O atual presidente do Fundão vai mais além. Para ele, mais do que a ação durante uma catástrofe, importa a experiência também adquirida por Paulo Fernandes na reação a esses problemas. “Estará sempre em causa essa capacidade de reunião e de cooperação no levantamento dos prejuízos, havendo recursos financeiros para o poder fazer”.

“É um grande desafio, mas ele já demonstrou em várias circunstâncias e na sua experiência como autarca, ter as dimensões de empatia e de humanismo na relação com as pessoas que são fundamentais para ser bem sucedido, não significa que não vá ter problemas ou que não vá ter dificuldades, mas acho que é uma pessoa que tem essa capacidade, com uma grande competência técnica, com uma grande capacidade de coordenação e uma capacidade de entender os temas do ponto de vista estratégico”, destaca Poiares Maduro.

Além dessa capacidade técnica, Paulo Fernandes alia uma “capacidade muito grande de lidar com pessoas em situações difíceis” — como os incêndios ou a destruição provocada pelo temporal verificado nos últimos dias em Portugal.

Intenção de presidir à CCDR Centro não teve seguimento. Paulo Fernandes tem “respeito dos pares” como poucos outros autarcas

Assim, as pessoas ouvidas pelo Observador são unânimes em destacar a boa escolha do Governo. Mas alertam que o seu sucesso também dependerá da autonomia que pode ter na intervenção desta estrutura de missão.

“Há uma data de projetos inovadores [no Fundão] que são claramente inovadores, disruptivos e que apelam à tradição e respeitam as tradições e conseguem juntar o antigo com o moderno de forma. E não é só conversa fiada, não é uma coisa de powerpoints, é mesmo real. Basta ver as empresas que foram trabalhar para o Fundão. Basta ver tudo o que foi feito à volta da cereja. Hoje em dia o Fundão tem um desenvolvimento económico brutal”, salienta Duarte Marques.

“Se me perguntar assim: ‘Havia um gajo mais talhado para isto do que o Paulo Fernandes?’ Dificilmente. É alguém que não é da cidade de Lisboa, que conhece muito bem o território”, vinca o ex-deputado do PSD.

Ele sabe as dificuldades e os desafios dos autarcas, ele passou por isso com os incêndios. E conhece muitos deles, ainda por cima da região central
Poiares Maduro

Para Rui Pelejão, do PS, a abertura para dialogar com pessoas de diferentes quadrantes políticos é o que torna o ex-autarca do Fundão adequado para esta missão. “É um homem que faz grandes sacrifícios da vida pessoal, pela causa pública. E tem uma capacidade de estabelecer diálogos para lá da esfera normal das disputas políticas. Conhece a maior parte dos autarcas afetados por esta catástrofe. Se perguntar a esses autarcas quem escolheriam, independentemente de que partido sejam, provavelmente iam responder o Paulo”.

O percurso como autarca e como impulsionador de projetos — das Aldeias de Xisto ou das Aldeias Históricas — deu ao ex-presidente da Câmara uma relação próxima com vários autarcas, alguns dos quais reencontrará neste esforço para reerguer os municípios afetados. “O facto de ser um autarca respeitado pelos outros autarcas é outra grande vantagem. Ele sabe as dificuldades e os desafios dos autarcas, ele passou por isso com os incêndios. E conhece muitos deles, ainda por cima da região central. Isso facilita muito”, acrescenta Poiares Maduro.

Esse “respeito dos pares” é salientado por Duarte Marques como representando outra vantagem: “Ele é um político, mas não é um político partidário. Não é alguém que tem um percurso, que seja conhecido como um gajo tendencioso ou demasiado defensor do seu partido. É alguém que também consegue assegurar alguma distância nas decisões que tomar”.

À frente da autarquia do Fundão, e tendo em conta os vários projetos que lançou, Paulo Fernandes lidou bem de perto com a “gestão dos dinheiros públicos e de fundos europeus”. Agora, salienta Duarte Marques, “vai lidar com milhões”. “Tem que ser uma pessoa honesta e séria para isso. E desse ponto de vista, [o ex-autarca] é à prova de bala”.

Desde que abandonou, depois das últimas autárquicas, a Câmara Municipal do Fundão — defende a limitação de mandatos, mas assumiu que talvez se recandidatasse se a lei não existisse — Paulo Fernandes revelou, em entrevista ao Público, que estava a “estudar” uma candidatura à presidência da CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) do Centro. “Obviamente estou a equacionar essa candidatura”. Esta intenção não teve seguimento e uma fonte ligada à política do Fundão assume alguma estranheza pelo facto de o PSD não ter incentivado (ou apoiado) esta candidatura de um nome bastante consensual na região, mas que agora o escolheu para esta missão de reestruturação.

“É um nome que está sempre em cima da mesa. Porque resolve, porque é criativo, porque é disruptivo, porque faz acontecer. É muito estratégico, com objetivos claros, disruptivo, mas realista q.b. E com os pés assentes na terra. Portanto, tem bom senso. Podia ser outra missão que também, se calhar estaria bem entregue”, conclui Duarte Marques sobre a escolha feita pelo Governo para reerguer as zonas afetadas pelo temporal.

“O Fundão tem tudo para estar orgulhoso de ter sido uma pessoa da sua terra, que tenha sido escolhido para chefiar esta missão. Isso, sem dúvida nenhuma”, remata Luís Miguel Gavinhos, atual presidente da Câmara do Fundão e amigo de Paulo Fernandes.