O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou esta terça-feira o cineasta João Canijo pela forma como “olhava para o lado B de Portugal” e dos que “tinham uma vida menos feliz, mais complicada, mais lateral”.
Marcelo Rebelo de Sousa marcou esta terça-feira presença nas cerimónias fúnebres de João Canijo, cineasta português que morreu na quinta-feira com 68 anos, e à saída da Gare Marítima da Rocha Conde de Óbidos, em Lisboa, assinalou que o falecimento do realizador foi inesperado, tal como foi a sua vida.
“Ele era assim, era inesperado, durante muito tempo foi incompreendido no cinema e fora do cinema, porque ele era diferente, ele olhava para o lado B de Portugal, para o lado B de todos nós portugueses, para o lado B dos emigrantes, dos imigrantes, dos que tinham uma vida menos feliz, mais complicada, mais lateral, para não dizer mais marginalizada”, sublinhou.
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O chefe de Estado acrescentou que Canijo “foi trabalhando sem receber financiamento, sem ser convidado para os grandes festivais” e “contestou aquilo que era, durante muito tempo, uma maneira tradicional, clássica” de fazer cinema, apelidando a sua obra como “contra-cinema e anti-cinema”.
“Contava o outro lado da sociedade portuguesa, o outro lado de Portugal. E nós ficamos a dever-lhe esse lado de Portugal, como poucos conseguiram descrever nos seus filmes”, disse.
João Canijo morreu perto de Vila Viçosa, distrito de Évora, onde repartia habitualmente residência com Lisboa. Apesar de não ter sido confirmada a causa de morte, a imprensa portuguesa escreveu que o realizador morreu de doença súbita.
O realizador estava a finalizar o mais recente projeto de cinema, o filme “Encenação”, assim como a filmagem, há cerca de duas semanas, de uma peça de teatro com ele relacionada, intitulada “As Ucranianas”.
João Manuel Altavilla Canijo nasceu em 1957, no Porto, onde frequentou o curso de História na Faculdade de Letras entre 1978 e 1980, tendo descoberto a paixão pelo cinema logo de seguida.
Parte da geração de realizadores que sobressaiu sobretudo nos anos 1990, juntamente com Pedro Costa e Teresa Villaverde, João Canijo começou por ser assistente de realização de cineastas como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter.
Para a História do cinema português deixa filmes como “Sapatos Pretos” (1998), “Noite Escura” (2004), “Mal Nascida” (2007), “Sangue do Meu Sangue” (2011), “Fátima” (2017) e o díptico “Mal Viver” e “Viver Mal” (2023).
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