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Produzir energia sem estar "refém" da rede. Procura por soluções à prova de apagão volta a subir após Kristin

Com a queda da rede elétrica, mesmo quem tem painéis solares ficou sem energia porque equipamentos estão sincronizados. Apagão e tempestade fazem subir procura por soluções de autonomia com baterias.

Ana Suspiro
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A seguir ao apagão de 28 de abril do ano passado, os telefones começaram a tocar “freneticamente” e após a passagem da tempestade Kristin, que provocou um apagão no distrito de Leiria que se estende a concelhos dos distritos vizinhos, também há mais interessados.

Para que empresas com produção própria de energia possam resistir aos efeitos da queda da rede e auto alimentar-se, a resposta passa pela hibridização (um conceito de junta mais do que uma tecnologia de energia renovável ou um sistema de armazenamento). Trata-se de combinar a produção fotovoltaica, instalada em unidades empresariais para autoconsumo, com sistemas de armazenamento de energia em bateria (BESS na sigla inglês)

A solução tecnológica já existia, mas o apagão do ano passado, acelerou o desenvolvimento do enquadramento legal e técnico, afirmou ao Observador Luís Pinho diretor para Portugal da Helexia, empresa especializada em soluções de energia para clientes empresariais que pertence ao grupo Voltalia. Muitas empresas e particulares com produção própria de energia — nomeadamente através de painéis fotovoltaicos — viram estes equipamentos parar quando o fornecimento de energia foi interrompido porque os mesmos estavam sincronizados com a rede elétrica.

https://observador.pt/2025/04/29/tem-paineis-solares-em-casa-e-nao-escapou-ao-apagao-porque/

Na generalidade das instalações de painéis fotovoltaicos, a transformação da energia é feita através de um equipamento que converte a corrente direta em corrente alternada que é usada nos consumos de casas e instalações. Por definição de uma norma do regulador, os equipamentos que fazem essa conversão estão sincronizados com a rede elétrica, refere o diretor da Voltalia. E, quando há oscilações anormais dos níveis de tensão, desligam-se. É um mecanismo de proteção dos equipamentos e da própria rede e que faz com que estas instalações parem de fornecer energia a quem as instalou, explica Luís Pinho.

Em muito maior escala foram os mecanismos de auto-proteção de centrais solares em Espanha que começaram a desligar-se quando a rede elétrica sofreu oscilações de frequência, iniciando a cascata de eventos que provocou o apagão.

Para contornar essa situação estão a ser disponibilizadas no mercado soluções de hibridização que combinam sistemas de baterias com geração fotovoltaica (a mais comum na produção para auto-consumo). O armazenamento de energia através de baterias permite continuar a abastecer o consumo quando não há produção (neste caso quando não há sol). Mas isso não chega para assegurar a autonomia da rede elétrica. É preciso um sistema que tenha inversores capazes de converter a corrente direta em alternada, mesmo sem o sinal da rede elétrica. O que implica passar dos inversores do tipo grid following (que seguem o sinal da rede) para gridforming (com capacidade para gerar sinais de frequências) acoplados às baterias.

Apesar destas soluções já existirem no mercado — a Helexia é uma de várias empresas que o fornece — ainda haverá muito poucos sistemas deste tipo a operar, diz Luís Pinho. Numa fase inicial, ainda antes do apagão, havia manifestações de interesse, mas logo a seguir os “telefones tocaram freneticamente” com feedback por parte dos clientes: “Agora percebemos. Faz sentido”.

Com os efeitos da tempestade Kristin a deixaram muitas empresas sem energia e sem produção, há um interesse redobrado por parte de potenciais clientes, sinaliza Luís Pinho.

Em agosto foi publicado o manual de procedimentos da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) que contempla esta solução para instalações de auto-consumo e indica o que é preciso do ponto de vista técnico. Nesta fase aguarda-se que, do ponto de vista das redes, a REN e a E-Redes deem a devida sequência aos regulamentos técnicos. Neste momento estão a decorrer as discussões entre os gestores de rede para definir os requisitos técnicos que vão balizar estes sistemas.

O diretor da Helexia admite que este ano possam ser operacionalizados, indicando que os fabricantes de inversores estão já a preparar as alterações. E se em muitas coisas Portugal está atrasado, neste tipo de produto até pode avançar mais depressa do que a maioria dos países europeus (com exceção dos nórdicos), muito à custa de fenómenos como o apagão e da tempestade que atingiu a região centro. Ainda que a falta de acesso à energia nem seja o problema mais grave que muitas empresas enfrentam, ao verem destruídas as estruturas físicas das suas instalações.

https://observador.pt/especiais/ha-empresas-de-leiria-que-estao-no-ponto-zero-apos-a-tempestade-esperam-apoios-e-receiam-contagio-local-uns-arrastam-os-outros/

Entre os mais interessados nesta solução estão centros de dados, instalações que consomem enormes quantidades de energia e que têm de assegurar redundância e autonomia de abastecimento durante algum tempo. E indústrias em que a paragem de produção por falta de energia provoca danos no equipamento ou perda de produção, como é o caso da cerâmica, ou serviços públicos essenciais como hospitais ou sistemas de água.

Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]