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Escritórios da rede social X em Paris alvo de buscas. Ministério Público quer ouvir Elon Musk em "audições livres"

Ministério Público de Paris convocou o magnata Elon Musk, proprietário do X, para "audições livres", após as instalações da plataforma em França terem sido alvo de buscas por alegadas irregularidades.

Manuel Nobre Monteiro
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Os escritórios da rede social X (antigo Twitter) em França foram alvo de buscas numa operação da Procuradoria de Paris, noticiou o Le Monde esta terça-feira, que cita o comunicado oficial. “Foi realizada uma busca pela secção de cibercrime da Procuradoria de Paris, com a unidade cibernética nacional da gendarmaria e a Europol, no âmbito da investigação aberta em janeiro de 2025“, lê-se na nota, especificando que não irá fazer mais publicações nesta rede social. Aliás, pouco depois a conta deixou de existir no X.

De acordo com o mesmo jornal, a operação está relacionada com várias denúncias sobre o algoritmo do X e o conteúdo que recomenda. As buscas fazem parte dos esforços do Ministério Público para garantir que a plataforma está em conformidade com as leis francesas.

Elon Musk e Linda Yaccarino, antiga diretora-geral da rede, foram convocados para “audições livres” na “qualidade de gestores de facto e de direito da plataforma X ao tempo dos factos”, adiantou a procuradora Laure Beccuau no comunicado. Além de Musk e Yaccarino, “vários funcionários da plataforma X estão também convocados para a semana de 20 a 24 de abril de 2026 para serem ouvidos na qualidade de testemunhas”.

A rede social ainda não se pronunciou, mas a empresa já tinha classificado estas denúncias como um ataque à liberdade de expressão e classificou a investigação como “politicamente motivada”, negando as alegações de que teria manipulado o seu algoritmo.

https://observador.pt/2025/07/11/franca-abre-investigacao-a-rede-x-por-suspeita-de-ingerencia-estrangeira/

Em julho, o Ministério Público de Paris tinha aberto uma investigação por suspeita de manipulação do algoritmo da plataforma para permitir ingerência estrangeira. Desde então, as investigações foram alargadas a outras infrações, incluindo cumplicidade na detenção e difusão de imagens de menores com caráter de pornografia infantil, deepfakes (manipulação de imagens e áudio) de caráter sexual e negacionismo.

A decisão foi tomada depois de terem sido recebidos dois relatórios, a 12 de janeiro de 2025, que “relatavam a alegada utilização do algoritmo da X para ingerência estrangeira”, explicou a procuradora. O primeiro documento veio de Eric Bothorel, deputado da região de Côtes-d’Armor e especialista nestes assuntos. O deputado alertou o Ministério Público para “recentes alterações no algoritmo do X, bem como para a aparente interferência na sua gestão desde a sua aquisição por Elon Musk”, em 2022.

Bothorel destacou, ainda, uma “redução na diversidade de vozes e opções” na plataforma, referindo que a rede “está a afastar-se do seu objetivo de garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos” e mostra “falta de clareza quanto aos critérios que levaram às mudanças no algoritmo e às decisões de moderação”. Além disso, alegou o especialista, foram feitas “intervenções pessoais de Elon Musk na gestão da sua plataforma” que representam “um perigo real e uma ameaça às nossas democracias”.