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Ministério da Cultura italiano investiga restauro de anjo numa basílica por alegada semelhança com Giorgia Meloni

Anjo restaurado está a gerar polémica, embora autor garanta que não se trata do rosto da primeira-ministra italiana. Investigação está em curso para "determinar a natureza dos trabalhos realizados".

Manuel Nobre Monteiro
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O Ministério da Cultura italiano e a Diocese de Roma abriram uma investigação após o jornal La Repubblica ter denunciado uma alegada semelhança entre a primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, e um anjo recentemente restaurado na Basílica de São Lourenço, na capital do país.

De acordo com a imprensa, um dos dois anjos da pintura, original do ano 2000, passou a exibir “um rosto familiar e surpreendentemente contemporâneo” após as obras. “Antes da restauração, havia um querubim genérico. Hoje, é o rosto da mulher mais poderosa do país“, escreveu o La Repubblica, referindo-se a Meloni.

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Em comunicado, o Ministério da Cultura afirmou que a investigação agora iniciada serve para “determinar a natureza dos trabalhos realizados”, assim como para decidir “que ações irão tomar” após a avaliação.

A Diocese de Roma explicou, também numa nota, que o vigário-geral, Baldassare Reina, expressou “deceção” e determinou a abertura imediata das averiguações necessárias para apurar responsabilidades. “Reitera-se firmemente que as imagens da arte sacra e da tradição cristã não podem ser usadas ou exploradas indevidamente, uma vez que se destinam exclusivamente a apoiar a vida litúrgica e a oração pessoal e comunitária”, lê-se no documento.

O caso começou a circular nas redes sociais a própria primeira-ministra italiana também reagiu. “Não, definitivamente não pareço um anjo”, escreveu no seu Instagram.

A polémica levou vários jornalistas à Basílica, cujas origens remontam ao século IV. O pároco, Daniel Micheletti garantiu à agência de notícias ANSA que pediu para que o interior fosse “restaurado exatamente como estava“, sendo que o motivo de qualquer alteração tinha de ser questionado ao técnico de conservação e restauro. Micheletti explicou, ainda, que a intervenção foi necessária devido aos danos provocados por infiltrações de água.

O técnico de restauro, Bruno Valentinetti, explicou que trabalhou durante dois anos na conservação desta pintura e concluiu a obra há cerca de um ano. Garantiu que se limitou a devolver a esta arte o seu aspeto original. “Muitas coisas tinham desaparecido. Na restauração, retiraram-se as camadas e o desenho original reapareceu”, afirmou.

Valentinetti assegurou, ainda, que trabalhou com o consentimento do pároco e negou qualquer motivação política. “Vivo aqui. Sou artesão. Fiz isto de forma voluntária por gratidão ao padre que me acolheu”, disse, rejeitando ligações à direita política. “Não é a Meloni. Restaurei os rostos como eram há 25 anos”, insistiu.

As reações políticas depressa surgiram. Irene Manzi, deputada do Partido Democrático, de centro-esquerda, classificou a situação como “inaceitável” e exigiu uma investigação para apurar se foram violadas regras de tutela do património. Também o partido Movimento Cinco Estrelas alertou para os riscos de instrumentalização cultural: “Não podemos permitir que a arte e a cultura se tornem um instrumento de propaganda ou outra coisa qualquer, independentemente de o rosto representado ser o da primeira-ministra”.

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