Um dos comentários diz tudo: “Ironia do destino: defender Trump, aplaudir o ICE e acabar preso pelo próprio sistema que idolatrava. Que fique por lá”. As frases deste seguidor de Junior Pena no Instagram refletem o tom de muitas das reações à detenção do influencer este sábado em New Jersey pelos serviços de imigração dos Estados Unidos da América (EUA). Muitos não lhe perdoam a defesa que tem feito da política de imigração da Casa Branca e as críticas a imigrantes em situação irregular no país e agora não perderam a oportunidade para o ridicularizarem nas redes sociais onde tem mais de um milhão de seguidores e milhões de visualizações, segundo o G1.
Junior Pena, nome que usa no Instagram, foi detido por ter faltado a uma audiência no seu processo de legalização, conta um amigo de Eustáquio da Silva Pena Júnior (nome completo do influencer) ao portal de notícias UOL.E a ausência do brasileiro de Belo Horizonte, que está nos EUA ilegalmente há mais de 15 anos, deveu-se a uma falha no sistema, que não terá registado o adiamento da sessão. Junior Pena agiu em conformidade com esse adiamento e não foi. O ICE deteve-o por isso, garante o amigo do influencer.
As razões da detenção contrariam, por isso, a tese de Junior, que dizia que o ICE só detinha “bandidos” e não pessoas honestas. “Estejam calmos. Não fiquem desesperados a achar que eles estão a deportar toda a gente. Há uma reportagem que mostra o ICE a deter [pessoas], com brasileiros pelo meio, mas é tudo bandido. Tudo bandido. Não acredites em qualquer influenciador”, disse Pena num dos seus vídeos, de acordo com o mesmo jornal.
Mesmo com estas convicções, Junior Pena, que se tornou conhecido pelos conteúdos sobre imigração e oportunidades de trabalho nos EUA, classificou em dezembro as operações do ICE como “ações desumanas”, aquando da reação a um vídeo sobre os serviços de imigração dos EUA, conta o Correio Braziliense.
Mas esse foi um momento que poucos recordam agora. Nos comentários das suas últimas publicações, muitos dos utilizadores do Instagram, onde Pena conta com quase meio milhão de seguidores, deixaram algumas provocações. “Fez vídeo defendendo o Trump. Liga pra ele, quem sabe ele te ajuda” ou “Fica nervoso, não! Qualquer coisa que der errado, liga para Eduardo Bolsonaro. Ele é muito influente” ou ainda “Poxa amigo, pelo visto vc não tava trabalhando tão direitinho assim pra ter sido preso” lê-se nos comentários de uma das últimas publicações de Junior Pena. “Apoiou Trump e sofreu as consequências”, escreve um utilizador da rede social. “Quem semeia ventos, colhe tempestades”, brinca ainda outro.




Mas há também quem o apoie. “Juninho, desejo que corra tudo bem”, escreve um dos seguidores no Instagram.
O brasileiro saiu de Minas Gerais em 2008, passou pelo Guatemala e México até entrou nos EUA em fevereiro de 2009, contou numa entrevista ao g1 em 2024. Explicou que “passou na mão de cerca de 20 coiotes” (pessoas pagas para ajudar a entrar ilegalmente em território norteamericano pela fronteira mexicana. “Encarou a morte”, durante o percurso, disse ao jornal, descrevendo ainda fome e ameaças até conseguir o seu objetivo.

Agora está no centro de detenção de Delaney Hall em Newark, Nova Jérsia. O seu advogado, Andrew Lattarulo, tenta evitar uma transferência de estado, algo que costuma acontecer nestes casos, para dificultar o contacto com familiares e advogados, explica o Brazilian Times. Andrew Lattarulo quer que Junior Pena saia em liberdade sob fiança ainda esta segunda-feira e que responda ao processo em liberdade, avança o mesmo jornal. Os amigos de Pena estão a tentar juntar 50 mil dólares (42 mil euros) para o ajudar com as custas judiciais, adianta o UOL.
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