O presidente da FIFA — o órgão que regula o futebol a nível mundial — defende que a Rússia deve ser reintegrada nas competições internacionais, quase quatro anos depois de ter sido banida devido à invasão da Ucrânia. Gianni Infantino disse, numa entrevista, que a suspensão da Rússia das competições não teve resultados práticos.
“Temos que fazer isso”, disse Infantino, numa entrevista à Sky News, quando questionado se consideraria suspender a proibição imposta à Rússia. “Sou contra proibições, sou contra boicotes também“, acrescentou, dizendo que estas decisões apenas “criam mais ódio”. O presidente da FIFA considera que a suspensão da Rússia das competições internacionais — imposta no final fevereiro de 2022 a clubes e seleções nacionais, poucos dias depois do início da guerra na Ucrânia — “não conseguiu nada, apenas gerou mais frustração e ódio”.
https://observador.pt/2022/02/28/fifa-vai-suspender-a-russia-das-competicoes-internacionais-numa-decisao-que-deixa-os-russos-de-fora-do-mundial-2022/
Segundo Infantino, ter “meninos e meninas da Rússia” a participarem de torneios de futebol na Europa transmitiria uma mensagem positiva, numa altura em que “alguém precisa de manter os laços abertos“. Para o presidente da FIFA, o levantamento da proibição deveria ser feito de forma gradual, a começar pelos “escalões de base”. Em 2023, a UEFA decidiu permitir que as equipas russas de sub-17 competissem, mas voltou atrás após ter enfrentando uma forte oposição das federações europeias.
Na entrevista à Sky News, o presidente da FIFA foi ainda mais longe, salientando que a organização que lidera deveria analisar a possibilidade de alterar as regras e “consagrar nos estatutos que jamais deve proibir qualquer país de jogar futebol por causa das ações dos seus líderes políticos”.
Entretanto, a posição de Infantino em relação à possível reintegração na Rússia nas competições internacionais de futebol motivou uma reação de desagrado por parte da Ucrânia. “679 meninas e meninos ucranianos nunca poderão jogar futebol — a Rússia matou-os”, escreve o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, na rede social X, classificando o presidente da FIFA como um “mentecapto”.
https://twitter.com/andrii_sybiha/status/2018385051398832517
“E continua a matar mais, enquanto mentecaptos sugerem o fim das proibições, apesar da Rússia não ter posto fim à sua guerra”, escreveu o governante ucraniano.
Na mesma entrevista, o líder da FIFA defendeu a atribuição do primeiro Prémio da Paz ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Obviamente que o merece. E não o digo apenas eu, uma vencedora do Prémio Nobel da Paz [a venezuelana María Corina Machado] também o disse. Ele [Trump] tem sido uma parte instrumental na hora de resolver conflitos e salvar milhares de vidas”, referiu.
Nota: notícia atualizada às 9h15 com a reação da Ucrânia
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