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(A) :: Por baixo de quem parecia destinado a reinar, há um ganso que também sabe voar (a crónica do Casa Pia-FC Porto)

Por baixo de quem parecia destinado a reinar, há um ganso que também sabe voar (a crónica do Casa Pia-FC Porto)

O FC Porto dominou do início ao fim, teve muitas dificuldades em criar e não conseguiu quebrar o bloco do Casa Pia, que faturou nas suas primeiras oportunidades (2-1). William de fora do clássico.

Tiago Gama Alexandre
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40 pontos. Era esta a diferença entre o primeiro e o 16.º classificado à partida para 20.ª jornada do Campeonato Nacional. Era assim que se resumia a prestação de grande nível que o FC Porto tem apresentado em termos pontuais, e o “desastre” que tem sido o Casa Pia. A diferença entre as duas equipas era tanta que, esta segunda-feira, os dragões podiam garantir desde já a manutenção, algo que será atingido com toda a naturalidade, mas que podia ficar carimbado logo no arranque da segunda volta. Para isso, e essencialmente para voltar a fugir a Benfica e a Sporting antes de um clássico que pode ser decisivo, a equipa de Francesco Farioli tinha que vencer os gansos em Rio Maior, cidade que recebe os jogos da equipa lisboeta e que, nos últimos dias, foi fustigada pelo mau tempo, à semelhança do que tem acontecido na zona Centro do país.

https://observador.pt/2026/01/29/eles-continuam-atras-do-que-o-treinador-diz-que-nao-existe-a-cronica-do-fc-porto-rangers/

Nas primeiras 19 jornadas desta Primeira Liga, o FC Porto conseguiu um impressionante registo de 18 vitórias, tendo cedido pontos apenas no clássico do Dragão frente ao Benfica (0-0), com apenas quatro golos sofridos. A partir daí, os azuis e brancos embalaram para uma série de 11 vitórias consecutivas na competição, com cinco jogos seguidos sem sofrer e apenas um golo nos últimos nove desafios. Em termos globais, os dragões só tinham uma derrota nos últimos 20 jogos, ainda que, na Liga Europa, tenham mostrado menor fulgor, ainda assim suficiente para assegurar os oitavos de final. Antes deste jogo, Farioli já contou com os reforços Terem Moffi e Seko Fofana, ainda que a presença do último na convocatória não estivesse assegurada. Em sentido inverso, Stephen Eustáquio abandonou o estágio para rumar à MLS, ao passo que Victor Froholdt esteve em dúvida até às horas que antecederam o pontapé de saída, devido a sintomas febris.

“O campo provavelmente não vai estar em grandes condições, mas há mais coisas além disso. O que Portugal tem vivido nos últimos dias é algo que nos deixa preocupados. Há uns dias, no meu país, vivemos algo parecido, principalmente na cidade da minha mulher… O campo não é um problema que se compare com o resto. Sou repetitivo e aborrecido com a mentalidade do ‘jogo a jogo’. Pássamos o tempo a preparar o Casa Pia. Mudaram de treinador, então fomos ver o que Álvaro Pacheco fez em Vizela. Fez um trabalho fantástico a levar a equipa da Terceira para a Primeira Liga. O Casa Pia construiu-se para jogar com três centrais, mas estamos preparados para uma variação. No último jogo marcaram três golos em seis minutos e isso demonstra o impacto causado. O que importa é manter este ritmo. Percebo que, de fora, se olhe para esse jogo [clássico], mas o grande passo é o jogo de amanhã [segunda-feira]”, assumiu o treinador italiano na antevisão ao jogo de Rio Maior.

Ficha de jogo

Casa Pia-FC Porto, 2-1

20.ª jornada da Primeira Liga 2025/26

Estádio Municipal de Rio Maior

Árbitro: Pedro Ramalho (AF Évora)

Casa Pia: Patrick Sequeira; João Goulart, Khaly, David Sousa; Gaizka Larrazabal, Lawrence Ofori, Rafael Brito, Abdu Conté; Tiago Morais (Korede Osundina, 55’), Jérémy Livolant e Cassiano Moreira (Clau Mendes, 81’)

Suplentes não utilizados: Ivan Mandic; Kelian Nsona, Dailon Livramento, João Marques, André Geraldes, Kevin Prieto e Iyad Mohamed

Treinador: Álvaro Pacheco

FC Porto: Diogo Costa; Martim Fernandes (Alberto Costa, 46’), Thiago Silva (Deniz Gül, 71’), Jan Bednarek, Francisco Moura; Alan Varela (Victor Froholdt, 57’), Pablo Rosario, Gabri Veiga; Pepê (Oskar Pietuszewski, 71’), Borja Sainz (William Gomes, 57’) e Samu Aghehowa

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos; Jakub Kiwior, Dominik Prpic e Rodrigo Mora

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Larrazabal (12’), Thiago (a.g., 45’) e Rosario (46’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Ofori (40’), Larrazabal (59’), Alberto (90+2’), David (90+6’) e Bednarek (90+7’), vermelho a William (79’)

Com a mudança no comando técnico, o Casa Pia mostrou uma capacidade ofensiva pouco vista neste Campeonato, empatando frente AVS num jogo em que esteve a ganhar por 3-0 (casa, 3-3). Ainda assim, a equipa de Álvaro Pacheco continuava à procura da primeira vitória em casa, consentindo cinco empates e cinco derrotas antes de receber o líder, e procurava evitar sofrer três golos, algo que tinha acontecido em cada um dos três embates anteriores. “É motivador porque temos a oportunidade de conseguir a primeira vitória em casa, contra o líder, que ainda não perdeu e que é a melhor defesa do Campeonato. É algo que nos deixa mais motivados para sermos capazes de alcançar a vitória. Temos de igualar a intensidade, o compromisso coletivo e a crença do FC Porto, e acreditar no nosso trabalho. Temos de aproveitar os espaços que o FC Porto costuma deixar e as debilidades que tem. Será um jogo entre duas equipas em crescimento e fantástico de assistir. Espero uma resposta positiva”, sublinhou o técnico de 54 anos.

https://twitter.com/FCPorto/status/2018387461156503912?s=20

Na capital do sal, Francisco Farioli fez cinco alterações no onze inicial face ao jogo com o Rangers, com Martim Fernandes e Thiago Silva a regressarem à defesa, por trocas com Alberto Costa e Jakub Kiwior. Com Victor Froholdt indisponível para ser titular, Pablo Rosario e Gabri Veiga juntaram-se a Alan Varela, com o dinamarquês a juntar-se a Rodrigo Mora no banco de suplente. Na dianteira, Borja Sainz voltou ao lado esquerdo, relegando William Gomes para fora da equipa. Em relação ao empate frente ao AVS, Álvaro Pacheco apresentou apenas uma novidade, com Lawrence Ofori a juntar-se a Rafael Brito no meio-campo, em detrimento de Renato Nhaga. Desta forma, o Casa Pia manteve o esquema com três centrais, que variou entre o 3x4x3 e o 5x4x1.

Com o frio e a chuva instalados em Rio Maior, o pontapé de saída foi antecedido por uma homenagem às vítimas do mau tempo que tem assolado Portugal. Como seria de esperar, o FC Porto entrou bastante ofensivo e a jogar praticamente só no meio-campo ofensivo na fase inicial, com Varela a aparecer de frente para o jogo e Rosario a adiantar-se ligeiramente no meio-campo, “fazendo” de Froholdt. Na primeira tentativa de perigo, o argentino picou, em zona central, para Sainz que, isolado, acabou por escorregar na hora de rematar (5′), antes de Martim cruzar para um remate fraco de Samu Aghehowa em boa posição (10′). Em sentido inverso, o Casa Pia não precisou de muito para ser feliz, inaugurando o marcador na primeira vez que chegou à baliza de Diogo Costa. Tiago Morais abriu na esquerda com um passe pelo ar, Abdu Conté recebeu e deixou para Jérémy Livolant que, depois de ganhar a linha de fundo, cruzou para o segundo poste, onde Gaizka Larrazabal apareceu a desviar para o fundo da baliza (12′).

A partir daí, o jogo continuou de sentido único, com os gansos a defender com um bloco baixo e compacto, deixando apenas Cassiano Moreira solto no ataque. Ainda assim, os dragões continuaram com dificuldades em desfeitear a defensiva da casa, criando pouco perigo junto da baliza de Patrick Sequeira. Só na parte final da primeira parte se vislumbrou a primeira oportunidade portista, com Pepê a cruzar para o segundo poste, mas Patrick Sequeira antecipou-se a Sainz e impediu o remate (30′). Seguiu-se um grande passe de Varela para Rosario, que colocou de pronto em Veiga que, dentro da área, rematou forte para defesa do costa-riquenho (35′). No lance seguinte, o médio argentino tentou de fora da área, mas o seu tiro esbarrou no poste esquerdo da baliza casapiana (36′). Já depois de Borja Sainz ter tido um golo anulado por fora de jogo (41′), o Casa Pia voltou a ser eficaz, com Conté a levantar um livre para a área e Thiago Silva, na tentativa de impedir o desvio de João Goulart, a desviar para a sua própria baliza (45′).

Com o resultado desfavorável, Francesco Farioli não esperou muito e mexeu na equipa logo ao intervalo, lançando Alberto Costa no lugar de Martim Fernandes, com o FC Porto a manter a tendência a abrir, mas a conseguir ser eficaz: jogada de insistência, Alan Varela coloca na cabeça à entrada da área e, depois de ganhar a Rafael Brito, Pablo Rosario remata rasteiro para o 2-1 (46′). O golo teve o condão de manter o jogo como estava, com o Casa Pia cada vez mais fechado junto à sua baliza. Num lance de bola parada, Thiago Silva apareceu a finalizar de primeira ao primeiro poste, mas Patrick Sequeira negou o golo com um grande voo (55′). Já com Korede Osundina (saiu Tiago Morais), Victor Froholdt (Varela) e William Gomes (Borja Sainz) em campo, Rosario encontrou Samu Aghehowa à entrada da área, o espanhol fez a contenção e tocou curto para o remate de Gabri Veiga, mas Sequeira voltou a exibir-se a grande nível (62′). Nem de um canto olímpico o médio internacional espanhol conseguiu quebrar a muralha da Costa Rica, que travou o seu remate em cima da linha de baliza (67′).

Para a reta final da partida, Farioli apostou tudo no ataque e colocou Oskar Pietuszewski e Deniz Gül nos lugares de Pepê e Thiago Silva e, na sua primeira tentativa, o turco quase aproveitou um corte incompleto de David Sousa, só que Patrick voltou a impedir o golo (74′). Pouco depois, William Gomes despediu-se da partida com uma entrada muito dura, de pitons, na cabeça do central, acabando expulso (79′). No recomeço, Álvaro Pacheco colocou Clau Mendes no lugar de Cassiano Moreira e viu a sua equipa continuar a aguentar a pressão portista, que tentou o empate com inúmeros cruzamentos para a área, quase resolvendo as contas num lance de transição rápida, com Mendes a aparecer isolado, mas a rematar para o meio da baliza para uma defesa importante de Diogo Costa (90′). No tempo de compensação, o FC Porto pouco fez, despedindo-se de Rio Maior com a primeira derrota no bolso. Para a história fica a primeira vitória de sempre do Casa Pia frente aos dragões (2-1).

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