André Mountbatten-Windsor é provavelmente o nome mais sonante, e que em maior desgraça caiu depois das constantes divulgações de ficheiros do caso Epstein nos últimos meses. Depois de perder os títulos reais e a própria casa em outubro de 2025, com a divulgação de novos ficheiros enfrenta uma nova acusação de abuso sexual. Até o primeiro-ministro britânico considera que o irmão de Carlos III deve dar explicações no Parlamento: “Sempre disse que qualquer um que tenha informações deve estar preparado para partilhar da forma que for solicitado. Não se pode estar centrado nas vítimas se não agir dessa forma”, disse Keir Starmer, citado pelo The Guardian.
Mas André está longe de ser o único príncipe — ou ex-príncipe — a figurar na lista de contactos do milionário acusado de tráfico sexual, e que tirou a própria vida na prisão em 2019. Há alguns anos que já é conhecida a relação da princesa Mette-Marit com Epstein, e recentemente o nome da princesa Sofia da Suécia apareceu em emails do criminoso sexual com uma empresária sueca. Há ainda menções ao Rei Emérito Juan Carlos, de Espanha, ao Príncipe Alberto do Mónaco, membros da realeza da Bélgica, Grécia, Tailândia, e aristocratas que mantiveram relações muito próximas com Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. Conexões que vêm a público na nova leva de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano, e que aumentam a crise dentro das famílias reais europeias, especialmente a da Noruega e da Suécia.
Mette-Marit e a amizade íntima com Epstein
As mensagens mais recentes são de junho de 2014, mas o nome de Mette-Marit aparece em emails, agendamentos e mensagens desde fevereiro de 2011. Ao longo dos mais de três anos de aparente contacto da princesa da Noruega com Jeffrey Epstein, os dois ter-se-ão encontrado várias vezes entre Paris, Nova Iorque e Florida — a mulher do príncipe herdeiro Haakon terá ficado hospedada na casa do milionário e criminoso sexual em Palm Beach por quatro dias em 2013. Nos novos ficheiros divulgados na passada sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos EUA há ainda trocas de mensagens em que Mette-Marit supostamente diz que Epstein é “charmoso”, sugere Paris como uma cidade “boa para o adultério”, e que “escandinavas dão boas esposas”. A futura Rainha da Noruega já reagiu, desculpando-se por se ter relacionado com Epstein: “Demonstrei falta de bom senso e lamento profundamente ter tido qualquer contacto com Epstein. É simplesmente constrangedor.” Depois de no sábado a princesa se ter desculpado, no domingo o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, disse que “concordava” que Mette-Marit havia cometido um erro de julgamento.

Entretanto, os documentos revelados vão contra a versão da família real de 2019, quando a diretora do Palácio emitiu um comunicado a informar que “a princesa herdeira optou por encerrar o contacto com Epstein em 2013, em parte porque percebeu que Epstein estava a tentar usar a conexão que tinha com ela para beneficiar outras pessoas”, recorda o jornal norueguês VG. “Eu jamais teria tido qualquer envolvimento com Epstein se soubesse da gravidade de seus crimes”, disse ainda a princesa herdeira na altura. “Deveria ter investigado o passado de Epstein mais a fundo e lamento não tê-lo feito”, afirmou. Nos ficheiros recentemente divulgados, há conversas até pelo menos meados de 2014.
As trocas de mensagens sugerem que Mette-Marit conheceu Epstein através de um amigo próximo, o investidor de capital de risco em biotecnologia Boris Nikolic. O consultor científico da fundação de Bill e Melinda Gates conheceu a princesa na Suíça, durante o Fórum Económico Mundial, em janeiro de 2011. Um mês depois, Nikolic, que foi nomeado “executor sucessor” no testamento de Epstein, enviou um email ao amigo a dizer que tem uma amiga que vai para Nova Iorque em março e que gostaria de o apresentar. “Ela é ótima! Perversa”, sugere, afirmando que “não é uma realeza típica“.
Numa troca de emails de outubro de 2011, Mette-Marit assume que pesquisou o nome de Epstein no google. “Concordo que não parecia muito bom”, escreveu. Um mês depois, Nikolic escreve para o amigo a questionar: “O que se passa com Mette agora? Ela quer carregar um bebé seu”, ao que Epstein responde: “Mette é uma confusão”.

“Paris é boa para adultério”
Epstein terá mantido contacto frequente com a princesa da Noruega desde então. Entre 2012 e 2013 há várias trocas de emails entre assistentes do milionário e da mulher do príncipe Haakon a combinar visitas em Paris, na Florida e em Nova Iorque. Em abril de 2012, por exemplo, Nikolic disse que a princesa “não está a gostar de passar tempo em Oslo. Está em Paris”.
Nos ficheiros revelados na semana passada, entretanto, há trocas de mensagens que revelam também o tipo de amizade que os dois tinham. Em outubro de 2012, por exemplo, Mette-Marit queixou-se de ter ido a um “casamento aborrecido”, que muito provavelmente terá sido a boda de Guillaume e Stéphanie do Luxemburgo. “Foi como um filme antigo. Onde sabes que as personagens não estão a sair há muito tempo”, escreve a princesa da Noruega.

Em novembro, Epstein pede orientações sobre o tempo na Europa, e escreve que “está à caça de uma esposa”. “Paris está a provar-se interessante, mas prefiro escandinavas“, escreve o milionário. A resposta de Mette-Marit é direta: “Paris é bom para adultério. Escandinavas são para casar”. Mas, de novo, quem sou eu para falar alguma coisa?” Alguns dias depois, a princesa escreve que Epstein “é muito charmoso”, e depois pede um conselho sobre o filho, Marius Borg. “É inapropriado para uma mãe sugerir duas mulheres nuas a carregar uma prancha de surf para o papel de parede do meu filho de 15 anos?”
Noutro email de 2013, Mette-Marit terá agendado um horário para clarear os dentes com o dentista de Epstein, na Florida. A princesa ainda terá ficado hospedada na casa do condenado sexual, em Palm Beach, em janeiro, com uma professora de meditação — Epstein não estava na propriedade, mas fez questão de pedir aos seus assistentes que a alojassem num quarto com acesso a uma varanda, para que a princesa pudesse fumar durante a madrugada. Durante a estadia, terá sido fotografada, de acordo com um email de fevereiro enviado ao milionário por uma pessoa que teve o seu nome escondido pelo Departamento de Justiça norte-americano. “Percebi que algumas fotos tiradas por si foram usadas no que o meu instinto diz não ser a forma apropriada. Estas fotografias incluem Mette na sua propriedade. Tenho a certeza que não foi com má intenção, apenas não foi um bom julgamento”, diz a mensagem. Em setembro, assistentes de Epstein voltam a tentar marcar um encontro entre os dois, apesar de não haver menção sobre se a reunião de facto aconteceu.
Apesar da realeza ter afirmado em 2019 que o contacto terminou em 2013, há ainda trocas de mensagens entre os dois em janeiro de 2014, quando Epstein pergunta como está a princesa, depois de um acidente de ski em dezembro. “Tenho pensado em ti. Como estás a sentir?”, questiona o milionário. “A sentir-me melhor. Parti a costela este fim de semana, parece que estou sob algum feitiço. Como estás? Sol ou neve?”, responde a princesa, ao que Epstein revela que Woody Allen passou uma semana na sua casa. “Deve ter sido uma experiência neurótica para os dois”, respondeu Mette-Marit. Em junho de 2014 mais uma troca de mensagens. “Posso vê-la em Nova Iorque?”, questiona Epstein. “Acho que terça-feira funciona”, responde a princesa.
Empresária continuou a informar Epstein sobre Sofia da Suécia até 2017
Quase no final de 2025 o nome da princesa Sofia da Suécia surgiu pela primeira vez numa troca de emails associada ao caso Epstein. Os documentos publicados pela imprensa sueca revelam que a empresária sueca Barbro Ehnbom partilhou com Epstein fotografias da jovem Sofia, sugerindo que poderia ser interessante conhecê-la, em 2005. O acusado de tráfico sexual respondeu, a convidar a jovem para o visitar nas Caraíbas.
No mesmo dia da revelação, a mulher do príncipe Carl Philip falhou a cerimónia de entrega dos prémios Nobel em Estocolmo, enquanto a Casa Real divulgou um comunicado a confirmar que Sofia já havia encontrado Epstein no passado em eventos sociais. Dois dias depois, novas explicações: “A Casa Real percebe o interesse mediático significativo no tema. Ao mesmo tempo, é importante que as notícias se foquem no que é relevante. Não se espera que ninguém seja capaz de lembrar todas as pessoas com quem encontraram na vida, entretanto, a princesa Sofia lembra-se de encontrar Epstein em algumas ocasiões, cerca de 20 anos atrás. Gostaríamos de clarificar que estes encontros aconteceram em ambientes sociais, como num restaurante e numa estreia de um filme“, diz o texto divulgado pela Casa Real sueca.

Nos ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano Sofia é mencionada em outras trocas de emails, de 2010. Quando a imprensa sueca já falava sobre um romance com Carl Philip, o milionário recebe um email a dizer: “A sua próxima esposa não regressou ainda. Josefin — a que se parece um pouco com Sofia, tu sabes, a namorada do príncipe… Vou apresentá-los em duas semanas”. Em fevereiro, quando Sofia já namorava Carl Philip, Barbo Ehnbom enviou uma fotografia “da nossa Sofia — tu te lembras”. Marcus Forss, filho da empresária, também escreveu a Epstein sobre a futura princesa. “Em anexo verá um artigo interessante em que a minha mãe defende Sofia Hellqvist (que penso que já conheceu), que anda a namorar com o príncipe sueco daqui, porque está a ser difamada pela comunicação social… Que bom da parte da minha mãe fazer isso! E é engraçado que a manchete diga que a minha mãe está a gerir uma “escola de princesas”, haha! Parece-nos ótimo para nós dois!” De recordar que Sofia conheceu Carl Philip em 2010 — os dois logo começaram a namorar, e casaram-se em 2015. Aliás, Barbro Ehnbom comunica Epstein do casamento em 2014, no dia em que o noivado foi publicamente anunciado. “Sim, Sofia Hellqvist vai-se casar com o príncipe encantado e ser a melhor princesa!” Em 2017 a empresária manda outro email a dizer que Sofia vai ter um segundo filho.
Barbro Ehnbom é citada mais de duas mil vezes nos ficheiros Epstein. A empresária sueca troca emails com o próprio Epstein e com assistentes, a dar detalhes sobre jovens mulheres suecas e a organizar encontros. “Será que ele quer que eu leve ao congresso uma mulher para que ele conheça?”, questiona Barbro, numa das mensagens de 2014. A empresária é a fundadora da Barbro’s Best & Brightest Network, ou BBB, um programa que levava jovens mulheres suecas para estágios em empresas em Nova Iorque. Numa denúncia encaminhada por um escritório de advocacia ao Gabinete do Procurador-Geral dos EUA em 2020, o advogado John Ray afirma que Barbro “repetidamente procurava mulheres suecas para os prazeres de Jeffrey Epstein”, e chega a mencionar que a empresária “também apresentou uma estrela de filmes eróticos ao príncipe sueco Carl Philip, duque da Virgínia e príncipe herdeiro, com quem ele se casou”. John Ray é casado com a cantora de ópera sueca Madeleine Kristoffersson, que cantou em alguns eventos organizados por Barbro, motivo pelo qual o casal alegava ter informações privilegiadas sobre os encontros das participantes do BBB. Ao jornal sueco Expressen, Barbro disse que não sabia de nada “sujo, imundo ou malicioso” sobre Epstein. “Não conheço ninguém na BBB que tenha vindo falar comigo. Ninguém.”
Mónaco, Espanha, Bélgica, Grécia e Tailândia
Há mais nomes de realeza nos ficheiros, apesar da maioria só aparecer citado uma ou duas vezes, o que também evidencia como o raio de ação de Jeffrey é vasto. O Rei Emérito Juan Carlos tem o seu nome citado em duas trocas de emails. Na primeira, em 2013, Epstein pergunta a Olivier Colom, um conselheiro diplomático de Nicolas Sarkozy entre 2007 e 2012, quem é Corinna Sayn Wittgenstein, a conhecida amante de Juan Carlos, também conhecida por Corinna Larsen. “Só sei que ela tem alguma coisa com o Rei Juan Carlos: era suposto ser a sua conselheira informal. Acho que é justo dizer que ela é mais do que uma amiga… e aparentemente uma intermediária”, responde Colom, que questiona se Epstein a conhece. “Não, ela está a tentar convencer-nos a fazer negócios na Rússia? Nunca a conheci, mas não gosto do cheiro.” Epstein também perguntou sobre Corinna a outra amiga, a empresária alemã Nicole Junkermann, que aconselhou: “Fique longe”. Já em 2018, a relações públicas Peggy Siegel conta a Epstein que vai jantar com o Rei Emérito de Espanha. “Vou jantar com o Rei Juan Carlos da Espanha esta noite. Não poderia inventar isso. O jantar está a ser organizado por Pepe Fanjul (empresário cubano) para 30 amigos”.
O Príncipe Alberto do Mónaco, também é citado nos ficheiros mais de uma vez. Num email de 2014 enviado por alguém que teve o nome protegido pelo Departamento de Justiça norte-americano, há a sugestão de Epstein criar uma agência de modelos no Mónaco, com o apoio do príncipe. “A ideia é constituir uma equipa com Bernard Hennet, o antigo dono da Elite, e comprar duas agências de modelos que já existem”, lê-se no email, que segue com os planos, sugerindo a abertura de agências em Paris e Nova Iorque. “É muito importante para Bernard formar uma parceria com o parceiro certo, com um nome extremamente limpo. Portanto, o seu nome nunca deve aparecer no empreendimento, apenas o meu. Ele sugeriu Dubai, Hong Kong ou Mónaco para a sede da empresa. (Por que não Londres, já que moro aqui?) Se for o Mónaco, podemos contar com o alto patrocínio do meu amigo, o Príncipe Alberto do Mónaco.” O email termina com uma nota: “(A licença para uma agência de modelos começa aos 16 anos, sei que vai adorar isso!)” Os ficheiros também incluem um inquérito francês a um homem chamado Jean-Luc Brunel, agente de modelos e também muito próximo de Epstein, que em 2019 foi acusado de violação. Num dos relatos, uma mulher descreve ter ido ao apartamento de Brunel, bebido um cocktail, e desmaiado. “Ela recorda-se que um homem que dizia ser o Príncipe Alberto do Mónaco ligou a Jean-Luc Brunel enquanto ela ainda estava no apartamento”, diz uma parte do inquérito.
O príncipe Laurent, irmão do Rei dos Belgas, tem o seu contacto enviado por Epstein a uma assistente em outubro de 2012, apesar de não ficar claro se o príncipe foi de facto contactado. Os nomes da Rainha Silvia da Suécia e da sua filha, a princesa Madeleine, também aparecem em duas trocas de email sobre a Gala da The World Childhood Foundation, que foi organizada em setembro de 2015.
Já Marie Chantal e Pavlos, da Grécia, são citados num email pela relações públicas Peggy Siegal, em fevereiro de 2016. “Mudam-se de volta para Nova Iorque, para o outro lado da rua da sua casa”, escreve entusiasmada. Em 2014 uma agenda telefónica de Epstein foi divulgada, na qual constavam os contactos do casal de príncipes. Marie Chantal, em sua defesa, disse, através de um comunicado, que “nunca conheceu Epstein”. “Aquela era a agenda telefónica de Ghislaine Maxwell, não de Epstein. Ela recolhia informações e números de telefone obsessivamente. É como construiu conexões. E é isso”.
O príncipe Pierre de Arenberg, de uma linhagem aristocrática oriunda de um pequeno território no Sacro Império Romano-Germânico, também teve o seu nome incluído no little black book com contactos telefónicos de Epstein. A relação com Maxwell e Epstein vem pelo menos desde o início dos anos 2000. No meio dos ficheiros, há convites dos príncipes de Arenberg direcionados a Ghislaine Maxwell para uma visita de três dias à sua residência privada, o Castelo de Menetou-Salon, na França, e um encontro durante uma visita do casal em Nova Iorque. Já em 2016, Jeffrey Epstein é convidado para um fim de semana em Palermo organizado para celebrar uma das filhas dos príncipes, a princesa Lydia, e para o aniversário de 21 anos da filha mais velha, Alienore.
O nome da princesa da Tailândia, Mom Luang, sobrinha da Rainha-mãe Sirikit, também é mencionado em algumas trocas de emails. Numa mensagem enviada em 2011 por Daniel Siad, pessoa próxima de Epstein e que em outros documentos é apontado como um dos “recrutadores” de jovens mulheres para o milionário, o homem diz estar com a princesa, e que ia enviar um vídeo de um milhão de crianças em meditação. “Foi bom falar consigo esta manhã e espero vê-lo em breve em pessoa, em Banguecoque ou Nova Iorque”, diz, supostamente, a princesa. Noutro email, um assistente parece questionar Epstein sobre uma doação de 15 mil dólares a uma instituição educativa em nome da princesa. Siad e Epstein ainda trocam outros emails no final de 2012, quando organizam uma viagem do milionário à Tailândia, na qual o amigo do condenado sexual afirma que vai ficar “feliz de cuidar de si juntamente com a princesa Mom”.
Segunda vítima acusa André
Os nomes de membros de realezas citados nos ficheiros refletem a magnitude das relações de Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell, que viviam em círculos de pessoas ricas e poderosas. Mas de todos os príncipes, princesas e aristocratas, ninguém é mais citado nos documentos do que André Mountbatten-Windsor. A relação entre ambos já vem sendo escrutinada na imprensa desde pelo menos 2011, quando foi divulgada a primeira fotografia do então príncipe ao lado de Virginia Giuffre, a mulher que o acusou de abuso sexual. Em 2019, em entrevista à BBC, o irmão de Carlos III decidiu defender-se, ao justificar que havia cortado relações com o milionário em 2010. Tudo para, anos mais tarde, ser desmentido pelos ficheiros que vem sendo divulgados — que incluem trocas de emails de fevereiro de 2011.

Na leva mais recente de documentos, foram reveladas novas fotografias de André ajoelhado sobre uma mulher, o encontro do ex-príncipe com uma jovem russa de 26 anos organizado por Epstein e um convite enviado em setembro de 2010 pelo então duque para um jantar no Palácio de Buckingham “com muita privacidade”. Mas há também as trocas de emails em 2002 entre André, que aqui assinava como “A” e usava o nome “O homem invisível”, e Ghislaine Maxwell, que sugerem uma relação ainda mais próxima. No dia da morte da Rainha-mãe, a 30 de março de 2002, Maxwell escreveu a André chamando-o “sweet pea”, algo como “meu doce”. “Sinto muito que tenhas que voltar a correr para casa, ainda por cima em circunstâncias tão tristes. Por mais que a morte fosse esperada de alguém tão idosa, isso não o torna menos triste. Ela era maravilhosa, e estou feliz por ter conseguido conhecê-la e conversar com ela. Vamos remarcar”.
Quando em agosto de 2002 o “homem invisível” diz que não vai à ilha, para passar “tempo de qualidade” com as filhas, Maxwell responde que “cinco outras lindas ruivas terão que brincar sozinhas”. André então responde: “Amo-te e estou ansioso para te ver quando eu ou tu estivermos na mesma parte do mundo”.
Depois dos novos documentos serem revelados, uma nova alegada vítima de André veio a público. A mulher diz ter sido enviada ao Reino Unido por Jeffrey Epstein para um encontro sexual com o antigo príncipe, avança a BBC, com base no relato do advogado. O encontro terá decorrido na residência do então duque de Iorque, o Royal Lodge, em 2010, quando a mulher estava na casa dos vinte anos. Depois do encontro, a alegada vítima terá feito um passeio pelo Palácio de Buckingham e tomado chá. Esta é a primeira acusação de agressão que terá ocorrido dentro de um edifício pertencente à realeza. A outra mulher que acusou André de abuso sexual foi Virginia Giuffre, que alegava ter tido três encontros com o então príncipe. Os dois entraram em acordo em 2022 — Giuffre suicidou-se em 2025.
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