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(A) :: Ex-embaixador britânico Peter Mandelson demite-se do Partido Trabalhista na sequência da divulgação de mais ficheiros Epstein que o envolvem

Ex-embaixador britânico Peter Mandelson demite-se do Partido Trabalhista na sequência da divulgação de mais ficheiros Epstein que o envolvem

Divulgação de e-mails entre Mandelson e Epstein revelam pagamentos e tentativas de influenciar a política. Ex-embaixador nos EUA diz que se desvinculou do Partido Trabalhista "para evitar embaraços".

Manuel Nobre Monteiro
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A divulgação de novos e-mails ligados ao caso Esptein revelou contactos entre o milionário acusado de crimes sexuais e figuras de topo. Entre os envolvidos está Peter Mandelson, antigo comissário europeu e ex-embaixador do Reino Unido em Washington, que anunciou a sua demissão do Partido Trabalhista, e a princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, que apresentou um pedido de desculpas público pelo contacto mantido com Jeffrey Epstein, noticiou o The Telegraph.

Os e-mails fazem parte de uma nova leva dos ficheiros de Epstein que foram divulgados esta sexta-feira pelo Departamento de Justiço norte-americano e que contam com mais de três milhões de documentos, incluindo 2.000 vídeos e 180.000 imagens. Entre os novos conteúdos encontram-se emails e fotografias inéditas que envolvem figuras como Elon Musk e Andrew Mountbatten-Windsor, o antigo príncipe André cujos títulos foram retirados após as acusações de violação. Há, também um registo do FBI das alegações das vítimas contra Donald Trump e comunicações que sugerem que Bill Gates teve um caso extra-matrimonial.

https://observador.pt/2026/01/31/tres-milhoes-departamento-de-justica-dos-eua-divulga-maior-leva-de-ficheiros-epstein-com-alegacoes-contra-trump-bill-gates-e-elon-musk/

Os ficheiros revelam que, em 2009, quando ocupava o cargo de secretário de Estado para os Negócios, Mandelson tentou influenciar a política do Governo britânico sobre impostos a bónus bancários, respondendo a pedidos de Epstein. “As minhas conversas refletiam a posição do setor bancário como um todo e não de um indivíduo isolado”, explicou, entretanto, Mandelson à BBC. Apesar da explicação, a pressão política sobre o antigo ministro intensificou-se, levando-o a renunciar à filiação no Partido Trabalhista “para evitar mais embaraços”.

https://twitter.com/PolitlcsGlobal/status/2018345607945957783

Além das tentativas de influência política, os documentos revelam transferências bancárias feitas destinadas ao marido de Mandelson: três pagamentos de 25 mil dólares (cerca de 21 mil euros) entre 2003 e 2004 e outro de 10 mil libras (cerca de 11.500 euros). O político afirma que não tem memória destas transações, mas fontes governamentais defendem que poderá vir a ser chamado a depor no Congresso norte-americano, onde os investigadores procuram esclarecer a rede de cúmplices de Epstein.

As imagens incluídas nos ficheiros agora divulgados mostram ainda Mandelson em circunstâncias pouco habituais, como em roupa interior ao lado de uma mulher, embora o antigo ministro tenha afirmado não se recordar da situação ou da localização das fotografias. “Não sei em que contexto estas imagens foram tiradas”, afirmou.

https://twitter.com/UnityNewsNet/status/1480117137427648513

Em setembro de 2025, Peter Mandelson já tinha sido afastado do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington na sequência da sua relação com Epstein, conhecida após a divulgação anterior de trocas de e-mails. “Os emails mostram que a profundidade e a extensão da relação de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein são substancialmente diferentes daquelas conhecidas no momento da sua nomeação”, afirmou, na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico quando tomou a decisão de dispensar Mandelson.

https://observador.pt/2025/09/11/embaixador-britanico-nos-eua-demitido-depois-de-conhecidos-emails-enviados-a-jeffrey-epstein/

Epstein foi condenado em 2008 por prostituição de uma menor na Flórida após um acordo com o Governo federal. Aguardava um novo julgamento por acusações federais de tráfico sexual com uma possível pena de até 45 anos de prisão quando se suicidou a 10 de agosto de 2019 numa prisão de Nova Iorque.

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