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Administração Trump deteve cerca de 3.800 menores migrantes em 2025, revela nova investigação

EUA continuam a deter milhares de crianças migrantes, incluindo bebés, apesar de ordens judiciais. Investigações revelam falta de condições em centros de detenção apesar de Washington negar acusações.

Manuel Nobre Monteiro
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Apesar das decisões judiciais que ordenam a libertação de menores, como o caso de Liam — o menino de cinco anos com gorro azul que foi detido pelos serviços de imigração em Minneapolis —, os dados mais recente indicam que as autoridades de imigração dos Estados Unidos estão a deter um número significativo de crianças no âmbito da política de deportações levado a cabo pela administração Trump. Uma análise do Marshall Project concluiu que, só em 2025, pelo menos 3.800 menores de 18 anos foram detidos, incluindo 20 bebés.

Paralelamente, uma investigação da ProPublica revelou que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla inglesa) enviou cerca de 600 crianças detidas no interior do país para centros federais, um número superior ao total registado durante os quatro anos da presidência de Joe Biden.

Embora o Governo federal não divulgue os dados detalhados relativos ao número de crianças sob custódia migratória, vários advogados e organizações de defesa dos direitos dos imigrantes ouvidas pelo New York Times afirmaram que os números conhecidos subestimam a dimensão real deste fenómeno, uma vez que muitos casos de separação familiar não são integralmente registados. Estes incluem, por exemplo, situações em que os pais são deportados e os filhos ficam nos Estados Unidos sob custódia do Estado.

O centro de detenção familiar de Dilley, no Texas, tornou-se um dos principais destinos destes imigrantes. Reaberto pela administração Trump após ter sido encerrado durante o mandato de Biden, o complexo tem capacidade para abrigar milhares de pessoas. Contudo, segundo testemunhos recolhidos pela imprensa norte-americana, os detidos enfrentam problemas no acesso a cuidados médicos, longas filas para bens essenciais e condições de vida consideradas inadequadas para crianças.

https://observador.pt/2026/01/22/ice-detem-crianca-de-cinco-anos-a-porta-de-casa-e-o-quarto-caso-de-criancas-detidas-no-minnesota-este-mes/

O Departamento de Segurança Interna norte-americano rejeita, porém, estas críticas. Em resposta escrita, citada pelo New York Times, afirma que “todos os detidos recebem três refeições por dia, água potável, roupa, roupa de cama, banho, sabão e artigos de higiene pessoal”. As autoridades asseguram, ainda, que não separam famílias e que os pais podem sempre ser deportados com os filhos ou indicar uma pessoa para os acolher.

Nos últimos anos, a detenção de crianças esteve sobretudo ligada às passagens na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Com a redução destas entradas, a estratégia da Casa Branca passa, agora, a privilegiar operações no interior do país, como detenções durante as apresentações obrigatórias nos serviços do ICE.

O impacto destas detenções é “realmente muito prejudicial e catastrófico devido à sua natureza repentina, rápida e violenta”, afirmou Zain Lakhani, diretor de direitos e justiça para migrantes na Comissão de Refugiadas, acrescentando que as autoridades afetam “uma população que simplesmente não está preparada” para estas detenções.

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