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(A) :: Conduzir, andar, cozinhar, viver em zona de cheias ou reconstruir nas áreas afetadas. Conselhos e alertas para uma semana "muito complexa"

Conduzir, andar, cozinhar, viver em zona de cheias ou reconstruir nas áreas afetadas. Conselhos e alertas para uma semana "muito complexa"

Os planos de evacuação em caso de cheias e inundações estão estudados, pelo Governo e autarquias. Há conselhos também sobre andar de carro, estacionar, beber água, lavar alimentos ou usar geradores.

Cátia Rocha
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Filomena Martins
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Agência Lusa
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Depois da intensa tempestade Kristin, vem aí mais uma semana de chuva intensa, a começar este domingo, que se intensificará durante a madrugada de segunda, e terá novamente episódios muito ativos a meio da semana e no próximo fim de semana. Haverá “precipitação todos os dias, praticamente em todo o território, sobretudo nas zonas norte e centro, onde já tem chovido muito”, diz o Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA).

Mas o IPMA rejeita que venha aí um fenómeno semelhante à depressão Kristin, que causou destruição em vários pontos do país, em particular na região Centro.

Ainda assim, as autoridades lançam alertas e pedem cuidados à população. Tudo porque o continente está a passar por “uma sequência de tempestades sucessivas”, que deixou “os solos completamente saturados”, alertou José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). “Qualquer chuva se transforma em escoamento”, causando cheias e inundações, previstas para os próximos dias. Daí o desabafo. “Vamos ter uma semana muito difícil.”

Além da chuva, haverá outra vez vento muito forte (todos os distritos do litoral estão sob aviso laranja, prevendo-se rajadas superiores a 100 km/h), mar muito agitado, com a costa também sob alerta laranja (as ondas podem atingir os 13 a 15m) e neve nos distritos do centro e norte (há avisos amarelos e laranja para segunda e terça-feira).

O Governo decidiu prolongar a situação de calamidade até 8 de fevereiro, alargando-o a mais 9 concelhos além dos 59 já abrangidos, devido ao tal risco extremo de cheias e inundações (Águeda, Albergaria-a-Velha, Alcácer do Sal, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Murtosa, Ovar e Sever do Vouga). E a Proteção Civil ativou o Plano Nacional de Emergência que garante mecanismos de coordenação reforçados, integrados e de âmbito nacional, bem como o estabelecimento de um fluxo de informação ininterrupto entre todas as áreas governativas e as entidades envolvidas.

Mas a recuperação vai ser lenta devido ao mau tempo e a essa grande probabilidade de cheias, que levaram o próprio Luís Montenegro a dizer que estão a ser equacionados planos de evacuações, estimando que tenham de estar no terreno 34 mil operacionais. A série de apoios, num total de 2.500 milhões de euros, aprovados em Conselho de Ministros, para empresas e famílias que esta segunda-feira começa a ser aplicado, pode assim demorar.

https://twitter.com/manueloureiro2/status/2017932660564283672

Resta, para já, cumprir os conselhos e seguir os alertas e avisos das autoridades. O Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil voltou a sublinhar que a “capacidade de absorção dos solos já foi atingida” e que a questão “não está em se vamos ter um problema”, mas “quando vamos ter o problema e qual a sua dimensão”. Estamos, disse Mário Silvestre, perante uma situação “potencial de danos muito, muito significativos”, já que não se trata de uma “situação passageira”, mas “muito complexa até ao final da semana”.

O que há então a saber e o que fazer?

Como é que afinal vai estar o tempo? Segunda, quarta e domingo piora (nos outros dias é mau)

Portugal continental vai passar por mais um período de chuva intensa. A precipitação começou ao final da tarde deste domingo e os seus efeitos vão ser sentidos sobretudo na madrugada de segunda-feira e nas zonas norte e centro.

A chuva forte deverá ser acompanhada por granizo e trovoada. As zonas zonas afetadas pela depressão Kristin também vão ser muito atingidas.

O IPMA já colocou sob aviso amarelo para precipitação forte seis distritos entre as 21h00 de domingo e as 6h00 da manhã de segunda-feira: Leiria, Coimbra, Lisboa, Santarém, Castelo Branco e Guarda. Há ainda mais outros sete distritos — Viseu, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança —, onde o mesmo aviso começou mais cedo, às 15h00 deste domingo.

A chuva irá manter-se durante os dias seguintes, ainda que menos intensa. Voltará a haver um episódio intenso de chuva na terça e quarta-feira, a meio da semana. E novamente no fim de semana de 7 e 8, apanhando o domingo de segunda volta das eleições presidenciais.

Com os solos saturados, as barragens e os rios nas cotas máximas e, em várias zonas do país, os terrenos sem vegetação devido aos incêndios do verão passado, as autoridades alertam para a possibilidade de, além de cheias, haver deslizamentos de terras. E, claro, para o facto de a chuva atrasar o problema da limpeza e início de reconstrução das zonas atingidas.

O padrão atmosférico não apresenta, aliás, sinais de mudança até meio do mês. O anticiclone dos Açores está fraco e longe de fazer o seu papel de moderador do clima da Europa do Sul. E o jato polar está em latitudes muito baixas, permitindo um fluxo de oeste por onde todas as depressões e frentes frias entram sucessivamente na Península Ibérica, juntamente, mais abaixo, com rios atmosféricos vindos das Caraíbas, carregados de vapor de água, que agravam a intensidade da chuva.

Cheias inevitáveis, mas com truque: causar “pequenas cheias” para evitar uma “descontrolada”

As semanas seguidas de chuva deixaram as bacias hidrográficas e as barragens cheias. A APA tem acompanhado e gerido o caudal dos rios, falando no fim da semana em “situações controladas” em vários pontos do país.

Mas, em conferência de imprensa na sexta-feira, José Pimenta Machado, presidente da APA, avançou que as autoridades iriam aproveitar uma janela de oportunidade de dois dias, com menos chuva, para se preparem para a tal “semana muito difícil”.

Como? Ao “provocar pequenas cheias” para evitar uma “cheia descontrolada”, sempre em articulação com todas as entidades, incluindo os municípios. Falou numa preparação das “albufeiras para acomodar a cheia que acontecerá”.

https://observador.pt/2026/01/30/agencia-do-ambiente-vai-provocar-pequenas-cheias-para-evitar-uma-cheia-descontrolada-com-chuva-prevista-para-a-proxima-semana/

Só que com a quantidade de precipitação esperada para esta semana, será impossível manter o equilíbrio. O Alqueva teve mesmo de fazer novas descargas este domingo à tarde. E muitas barragens espanholas, também no máximo e também afetadas pela passagem da Kristin, estão a fazer descargas nos rios que atravessam a Península Ibérica.

[Dezenas de portuguesas, recrutadas numa escola de yoga e tantra em Lisboa, acabaram em sites de sexo na internet. Elas, e mulheres de vários outros países, tinham em comum serem seguidoras de uma seita controlada por um guru manipulador. Ouça o segundo episódio de “Os segredos da seita do yoga”, o novo Podcast Plus do Observador. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir aqui o primeiro episódio.]

Para quem conduz, anda a pé ou simplesmente fica em casa: há recomendações para todos

Mário Silvestre, comandante da Proteção Civil, disse em conferência de imprensa, que o “comportamento do cidadão assume um papel preponderante” esta semana.

Mas o alerta foi não só para as populações nas zonas ribeirinhas e nas proximidades de grandes bacias hidrográficas. A Proteção Civil avisou também para a possibilidade de “inundações rápidas em zonas urbanas”.

Em comunicado, sublinha-se a possibilidade de “inundações urbanas nas zonas onde a precipitação será mais intensa”, a 1 e 2 de fevereiro. Estas Podem ocorrer sobretudo nas bacias hidrográficas do rio Minho, sub-bacia do Coura; do rio Cávado; rio Ave; rio Sousa; rio Mondego; rio Vouga; rio Águeda, rio Lima, sub-bacia do Vez; rio Douro, rio Tâmega; rio Zêzere; rio Tejo; rio Nabão; Sorraia; e Sado. A informação hidrológica pode ser consultada no site da APA.

Há também risco de deslizamentos e derrocadas, devido à infiltração da água, fenómeno que pode ser potenciado pelos incêndios rurais.

Daí os alertas para quem anda ou conduz:

  • Piso escorregadio nas estradas devido à possível formação de lençóis de água ou acumulação de gelo e/ou neve;
  • Possíveis acidentes junto à costa, devido à forte agitação marítima;
  • Arrastamento para as estradas de objetos soltos ou que se desprendam de estruturas, devido a episódios de vento forte, que podem causar acidentes quer com veículos quer com pessoas;
  • E desconforto térmico na população devido ao aumento da intensidade do vento.

https://twitter.com/PSP_Portugal/status/2017991337375895664

Como medidas preventivas, a Proteção Civil  e a PSP recomendam:

  • Desobstrução dos sistemas de escoamento das águas e retirada de objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos;
  • Garantir a fixação de estruturas soltas, como andaimes, placards e outras;
  • Cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, devido à possibilidade de queda de ramos e árvores, por causa do vento mais forte;
  • Evitar o estacionamento de veículos em áreas arborizadas;
  • Fechar e reforçar estores e janelas, em especial os que estão virados na direção do vento;
  • Recolher estruturas exteriores para evitar que sejam arrastados;
  • Fixar objetos no exterior e de varandas e parapeitos, como vasos, mobiliário de jardim ou outros;
  • Cuidado na circulação junto à costa de zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando a circulação e permanência nestes locais;
  • Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos da orla marítima;
  • Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tomando especial atenção à eventual acumulação de neve e/ou formação de lençóis de água nas vias rodoviárias;
  • Evitar a circulação em vias afetadas pela acumulação de neve e quando isso não for possível, adotar as seguintes medidas:
    • Verificação do estado dos pneus e respetivas pressões;
    • Transporte e colocação das correntes de neve nos veículos;
    • Assegurar o abastecimento de combustível em níveis que permitam percorrer trajetos alternativos ou a permanência do veículo em funcionamento por longos períodos de tempo, em caso de retenção nas vias afetadas;
    • Nos veículos elétricos, deve ser verificada a carga da bateria e analisada a existência de postos de carregamento no seu itinerário;
    • Garantir que os sistemas de aquecimento dos veículos se encontram em bom estado de funcionamento;
    • Levar alimentos adequados em quantidade e características, assim como medicamentos, de acordo com o número e o tipo de pessoas que seguem no carro.
  • Nas vias afetadas pela acumulação de neve, evitar viagens com crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais;
  • Evitar circular naquelas vias com veículos pesados, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tração traseira;
  • Restringir ao máximo possível os movimentos de veículos e de pessoas apeadas, nas zonas potencialmente afetadas pela queda de neve;
  • Evitar qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações;
  • Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
  • Retirar das zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e/ou outros bens para locais seguros;

https://twitter.com/ProteccaoCivil/status/2018042994872529403

E, obviamente, em todos os casos, estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.

Perante mais um episódio de precipitação, a Proteção Civil pede também à população que “não atravesse estradas submersas” e que se “evite parques de estacionamento em zonas de leito de cheias”, notando que “há pessoas que retiram grades e estacionam nesses locais”.

É ainda pedido “que se retirem todos os bens, nomeadamente do Mondego e Tejo, e todos os animais” de zonas de risco. “É necessário tomar todas as medidas preventivas relativamente a zonas potencialmente inundáveis.”

Este domingo, Mário Silvestre recomendou ainda a colocação de sacos de areia junto a zonas onde a água pode entrar e o tamponamento de zonas de água, como caixas de água, falando de uma situação “potencial de danos muito, muito significativos”, já que não se trata de uma “situação passageira”, mas “muito complexa até ao final da semana”. O Comandante Nacional de Emergência e Proteção Civil voltou a sublinhar que a “capacidade de absorção dos solos já foi atingida” e a questão “não está em se vamos ter um problema, mas quando vamos ter o problema e qual a sua dimensão”.

Ir ou não à escola? Só Marinha Grande, Leiria e Pedrógão ainda sem condições

Tanto o município da Marinha Grande como o município de Leiria, dois pontos significativamente atingidos pela tempestade Kristin, vão manter as escolas encerradas até terça-feira. “Após reunião com os diretores dos agrupamentos e os presidentes das juntas de freguesia, todas as escolas do concelho mantêm-se encerradas nas próximas segunda e terças-feiras”, disse o Município de Leiria. “Continuamos a trabalhar em estreita articulação com as escolas, juntas de freguesia, a E-Redes, os SMAS e os restantes serviços municipais para resolver os constrangimentos causados pela depressão Kristin e permitir a reabertura das escolas o mais rapidamente possível.”

Na sexta-feira, quando Marcelo Rebelo de Sousa visitou Leiria, o autarca explicou ao Presidente que, “nas escolas que estão inoperacionais, é mais difícil ter o regresso às escolas”.

Já a Marinha Grande referiu que as escolas continuarão encerradas até 3 de fevereiro por questões “de segurança e necessidade de realização de trabalhos de limpeza e verificação das condições de funcionamento”. “A reabertura das escolas será faseada e progressiva, dependendo da evolução dos trabalhos em curso, nomeadamente ao nível da limpeza, manutenção e reposição das condições essenciais”, explicou a autarquia. Além disso, a retoma da atividade letiva “está condicionada à reposição” dos serviços de água, eletricidade e comunicações.

Em Pedrógão Grande, as escolas também se mantêm encerradas, por inexistência de condições de segurança.

Sobre a reabertura das escolas, Luís Montenegro disse que o ministério da Educação está em contacto com as autarquias para abrir, se não a totalidade, a maior parte das escolas esta segunda-feira. Dentro dos 200 milhões transferidos para as CCDR decidido em Conselho de Ministros este domingo, a ideia é que as escolas tenham prioridade na intervenção.

A Câmara Municipal de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, já anunciou que as atividades letivas vão ser retomadas na segunda-feira em todo o concelho. “Pedimos a todos que mantenham a prudência nas deslocações e que consultem regularmente os canais oficiais do Agrupamento [Proença-a-Nova] para qualquer atualização de última hora, a qualquer momento”, refere o município de Proença-a-Nova, nas suas redes sociais.

A autarquia justifica a decisão como facto de estar ultrapassado o período mais crítico da depressão Kristin pelo concelho. Os transportes e as refeições escolares vão estar a funcionar sem quaisquer restrições.

O mesmo vai acontecer no município de Condeixa-a-Nova, no distrito de Coimbra, onde o regresso às aulas vai ser retomado nesta segunda-feira, em todo o concelho. Numa nota publicada também nas suas redes sociais, a Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova explica que as atividades do Jardim de Infância de Sebal, contudo, vão funcionar, temporariamente, no edifícios da junta de freguesia, devido aos danos sofridos na cobertura do edifício.

“Amanhã [segunda-feira] as aulas vão ser retomadas com normalidade em todos os estabelecimentos e níveis de ensino do concelho, desde os jardins de infância até à Escola Secundária Fernando Namora”.

Problema com a água e os alimentos nas zonas atingidas: os avisos da DGS

A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu um conjunto de recomendações para as regiões atingidas pelos efeitos da tempestade Kristin, que interrompeu o fornecimento de eletricidade e, consequentemente, de água.

https://twitter.com/VOSTPT/status/2017902774248186107

A DGS alertou para a necessidade de ter “cuidados essenciais com a água”. É recomendado que:

  • As fontes de água não ligadas à rede pública de abastecimento, como poços e minas, “devem ser consideradas potencialmente contaminadas, pelo que o seu consumo deve ser evitado”;
  • Não beber, lavar alimentos ou lavar os dentes com água da torneira que não esteja ligada à rede pública de abastecimento, a menos que haja confirmação por parte das autoridades;
  • Seja usada água engarrafada, se disponível. Se não houver, “ferver a água durante 10 minutos antes de usar OU desinfetar com lixívia sem corantes, detergentes ou perfumes (cerca de 2 gotas por litro de água)”;
  • Haja uma lavagem cuidada das mãos antes de manusear água tratada ou alimentos.

Já em relação ao saneamento, a DGS recomenda que:

  • Se possível, continue a usar a sanita, mas evite deitar água usada se a rede estiver inoperacional;
  • Não despeje águas residuais — como águas de lavar — em solos ou ribeiros;
  • Que se mantenha o lixo doméstico e resíduos sanitários afastados de fontes de água.

Em relação aos alimentos, a DGS alerta para cuidados nos locais em que não há energia e, consequentemente, o frigorífico e congelador não preservam os alimentos. Segundo a DGS, se a falha de energia não ultrapassar as 12 horas, os alimentos poderão ter mantido as condições de segurança para consumo.

Já no congelador, os alimentos podem manter-se congelados até 48 horas — ou 24 horas se estiver meio cheio —, desde que a porta se mantenha fechada. Quando a energia voltar, se houver cristais de gelo nos alimentos congelados ou estejam ainda frios, poderão ser “na maioria dos casos, cozinhados ou recongelados”.

Tentar não sair de casa com mau tempo. Se sair, vá a pé e não de carro (e cuidado com as burlas)

Nas zonas mais afetadas, as autoridades estão a avisar para o perigo de burlas e furtos numa altura em que ainda há muita destruição, casas, lojas e infraestruturas sem portas e janelas, pessoas sem comunicações (e sem água ou luz) e muito vulneráveis. Há também indicação para se evitarem saídas de casa, e para, se tiverem de ser feitas, nunca de carro, mas sim a pé.

O major João Gaspar, da Divisão de Comunicação e Relações Públicas da GNR, diz estarem a ser tomadas precauções. “Estamos a aumentar a visibilidade nas zonas vulneráveis, por causa de eventuais furtos e burlas que possam surgir. Podem aparecer falsos funcionários, que se podem fazer passar por técnicos de água ou eletricidade, e apelamos às pessoas para tentarem sempre confirmar a identidade dessas pessoas”, afirma, apelando a que qualquer “movimentação suspeita” seja comunicada às autoridades.

A GNR tem realizado ações de “desobstrução de vias, de busca, resgate e salvamento”, enquanto a PSP tem respondido a diversos pedidos de socorro, e ajudado com o contacto das populações com familiares, inundações e árvores caídas.

O superintendente Domingos Antunes, da PSP Leiria, apela também às populações “para que se mantenham em casa” e para só que saiam de casa apenas “por motivos críticos”, de preferência a pé. “Não devem sair com veículos, e, se o fizerem, só para o que for estritamente necessário. Existem objetivos frágeis, que podem cair, e circular na via publica aumenta o risco”.

O município de Proença-a-Nova alertou também para a presença de burlões no concelho que se fazem passar por prestadores de serviços de reparação ou fornecimento de materiais. Numa nota publicada nas suas redes sociais, a Câmara de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, alerta para a necessidade de máxima atenção na contratação de qualquer serviço.

Segundo a autarquia, estas situações ocorrem, sobretudo, em habitações desabitadas e têm resultado em furtos e aconselha a população a contactar imediatamente as autoridades perante qualquer situação suspeita.

Fugir ao risco dos geradores: sempre fora de casa e a seis metros de qualquer entrada de ar

Três episódios de intoxicação por monóxido de carbono, associados ao uso de geradores no interior de casa, levaram a GNR a reforçar o alerta à população. Na madrugada de domingo, um idoso morreu no concelho de Leiria. Já na noite de sábado, em Alcobaça, nove pessoas ficaram intoxicadas, cinco das quais em estado grave, numa situação igualmente relacionadas com a inalação de gases libertados por geradores. E este domingo, quinze pessoas deram entrada no Hospital de Santo André, em Leiria, também por intoxicação com monóxido de carbono com a mesma origem.

https://twitter.com/VOSTPT/status/2017963783881212226

Segundo Francisco Rodrigues, tenente da GNR de Leiria, a colocação de um gerador numa garagem com ventilação insuficiente impede a correta dissipação dos gases libertados pelo equipamento, aumentando o risco de intoxicação.

https://twitter.com/ProteccaoCivil/status/2017949807877259682

Por isso, e em declarações à Rádio Observador, o responsável sublinha a importância de assegurar sempre condições adequadas de ventilação na utilização destes aparelhos, de forma a evitar a acumulação de gases tóxicos.

As autoridades reforçam assim que os geradores devem funcionar exclusivamente no exterior, nunca dentro de casa, em garagens ou anexos, mesmo que as janelas estejam abertas.

Além disso, deve ser respeitada uma distância de segurança: o escape do gerador deve estar a pelo menos seis metros de qualquer entrada de ar da habitação, garantindo também que o fumo não está a ser encaminhado para o interior.

O Comando Territorial de Leiria recorda ainda que, no caso de lareiras e braseiros, a ventilação é igualmente essencial, apelando a que seja mantida sempre uma pequena abertura numa janela.

Os sinais de intoxicação são “dores de cabeça, tonturas, náuseas, confusão ou sonolência súbita” e, se tal suceder, o apelo aos cidadãos é para que saiam imediatamente para o ar livre e liguem para o 112.

Apesar de “ainda não” existir qualquer mecanismo de fiscalização específico, o Tenente Francisco Rodrigues apela à sensibilização da população para este risco.

Não corra a ir já fazer todas as reparações: o perigo dos telhados

Depois de duas mortes no sábado de pessoas que caíram dos telhados que estavam a reparar, e dos hospitais das zonas mais atingidas terem recebidos acima de 500 feridos com traumas devido a situações relacionadas com acidentes em trabalhos de limpeza e reconstrução após a tempestade Kristin, a Proteção Civil deixou também vários conselhos.

https://twitter.com/ProteccaoCivil/status/2017990172588040304

O principal passa por evitar arranjos em altura em condições climatéricas adversas, ou seja, com muita chuva e vento. Mas também recorrer, sempre que possível, a profissionais qualificados e usar sempre equipamento de proteção adequado.

Pombal pediu para as pessoas em zonas de risco irem dormir fora, Lisboa para não saírem à noite. E em caso de inundação?

A  Câmara Municipal de Pombal foi a primeira a pedir a “todas as pessoas que residam em zona de inundação”, para, “se possível, procurar outro local para pernoitar”. E fez um alerta especial para a população em situação de vulnerabilidade, como idosos, acamados e pessoas com mobilidade condicionada” que more nessas áreas, para as quais a Câmara apelou aos familiares que “os acolha, nas suas casas” já que “devem ser retiradas” por prevenção.

O conselho foi ainda para que, nestes casos, todas as pessoas levarem identificação e a medicação. No caso da saída de casa não ser possível, a indicação é para “proteger as habitações e manterem-se vigilantes”. O pedido foi feito através de uma declaração da vice-presidente, Isabel Marto, transmitida nas redes sociais.

A Câmara informou ainda que os técnicos de Ação Social do Município e a GNR “estão a fazer o levantamento destas situações” e que, nos casos em que não haja retaguarda familiar de apoio, “as pessoas em situação de vulnerabilidade social serão acolhidas na ETAP (Escola Tecnológica e Artística de Pombal)”. A Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) e o Centro de Apoio Logístico, até agora a funcionar na zona desportiva da cidade, passaram, a partir das 19h00 deste domingo, a funcionar na Escola Secundária Marquês de Pombal.

O município aconselhou também a população a “retirar os veículos das garagens, sobretudo os que se encontram em zonas de cheias”, nas quais devem também “evitar estacionar”. Em Pombal, será possível estacionar no Parque da Expocentro ou no Aquaparque.

Mas há também alertas para outras regiões que não estão em zonas de cheias. “Apela-se a toda a população, mesmo a que resida fora das zonas de risco de inundação, para que se proteja, proteja os seus bens e esteja alerta”, concluiu Isabel Marto.

Pompal prepara-se para prevenir impactos comparáveis às cheias de 2006. Em 2006, o mau tempo provocou a morte de uma pessoa, 873 inundações, 407 quedas de árvores, 68 desabamentos e deslizamentos de terras, além de estradas cortadas e desalojamentos, um pouco por todo o país,. Vários concelhos do distrito de Leiria registaram inundações, tendo a cidade de Pombal sido a mais fustigada.

Mas as evacuações foram planeadas ao mais alto nível. Luís Montenegro falou nessa possibilidade na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros. E depois a Proteção Civil fez o mesmo, esclarecendo que equipas dos bombeiros e da Marinha, com botes, estavam de prevenção em várias zonas do país e outras equipas em estado de prontidão para partirem assim que fossem chamadas.

Em Coimbra, onde o Mondego pode galgar as margens em várias áreas, todas as zonas que podem ser afetadas já receberam indicações sobre o que fazer. “Temos de nos preparar para o pior com toda a tranquilidade”, começou por realçar a ex-ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa sugerindo que as pusessem “os animais em proteção” e protegessem “as suas alfaias agrícolas” e a “si próprias.”

“A proteção passa também pelo nosso comportamento, um comportamento de respeito para quem está a trabalhar, um comportamento de respeito para quem está a salvar pessoas e bens. Depois da tempestade podem vir tirar as fotografias”, acrescentou, referindo-se a selfies e fotografias e vídeos para as redes sociais, voltando a realçar: “Agora é hora de salvar os bens, de salvar as pessoas e deixar quem sabe o que está a fazer no terreno trabalhar. No fim faremos as contas e o balanço do que correu menos bem mas vamos trabalhar com tranquilidade e deixar as autoridades fazer o seu trabalho”.

Ana Abrunhosa afirmou ainda que as estradas vão ser cortadas e vigiadas pela GNR. “Pedimos às pessoas que vão passear para outros sítios”. Pediu também para as pessoas retirarem bens e carros das garagens ou arrecadações que, habitualmente, em caso de cheias, ficam com os portões e portas abaixo de nível da água.

Já estão delimitadas sete áreas no concelho para onde as pessoas se deverão dirigir. Todos os agentes de proteção civil têm conhecimento dessa informação.

Carlos Moedas também pediu aos lisboetas para não arriscarem e ficarem em casa. Num vídeo nas redes sociais, o presidente da Câmara de Lisboa apelou a cada lisboeta que “fique em casa e se proteja”, com uma garantia: “As equipas da Câmara de Lisboa além do apoio dado em Leiria, estão preparadas e no terreno” para garantir a segurança.

“Nós vamos ter esta noite uma noite difícil. Os nossos presidentes da Junta de Freguesia, a nossa Proteção Civil, os nossos bombeiros têm estado a trabalhar o dia todo para desentupir as sarjetas, para limpar, para fazer tudo aquilo que é necessário para estarmos protegidos durante a noite”, disse hoje Carlos Moedas em declarações aos jornalistas, na cidade Universitária.

Face às previsões meteorológicas, o autarca reforçou o apelo à cautela: “Eu pedia que tenham cuidado esta noite. A partir da meia-noite vamos estar em aviso laranja. Se puderem não sair de casa, se puderem estar em casa esta noite, resguardar-se, fixar tudo o que está fora de casa, nas varandas, nos terraços, ter esses cuidados. Eu acho que é muito importante estarmos preparados”.

https://twitter.com/CamaraLisboa/status/2018050379083092139

A Câmara Municipal do Seixal, no distrito de Setúbal, fez corte preventivo de algumas vias do concelho. Como medida preventiva foram encerradas, a partir das 22 horas, a avenida Carlos de Oliveira, entre a avenida 6 de Novembro de 1836 e a avenida General Humberto Delgado (Cavadas), na freguesia de Arrentela, a rua José Gregório de Almeida (entre a Avenida Siderurgia Nacional e a Rua Quinta da Galega) e a rua Quinta da Galega (prolongamento da Rua do Desembargador) entre a Rua Quinta da Campina e a Rua José Gregório de Almeida, na freguesia de Paio Pires.

“Os cortes manter-se-ão até que o Serviço Municipal de Proteção Civil confirme que estão reunidas as condições de segurança para a reposição da circulação”, diz a autarquia seixalense.

Trabalho a partir de casa? Sem indicações no público

Apesar do estado do tempo ir piorar, as piores horas acontecerão durante a madrugada, até às 6h00. Talvez por isso, nem o Governo nem as autarquias falaram em trabalho a partir de casa, sempre que fosse possível, para a Função Pública.

Para os privados, haverá várias empresas em que tal terá sido já determinado, mas nas zonas mais afetadas ou onde o trabalho à distância já é uma realidade.