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(A) :: A proximidade de Bardella a Trump ou de Le Pen a Putin? A "cacofonia" dentro da União Nacional que "tem de se resolver" até 2027

A proximidade de Bardella a Trump ou de Le Pen a Putin? A "cacofonia" dentro da União Nacional que "tem de se resolver" até 2027

Bardella é "atlanticista", Le Pen é "tradicionalista" e pró-Kremlin, mas ambos têm inimigos comuns: Macron e a UE. Política externa não era o foco, mas assume relevância para presidenciais.

Madalena Moreira
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Falta apenas uma semana para as eleições presidenciais norte-americanas de 2024. Do outro lado do Atlântico, em plena crise política em França, Jordan Bardella é questionado sobre de qual dos candidatos está mais próximo. O presidente da União Nacional (UN, Rassemblement National em francês) afirma que não lhe cabe a ele, cidadão francês, tomar partidos, mas deixa as suas lealdades bem claras. “Donald Trump defende os interesses dos americanos e defende o orgulho americano e eu amo esse patriotismo e amo estes dirigentes políticos que põem o interesse da sua nação antes de outros [interesses]”, elabora.

Quase um ano e meio depois, Donald Trump ganhou as eleições, tomou posse na Casa Branca e comemorou um ano de mandato. E, durante esse período, a admiração do líder da extrema-direita francesa pelo Presidente norte-americano esvaiu-se — pelo menos, publicamente. Nas últimas semanas, o distanciamento transformou-se em crítica, motivado pela insistência de Trump em anexar a Gronelândia, uma ameaça — entretanto deixada cair — que deixou o eurodeputado “extremamente preocupado”. Em Estrasburgo, deixou um apelo simples: a Europa não pode “submeter-se” a Washington.

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A mesma análise do expansionismo de Trump já tinha sido feita dias antes pela sua mentora e ex-presidente da UN, Marine Le Pen, por ocasião do ataque norte-americano contra a Venezuela. “A soberania dos Estados nunca é negociável (…), é inviolável e sagrada. Renunciar a este princípio hoje para a Venezuela ou para qualquer outro Estado, seria o mesmo que aceitar a nossa servidão amanhã”, escreveu nas redes sociais. Apesar de a mensagem ser semelhante, o tom de Le Pen é muito mais crítico: o Le Monde define mesmo a mensagem como “um ataque público sem precedentes” de Le Pen a Trump.

Contudo, esta crítica acesa tem uma fragilidade: a UN é casa de muitos políticos que se recusam a condenar esse mesmo expansionismo e militarismo quando ele é protagonizado pela Rússia de Vladimir Putin. E Marine Le Pen faz parte deste grupo — a líder reconhece até hoje a anexação da Crimeia por Moscovo, em 2014, como legítima. Bardella não integra esta fação. Pelo contrário, o presidente condenou a invasão da Ucrânia em 2022 e apoia a entrega de equipamento de defesa a Kiev.

"A política externa vai reemergir em 2027 para as eleições presidenciais. A UN vai precisar de clarificar as suas posições sobre a Ucrânia e outros assuntos internacionais e, mais importante, sobre a União Europeia [UE]."
Gilles Ivaldi, investigador da universidade Sciences Po de Paris

A distância entre as posições de Bardella e Le Pen no que toca à política externa representa uma divisão que existe no seio do partido: de um lado estão os atlanticistas, liderados por Bardella, do outro, os tradicionalistas, liderados por Le Pen. As diferentes visões coexistem, “sem criar fricção”, aponta Gilles Ivaldi ao Observador, uma vez que a atenção da UN e dos eleitores está na política nacional. Porém, esta realidade tem um prazo de validade. “A política externa vai reemergir em 2027 para as eleições presidenciais. A UN vai precisar de clarificar as suas posições sobre a Ucrânia e outros assuntos internacionais e, mais importante, sobre a União Europeia [UE]”, considera o investigador da universidade Sciences Po de Paris.

O “atlanticista” Bardella que garante não ser admirador de Trump

No final de fevereiro de 2025, Jordan Bardella viajou para Washington para participar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC na sigla em inglês), um evento organizado pela União Conservadora Americana (ACU), uma organização política norte-americana de matriz conservadora. Em palco discursaram apoiantes, aliados internacionais e membros da administração Trump — e Bardella estava no alinhamento.

Semanas antes, por altura da tomada de posse do Presidente, o líder da UN tinha elogiado o facto de os dois terem “preocupações comuns”, como “a luta contra a imigração ilegal” e “a defesa da identidade nacional”. Porém, chegado à conferência, Bardella acabou por não discursar, invocando o facto de “um dos oradores ter feito um gesto referente à ideologia nazi” — referia-se ao gesto que Steve Bannon, antigo conselheiro de Trump, fez durante o seu discurso e que muitos interpretaram como a saudação nazi. O momento terá feito Bardella perder a confiança no movimento MAGA, relatou o Le Monde.

Porém, os elogios aos novos inquilinos da Casa Branca não pararam. Logo em março, propôs a criação de um “Ministério da Eficiência Governamental”, inspirado no DOGE de Elon Musk. No final do ano, em entrevista na televisão francesa questionou animadamente “onde é que ele [Donald Trump] arranja aquela energia toda?“, num momento que se tornou viral e motivou mesmo uma piada por parte do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, no Parlamento. Ao mesmo tempo, membros da UN continuaram a marcar presença em eventos organizados pela ACU na Hungria: a edição europeia da CPAC, em maio, e um “Bootcamp para patriotas“, em dezembro. Os eventos não são novos, mas a presença da UN nos círculos da extrema-direita e da direita conservadora norte-americana é surpreendente, destaca a imprensa francesa.

A justificação para esta aproximação está no alinhamento ideológico do novo líder da UN. Se Marine Le Pen mantinha uma linha mais nacionalista e “gaulista”, a liderança de Bardella é marcada por um “gaulismo” mais atlântico, como definiu um alto membro do partido ao Politico. Porém, a proximidade a Trump — ou o mero elogio ao líder norte-americano — tornou-se um empecilho, particularmente nas últimas semanas. “Os movimentos recentes de Trump na política externa — na Venezuela, na Gronelândia — são vistos cada vez mais como um potencial problema para a atual estratégia do partido de ‘desdiabolização’: claramente não querem ser associados a Trump neste momento”, argumenta Gilles Ivaldi.

Os estudos de opinião confirmam que Trump não é popular, nem mesmo entre os eleitores da UN — apenas 7% olha para o Presidente como um “amigo” e 18% têm uma visão favorável, segundo uma sondagem realizada entre 13 e 16 de janeiro. Neste contexto, Bardella tornou o seu discurso mais agressivo — sem nunca chegar ao mesmo nível de Le Pen —, mas continua a ser confrontado com as suas ações e declarações do passado.

Na semana passada, numa entrevista ao programa Punchline, insistiu que os elogios foram apenas ao “patriotismo de Donald Trump”, um sentimento que partilha, mas em relação aos franceses. E imediatamente aproveitou o momento para criticar o facto de as “grandes potências se comportarem como impérios”. Alexandre Loubet, conselheiro de Bardella, garante, por sua vez, que a posição é coerente e não um passo atrás. “A União Nacional nunca apoiou Trump. Não temos um doutrina em comum: eles são conservadores liberais”, argumentou ao Le Monde.

Porém, um membro do partido que falou ao mesmo jornal sob anonimato critica o facto de “algumas pessoas terem achado que alinharem-se com Donald Trump era boa ideia”, quando um erro semelhante já tinha sido cometido no passado. “Há sempre algo bizarro com a UN: saímos de más escolhas a dizer a nós mesmos que nos enganámos, mas continuamos [no mesmo caminho]”, apontou.

Le Pen: o rosto da “forte inclinação pró-Rússia” da UN

Na quarta página de um panfleto da campanha presidencial de Marine Le Pen em 2022, na secção em que a candidata realça o seu “estatuto internacional”, está uma fotografia de 2017, em que a então líder da UN aperta a mão a Vladimir Putin. Os panfletos foram distribuídos na mesma altura em que a Europa inteira condenava a invasão russa da Ucrânia e refletiam a longa proximidade da UN com a Rússia, que chegou a fazer empréstimos ao partido.

Questionada à data, Le Pen condenou a invasão, mas contornou uma condenação veemente do regime de Putin. Um ano depois da invasão, Bardella pronunciava-se diretamente sobre o Presidente russo: “Houve uma ingenuidade coletiva em relação às ambições de Vladimir Putin”, admitiu ao jornal L’Opinion. Olivier Schmitt, investigador no Royal Danish Defence College, argumentou ao Politico que a mudança de tom foi tática, “uma vez que a maioria da população francesa apoia a Ucrânia”.

Contudo, tal como caso dos Estados Unidos, a opinião do Presidente não reflete a opinião de todos os membros do partido. O investigador Gilles Ivaldi argumenta que Bardella não foi bem-sucedido na tentativa de impor uma linha mais atlanticista no seio da UN e a prova disso está no facto de o partido “ainda ter uma forte inclinação pró-Rússia” — e a maior parte dessas vozes fazem parte do círculo de Marine Le Pen, o que explica que as suas declarações sobre a guerra fiquem aquém das de Bardella.

Uma das vozes mais proeminentes é de Thierry Mariani, eurodeputado e antigo ministro do governo de Nicolas Sarkozy, que já esteve sob investigação por corrupção e tráfico de influências que favoreceram a Rússia. No início de novembro, o membro da UN fez questão de enviar uma mensagem de vídeo “sobre a procura de paz” para uma conferência organizada pela Rússia em Sochi, “para mostrar que estamos do lado deles”, justificou ao Le Monde. A posição não é de agora: em 2016, visitou a Crimeia ocupada e, logo a seguir à invasão da Ucrânia em 2022, declarou que “ambas as partes” tinham responsabilidade pelo início da guerra. Apesar da longa lista de declarações pró-Rússia, um colega do Parlamento Europeu, argumentou, ainda assim, que a “russofilia” do eurodeputado foi “mantida em silêncio”.

Hoje, mais do que um apoio declarado à Rússia — uma posição profundamente impopular —, a posição oficial da UN é de que França tem de aprender a conviver com a Rússia, como faz com os Estados Unidos ou qualquer outro Estado, sem provocações. “A competição é o estado natural das nações: os russos competem connosco; mas alguns dos nossos aliados também competem connosco, como os britânicos ou os alemães, em questões industriais ou de energia”, argumentou Frank Giletti, que integra a comissão parlamentar de Defesa da Assembleia Nacional. “Os russos espiam-nos, sim, está certo, mas os americanos também. Estados rodeados de conflitos num mundo de guerra híbrida”, continuou ao Le Monde.

A “cacofonia” pacífica que vê em Macron e Bruxelas inimigos em comum

De um lado está Bardella e a sua entourage: mais jovens, mais próximos de políticos do mesmo espectro político, quer na Europa, quer nos Estados Unidos e com uma matriz de política externa “atlanticista”. Do outro lado está Marine Le Pen e os seus aliados de longa data, de matriz mais tradicionalista, profundamente nacionalistas e anti-americanos, mas, paradoxalmente, próximos da Rússia de Vladimir Putin.

Em privado, as duas posições terão gerado críticas entre alguns membros de lados diferentes da barricada. Os jornais Le Point e Politico dão conta de uma tensão entre Pierre-Romain Thionnet, eurodeputado e aliado de Bardella, e Philipe Olivier, um dos conselheiros mais próximos de Le Pen e seu cunhado. Olivier terá criticado as indicações de voto e as declarações do primeiro, acusando-o, em tom depreciativo, de ser um “atlanticista”. Em público, as visões críticas de Olivier são partilhadas por um dos pesos pesados da fação de Le Pen, Jean-Philipe Tanguy, e por Mariani.

Ao Le Monde, os dois políticos criticaram a presença nas conferências europeias e norte-americanas, onde a UN é o único partido presente que não é “um fanático de Trump”. A “mistura” com políticos norte-americanos ou europeus muito próximos de Trump é uma ação no mínimo inútil, mas que, no pior dos cenários, se pode “tornar tóxica“, elaboram. Se os tradicionalistas encontram o ponto de fraco dos atlanticistas na sua proximidade a Trump, um líder que “menospreza” França, o lado de Bardella atira diretamente contra a posição pró-Kremlin da outra fação.

Thionnet em particular — e apesar da “irritação” pessoal de Olivier — ataca diretamente Mariani, seu colega em Estrasburgo, tentando diminuir a relevância da sua visão no seio da UN. “Neste tema em específico, Thierry Mariani tem uma opinião pessoal que não representa o partido inteiro”, argumentou ao Politico. Ainda assim, é preciso notar que mesmo a fação que não se apresenta como pró-Kremlin não pode ser considerada como pró-Ucrânia. Afinal, ao contrário do atual Presidente, nenhum dos líderes da UN defende que o apoio a Kiev passe por capacidades ofensivas, mas meramente defensivas.

Porém, ainda que possa gerar uma “cacofonia”, como define o Le Monde, a diversidade de visões não divide o partido, argumenta Gilles Ivaldi. Para isso, contribuem vários fatores. Em primeiro lugar, destaca o investigador, o facto de o partido não se focar na política externa, mas em “problemas nacionais e locais”, sobre os quais a linha oficial é muito mais clara. Por outro lado, o facto de a liderança da UN ser, na prática, bicéfala. Jordan Bardella é o presidente do partido, mas Le Pen tem uma enorme preponderância — uma coexistência pacífica entre os líderes favorece uma coexistência pacífica entre as duas fações.

Por último, as duas linhas de política externa conseguem encontrar inimigos comuns: Emmanuel Macron e a UE. Ao discursar no Parlamento Europeu no passado dia 20, Bardella declarou que a atual ordem internacional e, particularmente, as ameaças de Trump à Europa “não são um acidente”, mas “o resultado de décadas de cegueira estratégica”. Um mês antes, na Assembleia Nacional, Le Pen acusava Macron de “ter encorajado as instituições europeias a interferirem na política de defesa”. A posição, que se estende aos dois extremos do partido, é criticada por oficiais de Defesa franceses que falaram ao Politico. “Vimos que o principal inimigo de Le Pen é a Europa, não a Rússia”.

A caminho das presidenciais, política externa “assume a dianteira”

Falta mais de um ano para Emmanuel Macron abandonar o Eliseu e os candidatos para ficar com o seu lugar ainda nem estão apresentados, mas as empresas de sondagens já colocam a questão: se as eleições presidenciais fossem hoje, em quem votaria? 35% dos eleitores franceses responderam Jordan Bardella, 33% Marine Le Pen, numa sondagem da OpinionWay, citada pelo Le Figaro. Ao Observador, Gilles Ivaldi ressalva que, ao contrário das eleições municipais daqui a alguns meses, focadas na política interna, a política externa “vai assumir a dianteira em 2027”.

Afinal, no sistema semi-presidencialista francês, a política externa é a área onde o Presidente goza de mais autonomia para executar a sua agenda — a ação de Emmanuel Macron nesta área tem sido particularmente visível e a sua resistência a Trump já lhe valeu uma pequena subida de popularidade, que se arrasta há quase um ano por mínimos históricos. Ora, esta área é precisamente um dos pontos mais ambíguos da UN, que lidera as sondagens.

Eric Sangar, professor na Sciences Po de Lille, nota, ao Public Senat, que o eleitorado da UN é particularmente polarizado nestes temas, num reflexo do que se passa no interior do partido, pelo que a manutenção desta ambiguidade permite manter os votos de todos os eleitores. Já Gilles Ivaldi destaca outros dois fatores. Por um lado, historicamente, a UN nunca teve necessidade de firmar uma posição sobre política externa para ganhar eleições, dado que “os seus eleitores, até recentemente, eram principalmente classe média e classe trabalhadora, com pouco interesse em assuntos internacionais”.

"Manter uma postura vaga [na política externa] é uma decisão consciente para não alienar eleitores moderados."
Gilles Ivaldi, investigador da universidade Sciences Po de Paris

Porém, neste momento, as duas áreas políticas mais representadas na Assembleia Nacional são os extremos. O esvaziamento do centro e a incerteza sobre os candidatos que daí poderão emergir abre a porta à UN para “roubar” estes eleitores. Neste contexto, “manter uma postura vaga [na política externa] é uma decisão consciente para não alienar eleitores moderados”, considera o investigador da Sciences Po de Paris. Contudo, à medida que as eleições se aproximarem, é cada vez menos improvável que a estratégia continue a resultar e a UN terá de “resolver este problema”, remata.

Uma das questões mais óbvias que podem influenciar esta decisão é a escolha do candidato: Le Pen ou Bardella? Depois de ter sido condenada pela Justiça francesa no ano passado, Marine Le Pen encontra-se impedida de concorrer, mas o caso já seguiu para recurso e existe a possibilidade — ainda que improvável — de a condenação ser revertida. Nesse caso, Le Pen assumiria a candidatura, algo que já vez várias vezes.

No caso de Bardella avançar mesmo com a candidatura ao Eliseu, volta a colocar-se em cima da mesa a sua relação com a direita conservadora norte-americana. Apesar de o presidente da UN fazer de tudo para garantir que não são aliados, deputados do seu partido têm mantido contacto com pessoas próximas de Donald Trump para saberem “como é que ele ganhou e como é que, uma vez eleito, foi capaz de implementar o seu programa apesar da resistência”, relatou o Le Monde. Jean-Philippe Tanguy, um dos homens mais próximos de Le Pen, alertou repetidas vez que esta aproximação é uma “armadilha“, pois permitiria aos adversários retratar realmente a UN como aliados de um impopular Donald Trump.

Porém, ainda que Tanguy tente afastar Washington das eleições, a Casa Branca segue atentamente as eleições de 2027. Steve Bannon continua a recusar as acusações de que terá feito uma saudação nazi e chama Bardella de “rapazinho”, mas no passado dia 8 admitiu que Washington está empenhada na sua vitória. “O elemento final que vai matar a União Europeia será a eleição de Marine Le Pen e da União Nacional”, declarou. E a presença dos EUA no boletim de voto pode ser ainda mais direta: em meados de janeiro, a AFP noticiou que uma juíza francesa foi abordada por enviados norte-americanos, fazendo soar os alertas de ingerência estrangeira.