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Gestão estratégica e democracia: o papel do património cultural

Valorizar para conservar garante que monumentos, festivais e tradições continuem a inspirar pessoas e fortalecer a democracia.

Ana Vieira Martins
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A gestão estratégica é essencial para qualquer sociedade que queira garantir coesão, resiliência e desenvolvimento sustentável. Ela conecta políticas públicas, educação, cultura e participação cidadã, criando um plano coerente para enfrentar crises e fortalecer a democracia. Dentro dessa visão ampla, o património cultural surge como uma ferramenta concreta de gestão estratégica, capaz de transformar história, memória e tradição em elementos ativos de identidade e pertencimento social.

O património cultural como instrumento estratégico

Monumentos históricos, festivais e tradições imateriais não são apenas relicários do passado: são ferramentas de gestão estratégica que unem comunidades, educam cidadãos e fortalecem o tecido social. Um festival ou um sítio histórico desperta orgulho, gera economia e conecta gerações, da criança que descobre sua história até o adulto que participa da vida coletiva.

Ao integrar emoção, identidade e estratégia, o património cultural se torna vetor de diplomacia, desenvolvimento econômico e coesão social. Em contextos onde é tratado de forma fragmentada, como ocorre em alguns exemplos nos EUA, seu potencial democrático e social fica limitado.

Polarização política e desafios estratégicos

A política molda a forma como o património é usado na gestão estratégica da sociedade. Alguns governos articulam políticas culturais integradas, fortalecendo cidadania e valores democráticos. Partidos populistas ou extremistas exploram a dimensão emocional do património para consolidar narrativas ideológicas de forma seletiva.

A democracia também precisa agir estrategicamente, usando o património de forma ética e inclusiva: proteger e valorizar o património é investir em memória, identidade e coesão social, transformando emoção em cidadania ativa.

Crises e oportunidades

Conflitos, urbanização acelerada e mudanças climáticas ameaçam sítios e tradições. Alertas recentes da UNESCO lembram que proteger a história é também proteger a gestão estratégica da identidade democrática.

Integrar património cultural em políticas de educação, turismo sustentável e inovação tecnológica reforça a gestão estratégica da sociedade, transformando tradições em recursos globais e fortalecendo coesão social. É gestão estratégica que toca o coração dos cidadãos, algo que partidos populistas e extremistas sabem, mas que a democracia precisa recuperar.

Conclusão: do estratégico ao concreto

Conservar história é aplicar gestão estratégica à cultura e à sociedade. Património cultural não é apenas memória: é emoção, identidade e coesão social. Valorizar para conservar garante que monumentos, festivais e tradições continuem a inspirar pessoas e fortalecer a democracia.

Reconhecer o património como ativo de gestão estratégica com propósito não é luxo: é imperativo. Ao proteger o património hoje, transformamos emoção e memória em ferramentas concretas de cidadania, democracia e resiliência para o amanhã.