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Integrar para Cuidar

A sustentabilidade do SNS no Alentejo Central depende da nossa capacidade de trabalhar em rede, valorizando os profissionais e centrando os recursos na prevenção e promoção da saúde.

Emanuel Boieiro
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Geraldo Sem Pavor, ou Geraldo Geraldes, foi um lendário guerreiro e líder militar na Península Ibérica durante a Reconquista Cristã, no século XII. As suas táticas eram ousadas e as conquistas espetaculares, atuando principalmente nas atuais regiões do Alentejo e Estremadura, em Portugal e em Espanha, muitas vezes à margem das ordens diretas dos monarcas, utilizando táticas de guerrilha e ataques surpresa noturnos. Um dos feitos mais notáveis foi a conquista de várias cidades importantes, como Évora, a qual ocorreu em 1165 e que, mais tarde, se tornaria a sua base principal e o centro dos seus domínios e que ainda hoje está presente no brasão da cidade. Passados 860 anos, esta mui nobre e sempre leal cidade de Évora atravessa um ciclo de mudança tão desafiante como complexo na sua operacionalização, alicerçada, não num esforço de um indivíduo brilhante, mas, num conjunto de 2771 profissionais.

Enquanto Enfermeiro Diretor da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) e líder de 885 Enfermeiros e 465 Técnicos Auxiliares de Saúde e Assistentes Operacionais, o meu compromisso para 2026 é consolidar uma organização de saúde que não apenas funde estruturas, mas que integra humanismo e ciência de uma forma eficiente para servir os 14 concelhos do distrito de Évora.

A missão do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) é clara: garantir a prestação integrada de cuidados de saúde primários e hospitalares, pautada pela excelência técnica, diferenciação e tempestividade. Nestes primeiros dois meses, demos passos decisivos nas áreas da Investigação (Memorando de entendimento assinado com GIMM e Universidade de Évora), na Formação de Líderes (Formação de 40 dirigentes intermédios e de topo de várias áreas clínicas e não clínicas da ULSAC através do PADIS da AESE Business School) e no diagnóstico da situação existente junto das diferentes equipas num trabalho conjunto árduo, mas necessário. Com a nossa ação, pretendemos que cada cidadão sinta que o SNS no Alentejo é uma rede sólida, onde a inovação e o rigor técnico-científico asseguram a sustentabilidade e a qualidade de vida da nossa população. Como afirmou o filósofo Aristóteles, “o todo é maior do que a soma das partes”, e é nesta sinergia entre equipas que reside a nossa força para transformar a saúde regional.

Para materializar esta visão, a valorização do capital humano é a nossa prioridade absoluta, apostando numa governação clínica de proximidade. A humanização e eficácia dos serviços serão vitais para a dignidade do cuidado e a formação na área da comunicação, gestão de stress e de conflitos e conciliação da vida pessoal, familiar e profissional farão parte dos nossos planos.

Neste contexto e nas áreas que estão diretamente sob a minha alçada, apresento três áreas de intervenção prioritárias para 2026:

1.Promoção da Qualidade, Certificação e Segurança do Doente 
A transição para o novo Hospital Central do Alentejo (HCA) é o catalisador de um novo padrão de qualidade, certificação e segurança. Garantiremos uma elevada capacidade tecnológica e a nossa gestão terá um foco essencial na certificação de processos e na redução de eventos adversos, como quedas e infeções associadas aos cuidados de saúde. Queremos que a ULSAC seja reconhecida por indicadores de acesso e qualidade que se equiparem aos melhores padrões nacionais.

2.Mobilidade Interna e Integração entre Unidades Funcionais (Cuidados de Saúde Primários e Cuidados de Saúde Hospitalares)
Em 2026, a barreira entre o hospital e a comunidade será mitigada através da mobilidade interna dos profissionais e da consolidação de postos de trabalho permanentes. A articulação entre as Unidades Funcionais será potenciada por protocolos de referenciação bidirecionais e pela expansão da Telessaúde, evitando deslocações desnecessárias e otimizando os recursos do SNS.

3.Revisão de Protocolos de colaboração com Universidades e aposta na diferenciação com a criação de Núcleos de Enfermeiros Especialistas
Apostamos na revisão de protocolos de colaboração com Universidades e na diferenciação com a criação de novos Núcleos de Enfermeiros Especialistas para responder à complexidade das doenças crónicas e à saúde mental. Estes núcleos trabalharão em estreita ligação com a área da Formação, promovendo a investigação clínica e a atração de talento em articulação com o Ensino Superior, de forma dinâmica, distinta e com benefícios a médio / longo prazo para todos os intervenientes e para a região. O objetivo é garantir que a diferenciação técnica chegue ao domicílio do utente, aumentando a resolutividade das equipas e a satisfação de quem cuidamos e de quem cuida.

A sustentabilidade do SNS no Alentejo Central depende desta nossa capacidade de trabalhar em rede, valorizando os profissionais e centrando os recursos na prevenção e promoção da saúde e num tratamento e reabilitação da doença cada vez mais eficiente, multidisciplinar e transversal, onde a estratificação pelo risco desempenhará um papel fulcral. Juntos, construiremos uma Unidade Local de Saúde do Alentejo Central de excelência.