Apesar de ser um elemento presente em quase todas as celebrações, muitas vezes o bolo acaba por passar despercebido. Em Portugal, vários projetos têm vindo a reinventar a forma como se olha para este tipo de sobremesa, conseguindo torná-la um dos protagonistas de qualquer festa. Entre os cinco que reunimos, há opções para todo o tipo de eventos, incluindo casamentos, aniversários e batizados. Desde opções vegan, com flores naturais, a bolos em formato de sandwiche e criações que parecem autênticas esculturas renascentistas, conheça estas marcas que privilegiam tanto o sabor, como a criatividade.
Amori Cakes
Disponível nos concelhos de Sintra, Amadora, Lisboa, Oeiras e Cascais; bolos de casamento podem ser entregues em qualquer zona do país
Carolina Carneiro é arquiteta de formação e trabalhava num atelier em Lisboa quando fundou a Amori Cakes, em 2021. A ideia do projeto surgiu em 2020, o ano da pandemia da COVID-19, quando estava fechada em casa em teletrabalho e sentiu que as horas do seu dia se multiplicaram, passando a ter mais tempo livre. “Comecei a dedicar muito mais tempo às minhas refeições, ao que cozinhava, ao que eu fazia na parte da minha alimentação”. Influenciada pelos seus amigos e família, criou uma página no Instagram onde partilhava receitas e falava sobre comida, começando a desenvolver um gosto especial pela pastelaria. “Percebi que havia aí toda uma possibilidade de eu explorar a minha criatividade de uma forma que no atelier não estava a conseguir, porque o trabalho de arquitetura é muito lento”. Carolina confessou que, através da pastelaria, conseguia ter uma ideia e, em pouco tempo, ter os resultados e o feedback que precisava. Com muita reflexão, decidiu sair de um “trabalho seguro, com um salário seguro”, profissionalizar a sua página e focar-se nos bolos. “Tinha uma felicidade nesta parte da pastelaria, que se calhar na parte da arquitetura não estava a encontrar da mesma forma. O bolo é uma coisa muito simbólica, muito emocional, que pode tornar as pessoas muito felizes e, por isso, pode ser uma peça muito interessante”.



A Amori Cakes começou como um projeto “tímido” e com uma perspetiva “mais genérica e simples”, para tentar agradar e chegar a um público mais abrangente, mas sempre numa ótica da personalização. Com o passar do tempo, a marca foi crescendo e Carolina foi encontrando a sua identidade e aquilo que a distinguia, procurando fazer de cada bolo uma peça única. Apesar de não considerar que o percurso tenha sido fácil, porque “há muitas pessoas a fazer bolos em casa”, a fundadora da Amori sente que foi ganhando a confiança dos clientes, especialmente através da partilha de feedback. “Era muito importante quando os clientes percebiam que o bolo não era só bonito, o bolo também era delicioso. Foi difícil porque não havia uma loja física onde as pessoas pudessem ver e experimentar, e sabemos que o digital gera muita desconfiança”.
Carolina confeciona os bolos na sua casa em Sintra, que pertencia aos seus avós e estava vazia. Inicialmente, tinha uma garagem e uma espécie de anexo ao lado que decidiu transformar num atelier com uma cozinha dedicada exclusivamente à Amori, aproveitando a sua formação em arquitetura. Considera que o curso que tirou foi essencial para o que faz hoje em dia, porque foram cinco anos que construíram “uma maneira de olhar muito específica”. “Tudo o que tem a ver com estética, com proporções, com o controle da cor ou o controle da escala se reflete naquilo que eu faço. Fazer uma maquete requer um rigor, um cuidado e um controle da mão que a pastelaria também requer.” A arquitetura também lhe deu referências como Lina Bo Bardi, arquiteta italiana que viveu a maior parte da sua vida no Brasil, cujos jogos que entre o artificial e o natural a fascinam. Para além disso, Carolina também procura inspiração na pintura, escultura e até na própria música.

A fundadora da Amori Cakes trabalha sozinha mas, em alturas de maior trabalho, recruta a sua família e namorado para a ajudar nas partes logísticas. O que se mantém constante ao longo do ano são os bolos de aniversário, mas, de finais de abril até outubro, o foco da Amori são os casamentos. Carolina Carneiro diz que uma das grandes diferenças é o número de porções a servir, para além do rigor e da atenção aos detalhes. “Geralmente, o cliente é mais exigente num casamento a nível de personalização porque o casamento é, possivelmente, um dia único na vida”. As encomendas são feitas através do site da marca e pelo Whatsapp, e os bolos podem ser entregues nos concelhos de Sintra, Amadora, Lisboa, Oeiras e Cascais. Contudo, os de casamento são um caso à parte, podendo ser entregues em qualquer zona do país. Carolina já chegou a fazer um para 250 pessoas, para uma cerimónia numa quinta em Alenquer.
A nível de sabores, os favoritos dos clientes são chocolate e caramelo salgado e, para quem não gosta de coisas tão doces, baunilha com recheio de lemon curd. Carolina considera que o que torna os seus bolos diferentes, para além do seu aspeto, é também a receita de buttercream que desenvolveu. Em vez de ser apenas um creme de manteiga e açúcar, leva uma primeira base de merengue porque, de acordo com a fundadora, as claras de ovos ajudam a dar textura e a torná-lo mais leve. “Um ponto assente que eu tive desde o início era que não queria que o meu bolo fosse bonito e que depois as pessoas provassem e pusessem metade de parte”. Os preços variam muito, dependendo do tamanho e do tipo de ocasião em que vão ser comidos, mas existe um preçário para os bolos que estão no menu.

Uma das grandes paixões de Carolina, para além de fazer bolos, é ensinar e partilhar aquilo que sabe com os outros. Por isso, começou a dar workshops no final de 2024. “A ideia não é ser um workshop profissional, não é preciso ter experiência prévia e todos podem participar. A ideia é mesmo mostrar que há muitas formas de explorarmos a nossa criatividade“. A maior parte dos clientes da Amori Cakes mora em Lisboa, por isso Carolina faz parcerias com espaços disponíveis para receber workshops e, neste momento, faz a maioria num atelier de cerâmica em Benfica. A divulgação é feita na página de Instagram da marca e as inscrições são feitas através do site, normalmente com três semanas de antecedência de cada workshop.
Migalha Doce
“Cake Me Fast” disponível em Lisboa; bolos de casamento podem ser entregues em qualquer zona do país
A Migalha Doce começou em 2014 com um blogue dedicado a food styling, onde Sandra Bernardo partilhava receitas de doces que fazia em casa. Na altura, a fundadora do projeto estava grávida e sentiu que o facto de ter mais tempo livre lhe deu “oportunidade para pensar em algo diferente” e ir na direção daquilo que sentiu que era o seu “novo caminho a percorrer”. Sandra é licenciada em Design de Moda e chegou a trabalhar três anos na área, durante os quais tirou um curso de Design Gráfico, onde aprendeu mais sobre food styling, o que lhe despertou o interesse e a vontade de criar o blogue. Em 2015 começou a receber encomendas de bolos para pequenas celebrações, sobretudo aniversários, e passou a fazer dos bolos em camada a imagem de marca da Migalha Doce. Com o passar do tempo, Sandra aproximou-se cada vez mais dos casamentos, onde sente que tem uma maior liberdade criativa para o seu trabalho, para além de uma forte ligação emocional.


Sandra Bernardo tem a ajuda do marido, Nuno, para as questões logísticas da Migalha Doce, servindo como os seus “dois braços”, como costuma dizer na brincadeira. “Às vezes quando estou em certos casamentos é necessário estar a montar o bolo no local, e no momento em que estou a fazer as coisas e não sei o que quero, ele olha para mim e já sabe o que é que eu preciso, e dá-me o material”. De momento, Sandra trabalha num pequeno atelier em Lisboa que não está aberto ao público, composto por um escritório e por uma cozinha.
A fundadora da Migalha Doce considera que a evolução da marca foi “muito orgânica”, facilitada pelo facto de, quando começou a fazer bolos, estar “muito tranquila com o que fazia”. Hoje em dia, trabalha maioritariamente com destination weddings, de estrangeiros que escolhem Portugal como destino para casar e que procuram uma cerimónia fora do convencional. “Eu tenho tido, nos últimos três anos, muitos casais americanos. Vou tendo casais também que vêm da Suíça, Inglaterra, e já vou tendo também da Austrália”. Grande parte descobre o trabalho de Sandra através da página do Instagram da marca e muitos são direcionados por wedding planners.
Em novembro do ano passado, Sandra decidiu voltar a fazer bolos para pequenas celebrações e deu ao projeto o nome Cake Me Fast by Migalha Doce. “O nosso foco vão ser sempre os bolos de casamento, mas a Cake Me Fast permite que façamos também bolos mais pequenos, para um limite de pessoas”. Existe um catálogo disponível, pensado para “quem procura algo bonito, delicioso e sem complicações” e não são feitos bolos para mais de 20 pessoas.

Apesar de fazer bolos o ano inteiro, é na wedding season que o trabalho de Sandra Bernardo mais se intensifica. “Maio, junho, setembro, acabam por ser aqueles meses mais intensos. Não quer dizer que todos os anos seja assim, porque eu tenho um número limitado de casamentos por ano. Isso para garantir tempo, foco e qualidade para cada projeto”. Um dos motivos pelos quais Sandra abriu portas ao Cake Me Fast foi, precisamente, para permitir que continue sempre na parte da confeção dos bolos. Tal como a agenda, também o próprio leque de sabores a provar se altera, geralmente de ano para ano. “Eu gosto de bolos que saibam a caseiro, com um destaque para a textura”.
O best-seller é, desde 2017, o “Passion & Fruit”, um bolo de baunilha com curd de maracujá, ganache de frutos vermelhos e framboesas frescas. “É ótimo para casamentos de verão e principalmente para quem quer algo diferente. A suavidade e a doçura do ganache é contrastada com a textura da framboesa”. Em relação a preços, os valores variam sempre conforme o projeto. “Cada detalhe, não apenas da peça mas também da logística, é sempre orçamentado de forma personalizada”. As encomendas são feitas através de um formulário no site da Migalha Doce, que depois entra em contacto a partir do e-mail. Os bolos da Cake Me Fast só podem ser entregues em Lisboa, com possibilidade de recolha no próprio atelier de Sandra, mas as entregas de bolos de casamento são feitas por todo o país.




Sandra vai buscar inspiração a várias áreas criativas, como a moda, o styling, a escultura, a cerâmica e a arquitetura. Os detalhes dos vestidos de casamento e as texturas imperfeitas da natureza também são uma fonte de inspiração para o seu trabalho. A fundadora da Migalha Doce considera que o Pinterest é uma boa ferramenta para encontrar novas ideias, mas “nada como uma boa revista”. Todos os bolos que fez a marcaram, e “às vezes nem é propriamente pelo design, mas pela história de onde ele surgiu e pelo ensinamento que acaba por existir com os casais”. Sandra acredita que um bolo é uma peça de arte que “mesmo só existindo fisicamente durante um dia, vai continuar a existir na memória”.
Cakeshop
Disponível em qualquer zona do país
Ana Nunes, “as mãos, coração e cabeça por detrás da Cakeshop“, viveu 14 anos em Barcelona, cidade onde mudou de casa 11 vezes, mas decidiu voltar para Portugal em 2016, ano em que fundou a marca. Hoje em dia, dedica-se exclusivamente a fazer bolos de casamento e a dar formações mas, anteriormente, fez um pouco de tudo.”Dancei e dei aulas de dança. Participei em espetáculos de circo de rua. Dei aulas de educação física em escolas internacionais. Estudei nutrição e como um mestrado não era suficiente para todas as dúvidas que tinha, completei três“. Ana passou por um cancro da mama e “tinha demasiadas perguntas que precisavam de resposta”, por isso chegou a dedicar-se a investigar epidemiologia e nutrição na área oncológica, acabando por se doutorar em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona com uma bolsa de estudo. “Sou uma pessoa eclética, portanto gosto de muitas coisas e aprofundá-las”. A formação fez com que desse muito valor aquilo que está dentro dos bolos, e por isso faz uma grande aposta no sabor daquilo que confeciona.
Quando começou a Cakeshop, Ana fazia bolos de aniversário e de casamento, mas apercebeu-se que não conseguia “abarcar tudo” e, por isso, optou por não ser uma “fábrica de bolos”. De momento, prefere fazer projetos exclusivos, onde pode dedicar todo o tempo que precisa aos noivos. “O abarcar menos projetos oferece-me a possibilidade de dar mais qualidade ao serviço”. A maior parte dos seus clientes são estrangeiros que escolhem Portugal como destino para casar, especialmente na região do Douro.

Ana vive num meio rural, a cerca de 20 minutos do Porto, “o que podia ter sido uma condicionante, mas, de alguma maneira, não é”. Faz os bolos num atelier que ocupa um dos três andares da sua casa, que serve também como espaço para dar formações. Começou a ensinar há cerca de 8 anos como resposta ao que lhe pediam e, especialmente durante a pandemia da COVID-19, deu muitas formações em formato online. Atualmente, as formações são quase sempre presencialmente e são dadas tanto no atelier da sua casa, como em Lisboa. Ana tem uma página no Instagram dedicada a informações sobre as aulas, para além do site da Cakeshop, onde é possível fazer a inscrição e o pagamento. Ana também faz workshops personalizados individuais, que abordam os conteúdos que os alunos tenham interesse em aprender e aperfeiçoar no cake design em buttercream. “São as minhas formações favoritas. Recebo pessoas, uma a uma, de todos os lados de Portugal, mas também de fora do país. E isso é muito, porque estou sozinha com elas um ou sete dias“.



A fundadora da Cakeshop confessou que a sua grande paixão são as pessoas, que a motivam e inspiram a dar o melhor de si. “Quando eu faço um bolo ou dou uma formação, eu ponho-me sempre do lado do outro”. Considera que cada bolo que faz é um “ato de amor, de carinho, muito especial ao próprio” e que, por detrás da transação comercial que é a venda deste produto, “há muito mais”.
Ana Nunes absorve muita coisa do mundo e tem interesse em várias áreas, inclusive nas artes manuais. “Creio que o que mais me define é ser uma pessoa inquieta, curiosa e persistente”, escreveu na sua descrição no site da marca. Para além das pessoas, a área do têxtil também a inspira, assim como a natureza. Já trabalhou em olaria e gosta “de trazer a cerâmica para alguns projetos através da pasta de açúcar“.

A Cakeshop faz entregas em todo o país e os preços dependem, entre várias variáveis, “da situação, dos sabores e da complexidade do design”. A maior parte dos bolos que Ana faz são no verão, durante a wedding season, e por isso os best-sellers são sabores mais “frescos” e “frutados”. Entre eles, estão um bolo com recheio de curd de limão, compota de framboesas e buttercream de queijo creme com framboesas frescas, bem como um bolo de lima com mirtilos na massa.
abia Bolos
Disponível no Porto; bolos de casamento podem ser entregues em várias zonas do país
Beatriz Barge trabalhou sete anos na área do Design Gráfico, mas decidiu abandonar a empresa onde estava em 2022 para se dedicar exclusivamente à abia Bolos, embora ainda tenha tentado conciliar a pastelaria e o seu emprego durante um ano. Começou a fazer bolos durante a pandemia da COVID-19 e, impulsionada pelos amigos, que considera que são os seus “maiores apoiantes”, acabou por criar a página do Instagram do projeto. Beatriz tem um “imenso amor pelos animais” e por isso tornou-se vegetariana em 2014. Três anos mais tarde decidiu dar mais um passo e tornar-se vegan, numa altura que coincidiu com a chegada dos gelados Ben & Jerry’s vegan a Portugal. Por isso, o abia Bolos é um projeto completamente vegan. Embora muitos dos pedidos que recebe sejam de clientes com uma dieta deste tipo, Beatriz considera que a maior parte consome produtos de origem animal.”Acho que é um ponto positivo, porque torna o negócio mais abrangente. Há pessoas que podem ter essa questão da alimentação ou da ética, mas há outras que têm problemas com alergias a latícinios, por exemplo, ou outras que não sentem essa falta”.
A fundadora da abia Bolos considera que um dos pontos a ter mais em conta é o processo químico da ligação da massa, que faz o bolo crescer. “Por exemplo, uma massa normal de baunilha não precisa necessariamente de ter uma ligação do ovo, mas precisa do agente do crescimento. Substituí isso com uma reação química que é feita a partir do bicarbonato de sódio e vinagre. Esses dois elementos criam uma resistência que depois faz os bolos ficarem mais fofos e altos“. Em termos de substituições diretas, Beatriz troca a manteiga por manteiga vegetal, e substitui o leite por leite de soja, amêndoa ou aveia, dependendo do bolo que faz.




Embora confecione os bolos sozinha, Beatriz tem ajuda na parte logística do projeto, para responder a mensagens, e-mails e para a organização das encomendas. “Nos últimos dois anos estava a ser muito complicado conseguir trabalhar doze horas por dia e, nas pausas, ter tempo para responder às pessoas”. Trabalha a partir da pequena cozinha da sua casa e a máquina da loiça, a batedeira e a liquidificadora que comprou mudaram a sua vida. Para além dos bolos, a abia Bolos também vende outro tipo de doces, como brownies, cookies e tartes.
Aquilo que mais faz são bolos para aniversários, fazendo ocasionalmente casamentos e outro tipo de eventos, como abertura de lojas. A parte favorita de Beatriz Barge é a decoração, onde sente que pode ser mais criativa, e está sempre disposta a aceitar desafios dos clientes. Já fez vários bolos realistas, incluindo um em formato de pés e outro em formato de sandwiche, que faz questionar se é realmente um bolo ou não. No entanto, os momentos em que Beatriz sente que a sua personalidade se mistura com a personalidade da abia Bolos são quando confeciona bolos com a decoração de quadros de pintores famosos, como Van Gogh, Monet ou até Klimt.
Neste momento, a abia Bolos tem um menu fixo e um menu de outono/inverno. “No inverno as pessoas optam por sabores mais doces e gulosos”. Os sabores vencendores são o “Salted Cookie Dream”, com massa de cookie dough e recheio de chocolate e caramelo salgado, o “Acid Berry”, com massa de limão com frutos vermelhos e recheio de curd de limão e compota, e o “Berry White Pistáchio”. Este último tem uma massa de pistáchio e framboesas e o seu recheio é de ganache de chocolate branco e é um dos favoritos de Beatriz.

As encomendas da abia Bolos são feitas através do número do Whatsapp, e os bolos podem ser entregues na zona do Marquês no Porto. Também existe a possibilidade de entrega por courier para a morada desejada. Já os bolos de casamento podem ser entregues pessoalmente em vários distritos do país, mediante a disponibilidade. Os preços variam dependendo da ocasião, tamanho e do tipo de decoração do bolo.
Naken
Disponível no Porto; bolos de casamento podem ser entregues em qualquer zona do país
O nome Naken tem origem noruguesa e faz referência aos naked cakes, bolos quase “despidos” que mantêm as camadas à vista. Teresa Sousa viveu três anos na Noruega, depois de se formar na área da nutrição, país onde começou a desenvolver o gosto pela pastelaria. Foi também na época em que vivia fora que criou um blogue onde partilhava receitas, sobretudo de doces com sabores de inspiração nórdica. Regressou ao Porto, cidade de onde é natural, no final de 2015 e, no ano seguinte, frequentou o seu primeiro curso de pastelaria na Clavel’s Kitchen. Teresa descobriu que a escola precisava de alguém para ajudar na dinâmica dos cursos e decidiu experimentar. “Naquele momento estava a trabalhar como nutricionista, mas não trabalhava no hospital e não era uma coisa que eu gostava muito de fazer. Ouvi aquilo e pensei que se calhar era uma coisa gira que até gostava de fazer”. Em 2021 criou a página do Instagram do projeto, mas só há cerca de dois anos é decidiu profissionalizar a Naken, tomando a decisão de reduzir o seu tempo na escola em Matosinhos onde trabalha ainda hoje.

Teresa sublinha que o investimento em formação foi fundamental para a construção da identidade da Naken. Entre os vários cursos que frequentou, destaca o que realizou com Sandra Bernardo, as mãos por detrás da Migalha Doce, a quem atribui parte da responsabilidade por ter reforçado a sua vontade de dar ínicio ao projeto. Teresa trabalha sozinha e confeciona os bolos em casa. “Já enchi a garagem de frigoríficos e de arcas”. Por enquanto, as encomendas funcionam apenas através do e-mail da marca, que pode encontrar no Instagram. A fundadora da Naken continua a trabalhar de segunda a quarta na Clavel’s Kitchen, para além de ter duas filhas pequenas, o que não a permite ainda “dar um salto”. “À medida que for ganhando mais tempo poderei investir em outras coisas, mas para já está ótimo assim”.
A agenda da Naken está sempre preenchida, principalmente porque Teresa considera ser “péssima a dizer que não”. Os aniversários são o que mais ocupa o seu tempo, embora também faça bolos para outros pequenos eventos ao longo do ano, como comunhões e batizados. Ainda assim, o que mais a apaixona é criar bolos para casamentos. “Gostava que a Naken fosse reconhecida como uma marca de bolos de casamento, porque são obras grandes, têm grande impacto e há muito para explorar. Mas o caminho vai-se fazendo aos poucos e deixo mais isso do lado dos clientes”. A maior parte dos clientes da Naken são portugueses, especialmente para as pequenas celebrações, mas também há muitos estrangeiros que descobrem o projeto através de wedding planners.
A lista de propostas da Naken inclui sabores “fora da caixa”, como um bolo com massa de cardamomo com mascarpone, compota de pêra e praliné de amêndoa com amêndoas caramelizadas, inspirado nos tempos em que viveu Noruega. Os clássicos estão sempre disponíveis, como o bolo de noz com doce de ovos ou o de chantilly com morangos. No entanto, os vencedores são o de limão com frutos vermelhos e o de chocolate com caramelo salgado e amendoins fritos. Teresa diz que a lista de sabores “não é fechada”, porque adora aceitar desafios e fazer coisas novas, estando disposta a aceitar sugestões dos clientes. Os preços variam muito consoante o tipo de bolo, mas “o que tem mais impacto é a decoração”.


2025 foi um ano marcado por uma intensa produção de bolos de casamento da Naken, e, consequentemente, foi também foi o ano em que Teresa começou a tomar um rumo em relação à identidade estética da marca. Influenciada pela mãe, que é produtora de flores e que tem uma estufa, a fundadora da Naken adora utilizar flores naturais (e frescas) como decoração para os seus projetos. Foi surpreendida no ano anterior quando uns noivos lhe pediram uma pavlova para 250 pessoas ao estilo italian wedding cake, decidindo aceitar o desafio. A partir daí, aceitou inúmeros pedidos deste tipo, que incluíram mais pavlovas, mil folhas, cheesecakes e até um tiramisù gigante. “Sem querer, e apesar de eu não ter puxado para esse lado, sinto que algumas pessoas me indicam e me identificam por fazer esse tipo de bolos.”
Teresa cresceu a comer bolos feitos pela avó, que partilhava com toda a família, e por isso para si “um bolo é um momento de partilha”. “O que mais me apaixona é ver as coisas a ganhar forma e ver a reação das pessoas e perceber que o que estou a fazer está a ter algum impacto e está a tornar aquele dia mais bonito”. Os momentos de maior felicidade surgem quando sente que “faz parte” do dia de alguém. “Claro que houve contratempos mas de uma maneira geral tenho recebido um feedback ótimo e fico feliz em saber que tornei os dias mais especiais”, admitiu.