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Estudo descobre que vacina contra herpes zoster reduz em 20% o risco de desenvolver demência

Investigadores analisaram dados de mais de 280 mil pessoas e descobriram que aqueles que receberam o imunizante tiveram menos novos diagnósticos de demência num período de 7 anos.

Sâmia Fiates
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A vacina contra o herpes zoster, também conhecida como zona, pode estar relacionada a uma redução de 20% no risco de demência entre idosos, de acordo com um estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature. “Pela primeira vez, podemos dizer com confiança que a vacina causa uma redução no risco de demência. Se for de facto um efeito causal, temos um achado de muita importância”, destacou o investigador Pascal Geldsetzer, da Universidade de Standford.

Os investigadores norte-americanos, austríacos e alemães, analisaram os dados de mais de 280 mil pessoas do País de Gales e aproveitaram-se de uma mudança na regra de elegibilidade para a vacinação de 2013. É que todas as pessoas nascidas antes de 2 de setembro de 1933, na altura prestes a fazer 80 anos, estavam inelegíveis para serem vacinadas, enquanto os nascidos após esta data podiam receber o imunizante. Isso permitiu comparar dois grupos com idades que diferem em poucas semanas. “Mostramos que receber a vacina contra o herpes zoster reduziu a probabilidade de um novo diagnóstico de demência ao longo de um período de sete anos”, diz o estudo, apontando para uma redução de 20% no risco de novos diagnósticos. Além disso, o efeito protetor foi mais forte em mulheres.

O professor da escola de medicina da Harvard Anupam Jena escreveu, num artigo que acompanha o estudo, que ainda não é possível determinar como a vacinação reduz o risco de demência, mas que “as implicações deste estudo são profundas. A vacina pode representar uma intervenção efetiva que tem benefícios para a saúde pública que excedem fortemente o propósito inicial”.

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O estudo usou dados de pessoas que receberam a vacina com vírus atenuado, que tem o nome comercial Zostavax, e que já tinha sido associada anteriormente à redução no risco de demência por outras análises científicas. Em 2024, outro estudo da Universidade de Oxford também associou a vacina contra a zona a uma redução no risco de desenvolver demência. Entretanto, os resultados foram melhores com a vacina recombinada, mais moderna, com nome comercial Shingrix. A análise foi feita com dados de saúde dos Estados Unidos da América numa altura em que o país alterou o programa de vacinação e descontinuou as vacinas com vírus atenuado. Entre os que tiveram um diagnóstico de demência ao longo dos seis anos seguintes, os que foram inoculados com a Shingrix tiveram 17% mais tempo sem serem diagnosticados, o que se traduz em 164 dias a mais vividos sem demência.

A vacina contra o herpes zoster não faz parte do Plano Nacional de Vacinação (PNV) e não é comparticipada. Em Portugal a vacina comercializada é a Shingrix, e, em 2024, foram vendidas mais de 14 mil unidades, segundo dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF) citados pelo Público. De acordo com o jornal, a Direção Geral de Saúde está a considerar a vacinação preventiva em adultos e grupos de risco. Recentemente sociedades científicas e associações de doentes apelaram através de uma petição para que a vacina seja incluída no PNV.