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Primeira-ministra dinamarquesa avisa que EUA não vão assumir controlo da Gronelândia

Primeira-ministra dinamarquesa reuniu-se com os líderes da Gronelândia para mostrar unidade face à "pressão" dos Estados Unidos "no que diz respeito à soberania, às fronteiras e ao futuro".

Agência Lusa
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A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, avisou nesta quarta-feira que os Estados Unidos não vão assumir o controlo da Gronelândia, na sua primeira visita ao território autónomo desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, demonstrou interesse pela ilha ártica.

“Os Estados Unidos não vão assumir o controlo da Gronelândia. A Gronelândia pertence aos gronelandeses. E será essa a mensagem que enviaremos juntos nos próximos dois dias”, declarou Frederiksen antes de se reunir com os líderes do território, incluindo o novo primeiro-ministro.

Jens-Frederik Nielsen, cujo partido Demokraatit (liberal) venceu as eleições do passado dia 11, apresentou na passada sexta-feira um executivo de coligação que reúne todo o movimento independentista moderado e quatro das cinco forças parlamentares, embora o Governo só seja formalmente eleito pelos deputados no dia 07 de abril.

https://observador.pt/2025/03/28/gronelandia-forma-governo-de-coligacao-alargada-sem-ultranacionalistas/

“Precisamos de estar juntos nestes tempos difíceis em que a Gronelândia se encontra. E quando a Gronelândia está numa situação difícil, o mesmo acontece com o Reino da Dinamarca e a Europa“, declarou a chefe do Governo de Copenhaga.

Frederiksen sublinhou que o principal objetivo da sua visita, que se prolongará até sexta-feira, é mostrar unidade face à “pressão” dos Estados Unidos “no que diz respeito à soberania, às fronteiras e ao futuro”.

A líder dinamarquesa, que tinha aterrado pouco antes em Nuuk (capital), deverá dar uma conferência de imprensa na quinta-feira, segundo o jornal digital gronelandês Sermitsiaq.

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A visita é precedida de polémica, devido às críticas dos líderes de dois dos partidos da coligação governamental, que consideram que a deslocação não deveria ter ocorrido antes de o executivo estar formalmente constituído.

Já Nielsen considerou normal que se realizasse o mais rapidamente possível e espera um “diálogo construtivo sobre a cooperação futura” com Copenhaga, como já tinha declarado previamente.

Mette Frederiksen chega à Gronelândia quase uma semana depois da polémica viagem à ilha do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que visitou a base norte-americana de Pituffik (noroeste) com a sua mulher.

https://observador.pt/especiais/traicao-guerra-fria-e-um-ponto-da-disputa-pelo-artico-a-historia-de-pituffik-a-base-militar-na-gronelandia-visitada-por-jd-vance/

O plano inicial era que Usha Vance viajasse para Nuuk e Sisimiut, para participar numa popular corrida de trenós puxados por cães, mas os protestos das autoridades do território e da Dinamarca provocaram uma mudança de programa da viagem, que ocorreu no seguimento de o líder da Casa Branca, Donald Trump, anunciar o seu desejo de tomar o controlo da ilha, autónoma da Dinamarca.