José Mourinho não está, José Mourinho não falou, José Mourinho é sempre notícia. Se dúvidas existissem, uma vista de olhos rápida pela imprensa internacional aponta-o em vários países e contextos. Aos 62 anos e com 25 anos de carreira como treinador principal, basta ao português “existir” para ser uma referência.
Em Espanha, no dia em que começou a ser julgado por alegada fraude fiscal, Carlo Ancelotti, um dos técnicos mais titulados de sempre que ainda na véspera viu o Real Madrid ter mais uma partida de loucos (e com mais uma vitória nos últimos minutos, na Taça do Rei com a Real Sociedad), trouxe o seu nome. “Quando o clube propôs o contrato, encaminhei o Real para o meu assessor. Não analisei a proposta porque nunca tinha sido pago dessa forma. Todos os jogadores o fazem, [José] Mourinho também”, referiu no Tribunal Superior de Justiça (TSJ) de Madrid. Em Inglaterra, Pep Guardiola falou das dificuldades que o Manchester City tem sentido esta época e trouxe o seu nome. “Qualificar-nos para a próxima edição da Liga dos Campeões será um enorme sucesso, pelos problemas que temos tido. Agora entendo o José [Mourinho] quando disse essa frase…”, salientou o espanhol, na antecâmara da receção ao Leicester. Na Turquia, mais e a vários níveis.
Numa altura conturbada em termos sociais na Turquia, no seguimento da detenção de Ekrem Imamoglu por alegada corrupção, os movimentos de protesto em defesa do presidente da Câmara de Istambul (o maior adversário do líder Recep Erdögan) que foram surgindo na rua adotaram uma frase que ficou mais conhecida a partir de novembro: “We are clean” [Estamos limpos]. Aí, Mourinho teve uma conferência arrasadora com as arbitragens no futebol do país. “Avisaram-me mesmo antes de eu chegar, não acreditei, mas agora é ainda pior. Estamos a jogar contra um sistema. E jogar contra um sistema é a coisa mais difícil”, apontou antes de utilizar essa expressão que, pela ideia que transportava, foi agora adotada num outro âmbito.
Apesar disso, e cada vez mais, o português prefere focar-se apenas no futebol dentro de campo, com mais um carrossel de emoções num par de semanas que deixou o Fenerbahçe ainda a sonhar com a conquista da Liga e da Taça: primeiro caiu da Liga Europa nas grandes penalidades frente ao Rangers, depois empatou sem golos em casa com o Samsunspor quebrando uma longa série de triunfos seguidos, a seguir viu o Besiktas de Rafa e Gedson Fernandes (que marcaram) vencer o Galatasaray e encurtar a distância para o topo para seis pontos com menos um jogo. Antes, chegava o terceiro dérbi da época com o rival de Istambul para a Taça, naquele que seria o 403.º encontro entre ambos com o Fenerbahçe a poder chegar às 150 vitórias.
“O jogo contra o Galatasaray é muito importante não só para a Taça mas também para o Campeonato. Se ganharmos, teremos uma vantagem psicológica e reduziremos a diferença para três pontos ao vencer o Trabzonspor. Já passámos por este tipo de pressão muitas vezes mas as nossas hipóteses de ganhar o Campeonato ainda estão vivas e o futebol pode mudar a qualquer momento. O jogo contra o Galatasaray é muito importante não só para a Taça mas também para o Campeonato. Podemos dar mais uma alegria aos nossos adeptos”, destacara Mourinho, colocando ainda mais pressão sobre um jogo sempre escaldante. Foi uma aposta arriscada, foi uma aposta perdida e a má primeira parte acabou por deitar tudo a perder num encontro que ficou marcado pelas quezílias no relvado nos minutos finais com muita polícia à mistura.
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Apesar da tentativa do conjunto da casa em assumir o controlo do jogo desde início, o Galatasaray conseguiu ser melhor, fez prevalecer a sua ideia, percebeu melhor todos os momentos e alcançou com naturalidade uma boa vantagem com muita polémica pelo meio. Já depois de um lance em que Skriniar cortou uma tentativa de Gabriel Sara para canto (7′), Osimhen aproveitou (mais) um corte incompleto de Söyüncü para inaugurar o marcador com um grande remate na área (10′), bisando ainda na primeira parte num penálti por corte com a mão de Kostic (27′). Pelo meio, o Fenerbahçe, que estava a ser uma sombra daquilo que mostrou esta época, ainda reclamou um toque com o braço na área de Kaan Ayhan (15′) mas os últimos minutos antes do intervalo trariam algo mais para a história do jogo: Söyüncü cortou em cima da linha aquilo que poderia ser o 3-0 de Yilmaz (43′), Szymanski reduziu para 2-1 após assistência de Talisca num lance validado por uma questão de milímetros (45+2′). Sem ter feito muito para isso, a equipa da casa “estava” no jogo.
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Sem alterações ao intervalo, o Galatasaray continuava apostado em controlar a partida com bola sempre a olhar para a possibilidade de transições enquanto o Fenerbahçe procurava “empurrar” o adversário para o seu terreno para explorar depois os “bombardeiros” da frente. Ainda assim, e apesar dessa desvantagem, foi a formação visitante que voltou a estar perto do golo a abrir por Gabriel Sara, com defesa de Egribayat. Depois, e com o passar dos minutos, as entradas de Müldür, Saint-Maximin e Dzeko foram reforçando a pressão final pelo golo do empate, Yilmaz ainda acertou no poste no lance que poderia ter fechado de vez as contas (79′), houve também as habituais confusões entre jogadores com ânimos mais exaltados, que acabaram com alguns cartões vermelhos à mistura e um total de 11 minutos de tempo de compensação, mas o Gala soube mesmo conservar a vantagem, garantindo as meias-finais da Taça da Turquia depois de um corte verdadeiramente fabuloso de bicicleta em cima da linha de Sánchez a evitar o 2-2 de Skriniar… aos 90+12′.
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