A gigante tecnológica Amazon terá feito uma proposta para comprar o TikTok, numa altura em que se aproxima o prazo estabelecido pelos EUA para que a rede social, propriedade da chinesa ByteDance, corte os laços com Pequim para evitar um bloqueio em solo norte-americano. A informação está a ser avançada pelo The New York Times, que cita três fontes, que adiantam que as partes envolvidas na negociação não parecem estar a levar a sério a oferta apresentada pela empresa liderada por Andy Jassy.
A proposta terá sido apresentada esta quarta-feira através de uma carta dirigida ao vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, e a Howard Lutnick, secretário do Comércio dos EUA.
Esta, porém, não foi a única licitação a ser feita em cima do prazo. Um consórcio que inclui uma startup do bilionário Tim Stokely, o fundador da plataforma de conteúdo para adultos OnlyFans, também apresentou esta quarta-feira um plano de compra do TikTok.
Trata-se de uma parceria entre a startup Zoop — que, ao contrário do OnlyFans, é uma plataforma de criação de conteúdos dirigida a um público alargado — e Fundação Hbar, que gere a tesouraria da rede de criptomoedas Hedera. Foi o outro cofundador da Zoop, RJ Phillips, que confirmou à Reuters a apresentação desse plano de compra.
“A nossa oferta para o TikTok não é apenas sobre a mudança de propriedade, é sobre a criação de um novo paradigma onde tanto os criadores como as suas comunidades beneficiam diretamente do valor que geram”, afirmou Phillips à agência noticiosa. No entanto, apesar de confirmar a apresentação da proposta, o empresário não quis adiantar detalhes sobre a oferta ou os investidores que a apoiam.
Segundo o The Wall Street Journal, surgiu ainda outra proposta, da parte da AppLovin, uma empresa de tecnologia cujo âmbito é auxiliar developers a comercializar e rentabilizar as suas aplicações móveis. Segundo o mesmo órgão, esta empresa terá sondado o magnata dos casinos Steve Wynn a apoiar a sua oferta.
Foi no ano passado que, devido a preocupações relacionadas com a segurança nacional, os Estados Unidos (ainda liderados por Joe Biden) aprovaram uma lei que colocava o TikTok sob ultimato: ou cortava os laços com a China ou enfrentaria uma proibição nos EUA, onde tem cerca de 170 milhões de utilizadores. A rede social contestou a legislação junto da justiça norte-americana, mas a decisão da administração Biden foi confirmada pelo Supremo Tribunal dos EUA deixando o TikTok sem mais hipóteses de recorrer.
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Durante a campanha eleitoral para as presidenciais que se realizaram em novembro, Donald Trump prometeu salvar a rede social e depois de tomar posse enquanto Presidente norte-americano deu-lhe mais tempo. Mas o prazo chega ao fim este sábado, dia 5 de abril. O líder dos EUA vai esta quarta-feira reunir-se com altos funcionários da Casa Branca para discutir o futuro do TikTok, sabendo-se desde já que o governo chinês se tem vindo a opor a um venda.
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Ao longo dos últimos dias, Trump propôs um desconto nas tarifas sobre as importações chinesas caso o país permitisse uma venda do TikTok. Mas Pequim rejeitou a oferta. Depois, o Presidente norte-americano indicou que se o prazo não fosse cumprido arranjaria forma de o estender novamente. Mais recentemente, segundo a agência Reuters, mostrou-se confiante de que um acordo para venda será alcançado ainda antes de sábado. “Temos muitos potenciais compradores. Há um enorme interesse no TikTok.”
Tanto a Amazon como o TikTok não responderam a pedidos de comentário por parte do The New York Times quanto à oferta que terá sido feita.
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