Depois de três derrotas consecutivas, duas vitórias seguidas. Depois de duas vitórias seguidas, o desaire que no plano teórico não seria tão penalizador por acontecer em Nápoles frente a um dos grandes candidatos ao título mas que pesou por todo o histórico de resultados desde janeiro. Com melhores ou piores períodos, esta tem sido a vida de Sérgio Conceição desde que chegou ao AC Milan: ganhou crédito com a conquista logo a abrir da Supertaça, perdeu gás com alguns deslizes na Serie A, descapitalizou muito com a eliminação logo no playoff da Liga dos Campeões, continua quase a ser “cozinhado” em lume brando pela imprensa transalpina perante a miragem de chegar a um lugar de Champions. Com isso, vão surgindo já “sucessores”.
https://observador.pt/2025/03/30/sergio-diz-que-nao-precisa-de-confianca-mas-precisa-de-mais-qualquer-coisa-ac-milan-perde-com-o-napoles/
O mais recente, e que aparentemente estará a ganhar mais força entre a estrutura diretora dos rossoneri, é Roberto De Zerbi, um dos treinadores da “moda” depois do fantástico trabalho no Sassuolo que passou pelo Shakhtar, pelo Brighton e pelo Marselha, onde ainda se mantém. Por mais que Sérgio Conceição continue a pedir tempo e estabilidade para consolidar uma ideia que possa vingar a breve/médio prazo, o AC Milan é um clube grande a atravessar uma fase menos positiva que tenta a todo o custo voltar a patamares mais altos, sendo que também os nomes de Massimiliano Allegri e Antonio Conte começam a ser ventilados.
https://observador.pt/2025/03/31/acordei-com-uma-chamada-do-medico-as-7h30-o-loftus-cheek-tinha-de-ser-operado-sergio-voltou-as-derrotas-em-dia-negro-para-o-milan/
O que difere depois na imprensa? Os objetivos a atingir para apagar esse cenário. Para uns, nem mesmo uma possível conquista da Taça de Itália poderia servir de argumento de peso para a permanência em San Siro; para outros, a vitória em dois troféus em seis meses poderia chegar para fintar um provável falhanço naquela que era a principal meta e que passava pela entrada na próxima Liga dos Campeões. Alheio a tudo isso mas ciente do que se passa à volta, Sérgio Conceição focava-se em novo dérbi com o Inter na primeira mão da Taça de Itália, depois de uma vitória na Supertaça e um empate na Serie A diante dos nerazzurri.
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“Temos de entrar fortes no jogo e vencer. Temos a consciência de que essa será a forma mais rápida de jogarmos a Liga Europa no próximo ano. Contudo, ainda temos alguns jogos para disputar na Liga e para ganhar. Conquista da Taça? Ficaria satisfeito porque significaria ganhar um título. Mas primeiro temos de ganhar as meias e depois veremos a final. O meu pensamento todos os dias é trabalhar no duro para a minha equipa evoluir. Mas quando penso nos últimos dois meses, não sei bem o que sinto. Neste momento, não sou a pessoa mais feliz do mundo. A relação com a equipa tem sido muito boa mas temos de melhorar ainda em muitas coisas. Mas não é fácil para ninguém… sobretudo porque me chamo Sérgio e não ‘Sergini'”, apontou com ironia pelo meio, apontando às muitas críticas de que tem sido alvo na imprensa italiana.
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Em paralelo, o técnico português falou também de Rafael Leão, que começou no banco em Nápoles entre vários reparos de comentadores como… Fabio Capello. “Eu já o conhecia de Portugal, depois há toda uma evolução que ele deve ter. Se joga, é intermitente. Se entra depois e faz a diferença, devia ter jogado desde início. Também ficou perplexo com as pessoas que falam do futebol dessa forma. Mantenho a mesma opinião: em termos de qualidade, é um dos melhores do mundo. Depois, é preciso ter consistência para chegar ao fim da época com 25 golos e muitas assistências. Se ele encontrar essa continuidade será um dos melhores do mundo”, destacara Sérgio Conceição, que voltou a apostar no avançado no onze inicial.
Em comparação com a última partida frente ao Nápoles, o técnico português trocou Gabbia por Thiaw no centro da defesa, abdicou de Bondo no meio-campo para lançar Jiménez e recuar Reijnders mais no terreno e trocou Leão por João Félix, que começou desta vez no banco. As tentativas de melhorar estavam identificadas mas nem por isso o AC Milan começou melhor, com Correa a ter a primeira grande oportunidade num tiro rasteiro para grande defesa de Maignan (9′). Quando Leão aparecia, os rossoneri davam outro ar e até os nerazzurri pareciam ficar em sentido nos minutos seguintes; quando o internacional português desaparecia um pouco do encontro, era o Inter que passava para cima. Foi assim que, na sequência de mais uma grande jogada individual, Leão obrigou Josep Martínez a grande defesa (26′). Foi assim que, pouco antes do intervalo que chegaria sem golos, Çalhanoglu e Frattesi voltaram a colocar Maignan à prova (41′ e 45′).
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O jogo precisava de golos para abrir ainda mais, o desejo não demorou mais do que dois minutos: num dos raros erros dos centrais do Inter em termos de colocação, Tammy Abraham apareceu com espaço para rodar após um lance ganho por Fofana e rematou cruzado para o 1-0 (47′). Estava dado o mote para uma primeira mão que envolvesse mais “risco”, com o AC Milan a encontrar na vantagem uma zona de conforto que lhe permitia gerir com bola e procurar as transições rápidas que pudessem reforçar o avanço no resultado. No entanto, a formação de Sérgio Conceição foi caindo na tentação de afundar em demasia as linhas sem bola, o que permitiu que o Inter assumisse outra postura em termos ofensivos e fosse premiado com o empate por Çalhanoglu, num remate de meia distância, entre várias intervenções de Maignan (67′).
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