Uma operação internacional da Europol que desmantelou a plataforma de pornografia infantil Kidflix, contou com a participação em Portugal da Polícia Judiciária (PJ), que deteve dois suspeitos em flagrante delito, tendo um deles ficado em prisão preventiva.
Segundo a PJ, a Operação ‘Stream’, a maior operação internacional “jamais realizada, sob a égide da Europol, de combate ao abuso e exploração sexual infantil”, culminou com o encerramento da ‘Kidflix’, “uma das maiores plataformas de partilha de conteúdos de pornografia de menores” e com a detenção de 79 suspeitos, dois dos quais em Portugal.
A Operação ‘Stream’ decorreu entre 10 e 23 de março, tendo identificado 1.393 suspeitos e foram “resgatadas da situação de abuso e exploração sexual 39 crianças”, tendo ainda sido apreendidos mais de três mil dispositivos eletrónicos.
A operação foi coordenada em Portugal pela a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Técnológica (UNC3T) da PJ, que deteve, “em flagrante delito, dois cidadãos, de 28 e 35 anos, ao que tudo indica sem antecedentes criminais”.
“No decurso das várias diligências encetadas por esta Unidade, foi possível recolher relevantes elementos de prova, nomeadamente equipamentos informáticos com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças. Após presença às autoridades judiciárias um dos suspeitos ficou em prisão preventiva”, adiantou a PJ em comunicado.
A plataforma ‘Kidflix’ foi criada em 2021 e, adiantou a PJ, “rapidamente se tornou uma das plataformas mais populares deste tipo de conteúdos”, registando a adesão de cerca de 1,8 milhões de utilizadores entre abril de 2022 e março de 2025.
Ainda segundo a PJ, foram partilhados 91 mil vídeos, “compatíveis com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças, correspondendo a cerca de 6.288 horas de reprodução contínua”.
A plataforma criada em 2021 era, segundo a Europol, uma das mais utilizadas entre pedófilos e permitia os utilizadores descarregar ou assistir a vídeos mediante o pagamento de uma taxa, assemelhando-se a uma plataforma de ‘streaming’.
A nível internacional a Operação ‘Stream’ foi liderada pela Polícia Criminal do Estado da Baviera (Bayerisches Landeskriminalamt) e pelo Gabinete Central para o Cibercrime da Baviera (ZCB), tendo contado com a participação de agências congéneres de 35 países, acrescentou ainda a PJ.
Ainda este ano, a Europol realizou outra investigação que levou à detenção de pelo menos 25 pessoas por distribuírem através da internet conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial (IA).
Em 28 de fevereiro, a agência europeia revelou que essa operação “foi um dos primeiros casos que envolveu conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial, o que torna a tarefa dos investigadores particularmente difícil devido à falta de legislação relativa a estes crimes”.
À semelhança desta mais recente operação, esta investigação em fevereiro também envolveu um esforço de forças policiais de 18 países.
Sob pressão para combater a criminalidade organizada, a Comissão Europeia propôs na terça-feira o reforço da agência de coordenação policial Europol, duplicando o seu pessoal.
Com mais de 1.400 funcionários, a Europol é uma agência conhecida pela sua ação contra o crime organizado, a cibercriminalidade e o terrorismo. Nos últimos anos, tem participado em operações de desmantelamento de redes de traficantes de seres humanos e de piratas informáticos. No entanto, o executivo europeu quer reforçar o seu papel para a tornar uma agência policial verdadeiramente operacional.
A Comissão pretende igualmente um plano de ação para proteger as crianças e combater a pedofilia, bem como uma estratégia para combater melhor o tráfico de armas de fogo e o branqueamento de capitais. A sua proposta será submetida à aprovação do Parlamento Europeu e dos Estados-membros.