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Dois portugueses entre os 79 detidos de rede de pornografia infantil com quase dois milhões de utilizadores

Investigação levou ao desmantelamento da "KidFlix", uma das plataformas internacionais mais usadas por pedófilos. Dois portugueses foram detidos em flagrante delito. Há 79 suspeitos.

Agência Lusa
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Uma operação internacional da Europol que desmantelou a plataforma de pornografia infantil Kidflix, contou com a participação em Portugal da Polícia Judiciária (PJ), que deteve dois suspeitos em flagrante delito, tendo um deles ficado em prisão preventiva.

Segundo a PJ, a Operação ‘Stream’, a maior operação internacional “jamais realizada, sob a égide da Europol, de combate ao abuso e exploração sexual infantil”, culminou com o encerramento da ‘Kidflix’, “uma das maiores plataformas de partilha de conteúdos de pornografia de menores” e com a detenção de 79 suspeitos, dois dos quais em Portugal.

A Operação ‘Stream’ decorreu entre 10 e 23 de março, tendo identificado 1.393 suspeitos e foram “resgatadas da situação de abuso e exploração sexual 39 crianças”, tendo ainda sido apreendidos mais de três mil dispositivos eletrónicos.

A operação foi coordenada em Portugal pela a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Técnológica (UNC3T) da PJ, que deteve, “em flagrante delito, dois cidadãos, de 28 e 35 anos, ao que tudo indica sem antecedentes criminais”.

“No decurso das várias diligências encetadas por esta Unidade, foi possível recolher relevantes elementos de prova, nomeadamente equipamentos informáticos com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças. Após presença às autoridades judiciárias um dos suspeitos ficou em prisão preventiva”, adiantou a PJ em comunicado.

A plataforma ‘Kidflix’ foi criada em 2021 e, adiantou a PJ, “rapidamente se tornou uma das plataformas mais populares deste tipo de conteúdos”, registando a adesão de cerca de 1,8 milhões de utilizadores entre abril de 2022 e março de 2025.

Ainda segundo a PJ, foram partilhados 91 mil vídeos, “compatíveis com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças, correspondendo a cerca de 6.288 horas de reprodução contínua”.

A plataforma criada em 2021 era, segundo a Europol, uma das mais utilizadas entre pedófilos e permitia os utilizadores descarregar ou assistir a vídeos mediante o pagamento de uma taxa, assemelhando-se a uma plataforma de ‘streaming’.

A nível internacional a Operação ‘Stream’ foi liderada pela Polícia Criminal do Estado da Baviera (Bayerisches Landeskriminalamt) e pelo Gabinete Central para o Cibercrime da Baviera (ZCB), tendo contado com a participação de agências congéneres de 35 países, acrescentou ainda a PJ.

Ainda este ano, a Europol realizou outra investigação que levou à detenção de pelo menos 25 pessoas por distribuírem através da internet conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial (IA).

Em 28 de fevereiro, a agência europeia revelou que essa operação “foi um dos primeiros casos que envolveu conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial, o que torna a tarefa dos investigadores particularmente difícil devido à falta de legislação relativa a estes crimes”.

À semelhança desta mais recente operação, esta investigação em fevereiro também envolveu um esforço de forças policiais de 18 países.

Sob pressão para combater a criminalidade organizada, a Comissão Europeia propôs na terça-feira o reforço da agência de coordenação policial Europol, duplicando o seu pessoal.

Com mais de 1.400 funcionários, a Europol é uma agência conhecida pela sua ação contra o crime organizado, a cibercriminalidade e o terrorismo. Nos últimos anos, tem participado em operações de desmantelamento de redes de traficantes de seres humanos e de piratas informáticos. No entanto, o executivo europeu quer reforçar o seu papel para a tornar uma agência policial verdadeiramente operacional.

A Comissão pretende igualmente um plano de ação para proteger as crianças e combater a pedofilia, bem como uma estratégia para combater melhor o tráfico de armas de fogo e o branqueamento de capitais. A sua proposta será submetida à aprovação do Parlamento Europeu e dos Estados-membros.