Era um daqueles jogos que servia como uma espécie de ponte até ao jogo de todos falam. A poucos dias do Clássico contra o FC Porto, no Dragão, o Benfica recebia o Farense na Luz e sabia que tinha de ganhar para entrar no jogo de que todos falam em igualdade pontual com a liderança do Sporting. Ou seja, era uma espécie de ponte — mas uma ponte que tinha de ser ultrapassada.
A viver o melhor momento da temporada, sem escorregar a nível interno desde o fim de janeiro e da derrota contra o Casa Pia, a equipa de Bruno Lage entrou no mês de abril com os objetivos óbvios de conquistar Campeonato e Taça de Portugal nas próximas semanas. O treinador encarnado tem utilizado a expressão “tropa” para falar do plantel, nas últimas conferências de imprensa de rescaldo dos jogos — e mesmo na antevisão deixou a ideia de que o Benfica está mesmo a implementar uma mentalidade militar.
“É a nossa postura. O nosso foco está completamente no jogo de amanhã. O nosso pensamento tem de ser Farense, Farense, Farense. Preocupar-nos com aquilo que temos de fazer no jogo e com aquilo que controlamos. Depois cabe-me, enquanto treinador, garantir que a equipa jogue o jogo que perspetivamos, de acordo com a qualidade dos nossos jogadores e da nossa equipa. Estamos completamente focados naquilo que controlamos e no nosso jogo. Tanto digo aqui como digo dentro do balneário: é Farense, Farense, Farense”, explicou Bruno Lage.
Assim, neste contexto e sem contar com o lesionado Tomás Araújo, o treinador encarnado adaptava Samuel Dahl à direita da defesa, com Renato Sanches a surgir em detrimento de Florentino no meio-campo e Di María a regressar à titularidade no apoio a Pavlidis, com Aktürkoğlu a aparecer do outro lado. No Farense, que não vencia desde dezembro e está em zona de despromoção, Tozé Marreco tinha Tomané e Rony Lopes no setor mais adiantado.
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Os primeiros instantes demonstraram desde logo que o Benfica iria procurar assumir o controlo do jogo, com Ricardo Velho a ser obrigado a afastar um cruzamento perigoso na área (3′). Logo depois, a resistência do Farense não foi suficiente para um desenho ofensivo perfeito: numa saída muito rápida, Di María recebeu descaído na direita, abriu em Aursnes e o norueguês cruzou rasteiro para o poste mais distante, onde Aktürkoğlu apareceu a desviar (7′).
Os encarnados dominaram por completo durante os 25 minutos iniciais, com uma recuperação à perda de bola muito eficaz e o total controlo do meio-campo. O Farense apresentava-se organizado, mas não conseguia esticar a equipa e raramente saía do próprio meio-campo, com o Benfica a resguardar muito bem a posse de bola e a chegar perto da baliza de Ricardo Velho em poucos passes. Kökçü rematou por cima (18′), Pavlidis desviou ao lado depois de um entendimento entre Di María e Dahl na direita (20′) e o expectável segundo golo apareceu ainda antes da meia-hora.
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Novamente numa transição muito rápida, Trubin lançou a bola até encontrar Aktürkoğlu na esquerda — o turco segurou, cruzou para a área e Pavlidis, com uma boa receção orientada, atirou para bater Ricardo Velho e aumentar a vantagem (23′). Os encarnados baixaram ligeiramente a intensidade a partir do segundo golo, recuando as linhas e concedendo alguma iniciativa ao Farense, e os algarvios aproveitaram para criar duas oportunidades, ambas com Miguel Menino a obrigar Trubin a defesas apertadas (30′ e 42′).
Antes do intervalo, porém, a reação do Farense acabou mesmo por ter consequências. Depois de um canto cobrado na esquerda, Cláudio Falcão cabeceou à trave e Tomás Ribeiro, na recarga, atirou também de cabeça para bater Trubin e reduzir a desvantagem (43′). No fim da primeira parte, o Benfica estava a vencer o Farense na Luz — mas existia a ideia de que a segunda parte podia não ser o passeio no parque que Bruno Lage pretendia.
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O treinador encarnado mexeu logo ao intervalo e trocou Renato Sanches por Leandro Barreiro, sendo que o internacional português teve algumas queixas físicas ainda durante o primeiro tempo. O jogo recomeçou no que parecia ser uma continuação do fim da primeira parte: o Farense estava mais subido, mais agressivo, e o Benfica demonstrava muitas dificuldades para recuperar o controlo que outrora tinha tido.
Ainda assim, ia reinando a eficácia — e a qualidade individual e coletiva. Ainda antes da hora de jogo, Aursnes cruzou da direita para a esquerda, Pavlidis recebeu com o peito e assistiu Aktürkoğlu, que atirou para bisar e aumentar a vantagem (54′). Mas o Farense não desistiu. Os algarvios recusaram afundar, reagiram ao golo sofrido e voltaram a reduzir o marcador, com Rony Lopes a rematar na área para bater Trubin depois de um passe de Derick Poloni (63′).
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Tozé Marreco mexeu nesta altura, lançando Filipe Soares e Rui Costa, e Bruno Lage respondeu com Belotti e Schjelderup já depois de Ricardo Velho defender um bom livre direto de Di María (70′). O jogo mantinha-se algo em aberto, até porque o Farense criava perigo quase sempre que Derick Poloni era projetado na esquerda, e foi partindo progressivamente à medida que o relógio se adiantou — algo que não interessava ao Benfica, que não conseguia controlar as ocorrências.
Rui Costa rematou contra um adversário na área (76′), Trubin defendeu um cabeceamento de Tomané (78′) e Bruno Lage acabou por colocar Aursnes na direita da defesa, passando Samuel Dahl para o lado esquerdo do meio-campo, para tentar parar as investidas de Poloni. Tozé Marreco ainda fez all in com uma tripla substituição, desmontando a linha defensiva de cinco para implementar um 4x4x2, mas já nada mudou.
O Benfica venceu o Farense na Luz, voltou a igualar o Sporting na liderança do Campeonato antes do Clássico no Dragão contra o FC Porto e viu Aktürkoğlu, com dois golos, uma assistência e uma eficácia acima da média, tornar-se decisivo numa noite onde o que parecia fácil à meia-hora ficou muito difícil ainda antes do intervalo.
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