Foi descoberta uma nova espécie de dinossauro em Portugal, desconhecida até agora, e que terá habitado o atual território português há quase 150 milhões de anos. O grupo de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, em colaboração com a Universidad Nacional de Educación a Distancia, explica que o dinossauro, “um peso pesado”, pertence ao grupo dos iguanodontianos.
“Foi uma surpresa”, confessa ao Observador o autor principal do estudo e investigador do GeoBioTech da NOVA FCT, Filippo Maria Rotatori. A análise aos vestígios encontrados em Torres Vedras, por volta de 2010, publicada na revista Journal of Systematic Palaeontology, demonstra que “ainda há muito a aprender” sobre a diversidade deste grupo de dinossauros no Jurássico Superior de Portugal, mas que existem vários indícios de que se trate de um “residente” português. “Além das descobertas principais, descobrimos fémures isolados, de menores dimensões, o que sugere que esta espécie era relativamente comum em Portugal”, continua.
O investigador nota, também, que devido ao “pouco material recuperado”, “não podem atribuir um nome científico formal a esta espécie”. Sabe-se que é “um animal bastante grande”, estimando que pese cerca de uma tonelada, com um comprimento de “cinco ou seis metros entre a ponta do nariz e o fim da cauda”. “Quando estimámos o seu tamanho e massa corporal, descobrimos que este novo dinossauro era significativamente mais corpulento do que outras espécies de iguanodontianos, como Draconyx ou Eousdryosaurus, com as quais muito provavelmente partilhou o ecossistema”, afirma Fernando Escaso, outro autor do estudo, em comunicado emitido pela NOVA FCT.
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Esta descoberta confirma o papel da Bacia Lusitânica como um território-chave para a investigação paleontológica, proporcionando continuamente informações valiosas sobre os antigos ecossistemas da Península Ibérica. “É a primeira vez que encontramos diferentes grupos etários deste tipo de dinossauro em Portugal, o que abre novas possibilidades de investigação”, explica Bruno Camilo, diretor do Ci2Paleo da Sociedade de História Natural de Torres Vedras.
Um outro fator realçado pelos investigadores é a semelhança com espécies do mesmo grupo (iguanodontiano) que foram documentadas em outras zonas do globo, tanto na Europa como na América do Norte, reforçando a “importância europeia na história evolutiva e migratória dos dinossauros”. O papel da Península Ibérica nas “trocas faunísticas entre continentes” durante o Jurássico continua a ser um tópico de grande importância para os autores do estudo, que continuam a “trabalhar para compreender como estes processos se desenvolveram.