Ninguém estava à espera quando surgiram os rumores, todos estavam à espera quando surgiu a confirmação. Depois de apenas duas etapas do Mundial de Fórmula 1, a Red Bull decidiu reverter a aposta feita no jovem Liam Lawson e despromovê-lo à equipa-satélite, provocando a movimentação inversa de Yuki Tsunoda, que deixou a RB para se tornar o colega de Max Verstappen.
O piloto de 24 anos, que está já a realizar a quinta temporada na Fórmula 1, vai estrear-se pela Red Bull no próximo fim de semana e desde logo em casa, no Grande Prémio do Japão. A subida de Yuki Tsunoda, porém, está a levantar muitas questões em relação à estratégia da equipa para o ano que agora começou — até porque, embora o japonês estivesse a realizar um bom arranque de Mundial na RB, existe a sensação de que a decisão de afastar Liam Lawson foi prematura e causou muito desconforto em Milton Keynes.
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A imprensa especializada garante que até Max Verstappen ficou descontente com a mudança, já que acreditava que Liam Lawson precisava de mais tempo para se habituar ao RB21, e intensificam-se as vozes que dizem que a Red Bull ainda não recuperou da saída de Adrian Newey, engenheiro responsável por todos os títulos conquistados nas últimas duas décadas que se mudou para a Aston Martin. Já Ralf Schumacher, antigo piloto alemão, atira a Helmut Marko, assessor executivo da equipa desde 2005.
“Por muito que tenha apreço por ele, o Dr. Helmut Marko desempenha um papel algo desafortunado, por vezes. Por um lado, aposta nos jovens talentos, por outro, exige demasiado. Não lhes dá tempo suficiente para que possam render. Duas corridas ao lado de Max Verstappen não é suficiente, o carro é muito difícil de conduzir e não está a fazer favor nenhum aos jovens”, explicou Schumacher em declarações à Sky.
Na mesma entrevista, o alemão acrescentou que a Red Bull é atualmente “um grupo de pessoas sem norte”. “Têm de apagar incêndios diariamente. Se pensarmos onde já esteve a Red Bull e onde está agora… Estariam afogados na mediocridade se não tivesse o Verstappen, que é quem consegue tirá-los das chamas constantemente”, atirou, recordando que, apesar de a equipa estar no terceiro lugar do Mundial de Construtores, o neerlandês está no segundo lugar da classificação de pilotos a apenas oito pontos do líder, Lando Norris.
https://observador.pt/2025/03/23/a-paciencia-acabou-ao-fim-de-duas-corridas-red-bull-ja-pensa-trocar-liam-lawson-por-yuki-tsunoda/
Quem também aproveitou a mudança precoce na Red Bull para recordar que nem sempre foi feliz ao lado de Max Verstappen, de forma natural, foi Sergio Pérez. “Só agora é que as pessoas estão a entender que a minha posição não foi das mais fáceis na Fórmula 1 e que, no geral, eu consegui sair-me extremamente bem. Especialmente no ano passado, não tive a oportunidade de mostrar o que posso fazer como piloto, mas agora as pessoas percebem o quão difícil era conduzir o carro”, disse o piloto mexicano em declarações ao site oficial da Fórmula 1.
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“Quando entre para a Red Bull já havia pilotos excecionais, como o Alexander Albon e o Pierre Gasly, que tinham sofrido. Passei tanto tempo na Red Bull que todos se esqueceram do quão difícil é conduzir aquele carro. As pessoas têm memória curta e algumas corridas más são o suficiente para fazer esquecer o que fizemos de bom”, acrescentou Sergio Pérez.
Ainda assim, o piloto garante que quer que a Red Bull, que ainda não conseguiu vencer em 2025, tenha a capacidade de melhorar. “Quero que se saiam bem, porque passei lá quatro anos e quero que recuperem. É difícil saber o que está a acontecer internamente porque, mesmo que tenha mantido contacto com alguns elementos, estou fora da equipa. É difícil entender quando não estamos lá dentro. Mas no fim de contas é fácil dizer que o carro é difícil de explorar a 100% e que não lhes dá a confiança necessária, o Adrian Newey também falou sobre isso no passado. Mas desejo-lhes o melhor”, terminou.
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Certo é que, mesmo com as indefinições, Yuki Tsunoda vai estrear-se pela Red Bull no Japão. O piloto nunca conduziu o RB21, apenas testou no simulador, e a verdade é que nunca poderia recusar a promoção — já que contratualmente estava obrigado a trocar a RB pela Red Bull se a estrutura assim o pretendesse. Nas primeiras palavras enquanto colega de Max Verstappen, Tsunoda deixou claro qual é o objetivo para a temporada: estar sempre o mais perto possível do neerlandês que é tetracampeão mundial.
“Tenho de estar o mais perto possível do Max para tentar competir pelo Mundial de Construtores e beneficiar a equipa estrategicamente em todas as corridas”, começou por dizer. “Tenho consciência dos desafios do RB21 e o meu trabalho é tentar compreendê-lo e desenvolver o carro. O meu primeiro objetivo é familiarizar-me com ele e já o conduzi no simulador, mas a primeira vez será mesmo nos treinos. Tenho de ganhar ritmo rapidamente. Tenho estado a trabalhar com a minha nova equipa no Reino Unido durante a última semana para me preparar o melhor possível e vou manter essa ética quando chegarmos a Suzuka. Vou aprender com o Max e tentar aproveitar ao máximo o fim de semana para a equipa. O meu objetivo é conduzir rápido, oferecer muita informação e melhorar o carro”, disse o piloto japonês, que foi 12.º e 16.º nas duas primeiras corridas do ano, para além de ter ficado em sexto na sprint da China.
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