A magia da Taça não olha a latitudes, aparece em qualquer país e é capaz de surpreender qualquer clube, mesmo aqueles que parecem imbatíveis. É considerada a competição mais democrática e a que proporciona o maior tipo de histórias e as mais impactantes. A mais recente chega da Alemanha e tem no papel principal o Arminia Bielefeld, conjunto que se encontra no terceiro escalão do futebol germânico, a lutar para regressar à Bundesliga 2. Contudo, foi a partida desta terça-feira frente ao campeão Bayer Leverkusen que colocou os die arminen nas manchetes dos jornais.
Num duelo sem portugueses mas com dois treinadores espanhóis nos bancos — Daniel Jara como adjunto Michél Kniat na formação da casa e Xabi Alonso nos werkself —, o Arminia fez história, eliminou o “super” Bayer Leverkusen e apurou-se pela primeira vez para a final da Taça da Alemanha. Tudo aconteceu na SchücoArena, em Bielefeld, que contou com cerca de 27 mil espectadores. Curiosamente, os ainda detentores do Campeonato e da Taça até começaram melhor, marcando por Tah aos 17 minutos. Marius Wörl fez o empate pouco depois (20′) e, em cima do intervalo, Max Grosser completou a reviravolta, fixando o resultado em 2-1 (45+3′). Deste modo, o Arminia deixou o campeão germânico pelo caminho, já depois de ter eliminado Union Berlim, Friburgo e Werder Bremen… três equipas da Bundesliga.
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“É difícil dizer o que aconteceu. Temos que ser honestos e admitir que o Arminia Bielefeld é o merecido vencedor. Cometemos muitos erros. Perdemos tudo o que nos torna fortes. O Arminia Bielfeld ganhou praticamente todas as segundas bolas… Não podes vencer nenhuma equipa do mundo dessa forma. É de longe o pior jogo da temporada. Errámos”, assumiu Robert Andrich, titular no meio-campo do Bayer Leverkusen, após a partida. Como referiu o médio, a equipa da casa conseguiu condicionar a circulação de bola da formação de Xabi Alonso, algo que foi pouco visto nas últimas duas temporadas. Na outra esfera do campo de jogo, as transições rápidas e os passes para as costas da defesa também surpreenderam os die arminen, que acabaram por ceder perante aquele que é, em toda a história, o quarto finalista da terceira divisão – Hertha Berlim B, Energie Cottbus e Union Berlim lograram o mesmo feito.
Já Fernando Carro, diretor executivo dos farmacêuticos, desculpou a eliminação com o estado da… relva. “Fiquei revoltado antes do jogo porque o relvado não foi regado! Tenho de dizer isto ao Rettig [Andreas Rettig, diretor geral da Federação Alemã de Futebol, DFB]. Foi um falhanço coletivo. No entanto, irrita-me que o campo não tenha sido regado. Isso é uma questão de regulamento. A DFB devia impor uma sanção! É totalmente inaceitável!”, cita o Bild, que apelidou este caso inusitado de “truque aquático” e acrescenta que Carro vai apresentar uma queixa contra o clube da casa.
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Em resposta, Michél Kniat, técnico do Arminia Bielefed, disse que o clube tinha de “construir um campo de cinza” para a sua equipa “ter mais algumas hipóteses”. “São estas as nossas regras aqui. Ponto final!”, concluiu. Já o diretor desportivo Michael Mutzel assumiu que o relvado não foi regado antes da partida porque não é prática “em nenhum jogo do Campeonato”. “Porque haveríamos de fazer isso hoje? Seríamos prejudicados se regássemos o relvado! Falámos sobre a rega da relva com o árbitro antes do jogo. Se o relvado foi regado de manhã, não é preciso voltar a regá-lo. Basta fazê-lo durante o dia, quando acharmos conveniente”, acrescentou.
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Segundo o Kicker, até às meias-finais, o Arminia Bielefeld já tinha amealhado 7,5 milhões de euros com a prestação na Taça da Alemanha. Caso se sagre vencedora, a equipa vai receber mais 4,32 milhões, garantindo desde já 2,88 milhões só pela presença na final. Para além disso tem direito a 45% da receita de bilheteira da meia-final e da final, pelo que se espera que esta histórica presença valha mais de 12 milhões, quantia significante para uma equipa do terceiro escalão. Não menos importante é a vaga na fase de grupos da Liga Europa que está em jogo e que pode chegar a Bielefeld em caso de triunfo, com a Bundesliga a passar de sete para seis vagas europeias (quatro para a Liga dos Campeões, uma para a Liga Europa e outra para a Liga Conferência). Segue-se Estugarda ou RB Leipzig.
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