“Coelho Branco Coelho Vermelho”, de Nassim Soleimanpour
Teatro Maria Matos, Lisboa (até 3 de junho)
Uma peça sem ensaios e sem encenador. Até 3 de junho, uma série de atores portugueses lançam-se sem rede a Coelho Branco Coelho Vermelho, espetáculo que Nassim Soleimanpour criou em 2010 quando foi impedido de sair do Irão por se ter recusado a cumprir o serviço militar. O dramaturgo iraniano “condensou a experiência de toda uma geração” na peça, que sem ele corre o mundo. “É tanto sobre o Irão contemporâneo como sobre as dinâmicas de poder no resto do mundo”, lê-se na folha de sala.

Todas as terças-feiras, o palco do Teatro Maria Matos recebe um intérprete diferente e um envelope fechado para cumprir o espetáculo. Beatriz Batarda (na fotografia) sobre a palco já no dia 1 de abril. Seguem-na Diogo Infante (8), Ana Bola (15), Gabriela Barros (22), Rui Melo (6 de maio), Rita Blanco (13 de maio), Miguel Guilherme (20 de maio), Rui Maria Pêgo (27 de maio) e Ivo Canelas (3 de junho).
“Cafézinho”, de Gaya de Medeiros
Culturgest, Lisboa (10 a 12 de abril), Auditório Municipal de Gaia, Vila Nova de Gaia (24 e 25 de abril)
Gaya de Medeiros mostra finalmente o seu Cafézinho no grande palco, depois de um pequeno vislumbre no BoCA, em 2023. A partir do ambiente proposto no emblemático espetáculo Café Müller (1978), de Pina Bausch, que curiosamente se dançou pela última vez em Lisboa, a coreógrafa e bailarina brasileira a residir em Lisboa, tece uma reflexão multigeracional sobre a depressão e a finitude, com um elenco de bailarinas, cantoras e músicos, entre os 23 e os 61 anos.

O trabalho propõe dançar a teimosia, repensando os clássicos e os cânones, questionando o que desejamos que sobreviva ao tempo. “Tempo, se for para me comer, que seja com meu consentimento”, diz a artista, que regressa ao DDD, não sem antes mostrar o espetáculo na Culturgest, em Lisboa.
“Coppélia ou a Rapariga de Olhos de Esmalte”
Teatro Camões, Lisboa (11 a 29 de abril)
Depois de 15 anos desde a última apresentação, a Companhia Nacional de Bailado recupera o clássico de John Auld segundo Arthur Saint Léon, Marius Petipa e Enrico Cecchetti com música de Léo Delibes. Com a Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida por Pedro Carneiro, Coppélia volta ao Teatro Camões para nos confrontar com a fronteira ténue entre o real e o ilusório, numa altura em que o fascínio pelo avanço tecnológico permanece tão vívido como no século XIX.

Estreado no Théâtre Impérial de l’Opéra em Paris a 25 de maio de 1870, a história centra-se em Swanilda e Franz, que, prestes a casar, se veem envoltos numa série de mal-entendidos por causa de uma rapariga que aparece frequentemente à janela do atelier de um fabricante de bonecas, Dr. Coppélius. Trata-se, descobrirão, de uma boneca mecanizada: Coppélia.
Os bailarinos portugueses do Ballet Estatal da Baviera, em Munique, António Casalinho, Bailarino Principal, e Margarita Fernandes, Primeira Solista, interpretam os papéis de Franz e Swanhilda, naquela que é a primeira vez que os premiados bailarinos dançam com a CNB. A cenografia e os figurinos são de David Mohre.
“Solas”, de Candela Capitán
Teatro das Figuras, Faro (16 de abril)
Cinco bailarinas e cinco computadores estão em palco. Solas, de Candela Capitán, é uma criação que explora a sobre-exposição do corpo feminino na era digital, com uma coreografia baseada em figuras eróticas acumulativas. De fatos de vinil cor-de-rosa e botas de salto alto, cinco mulheres executam uma série de posições idênticas, repetitivas, para o ecrã do computador. A banda sonora mistura techno e reggaeton, destacando a influência masculina no género.

Depois de se estrear em 2023 no Teatros del Canal, em Madrid, a peça da coreógrafa, bailarina e performer espanhola chega ao Teatro das Figuras, em Faro, no âmbito do Festival Verão Azul.
“Os Gigantes”, de Victor Hugo Pontes & Dançando com a Diferença
Teatro Municipal do Porto — Grande Auditório do Rivoli, Porto (23 e 24 de abril), Teatro Viriato, Viseu (30 de abril)
Os Gigantes, colaboração entre Victor Hugo Pontes e a Dançando com a Diferença, marca o arranque do DDD — Dias da Dança, festival portuense dedicado à dança que decorre de 23 de abril e 4 de maio. Os Gigantes da Montanha (I giganti della montagna, no original, é a última peça de Luigi Pirandello — dramaturgo italiano sobre o qual o coreógrafo já se debruçara em Drama (2019), a partir da peça seminal Seis Personagens à Procura de um Autor.

Sabendo que a peça Gigantes foi interrompida pela morte do autor, Victor Hugo Pontes trabalha sobre esta ideia – a de que tudo o que acontece em palco é inacabado. Desafiado pela companhia madeirense dirigida por Henrique Amoedo, o coreógrafo cria um espetáculo que incide nos limites que separam verdade e ilusão, mas também riso e lágrima. A banda sonora é dos portuenses Throes + The Shine.