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Esperança à vista no tratamento do autismo

Cerca de uma centena de estudos avaliaram as células estaminais provenientes do cordão umbilical indicando que essa abordagem pode ser uma alternativa segura e eficaz para tratar a condição.

Andreia Gomes
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A Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é uma condição complexa que afeta o desenvolvimento neurológico e impacta habilidades como comunicação, interação social e comportamento.

A verdade é que, nos últimos anos, o número de diagnósticos de autismo tem aumentado significativamente, um reflexo de uma maior conscientização e do avanço nas metodologias de diagnóstico desta condição. Em Portugal, a prevalência do autismo é de 1 em cada 200 pessoas, com aproximadamente 1 em 160 crianças a receber este diagnóstico.

No cenário mundial, Portugal é o 24.º país com mais diagnóstico de crianças com autismo, o que envolve uma avaliação detalhada do comportamento e do desenvolvimento da criança, sendo o diagnóstico precoce crucial para a implementação de intervenções que melhorem a qualidade de vida. Embora ainda não exista uma cura para o autismo, sabe-se que os tratamentos como a terapia comportamental, terapia da fala e apoio educacional têm mostrado melhorar as habilidades e a funcionalidade das pessoas com PEA. Além disso, existe investigação constante, onde são explorados os fatores genéticos e ambientais que podem influenciar o desenvolvimento do autismo, com o objetivo de oferecer soluções mais específicas e eficazes para cada indivíduo.

Aliás, uma possível terapia que tem gerado muito interesse é o uso de células estaminais de várias fontes, com mais de 1500 estudos a avaliar esta abordagem e a obter resultados promissores. Entre estes estudos, cerca de uma centena, avaliaram as células estaminais provenientes do cordão umbilical indicando que essa abordagem pode ser uma alternativa segura e eficaz para tratar a condição. Este ano, mais de 15 ensaios clínicos estão em andamento para avaliar os efeitos da infusão de células estaminais, tanto do sangue como de tecido do cordão umbilical, em crianças e/ou adultos diagnosticadas com PEA.

Recentemente, num ensaio clínico, cerca de metade das crianças participantes apresentaram melhorias significativas nos sintomas, com a redução da gravidade do autismo. Esta é até uma realidade que nos é muito próxima. O Salvador, um menino de seis anos, foi diagnosticado com autismo, e realizou um tratamento inovador, no âmbito de um protocolo expandido de um ensaio clínico, com recurso às células estaminais de sangue do cordão umbilical que tinham sido criopreservadas.

Neste caso bem inspirador, dois a três meses após receber o tratamento, assistiu-se a melhorias no controlo da hiperatividade e no desenvolvimento da fala. Para muitas famílias, a criopreservação é vista como um seguro de saúde, oferecendo uma possível alternativa de tratamento para doenças no futuro, e casos como o do Salvador e em muitos outros, ter acesso às células estaminais pode ser um recurso valioso para tratamentos futuros, melhorando a qualidade de vida dos pacientes e das suas famílias.

Embora esta seja ainda uma área relativamente “recente”, o cordão umbilical tem demonstrado um grande potencial em muitas áreas da medicina, tornando a criopreservação das células estaminais uma escolha válida para cada vez mais famílias. A ciência continua a evoluir e o céu poderá ser mesmo o limite para tantas crianças!