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(A) ::  Portugal não pode continuar a meter água desta forma

 Portugal não pode continuar a meter água desta forma

Portugal desperdiça, a cada hora, o equivalente a 10 piscinas olímpicas de água potável.

Eduardo Marques
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A normalidade bucólica do quotidiano, com a água a fluir silenciosamente das torneiras, esconde uma realidade inquietante: Portugal desperdiça, a cada hora, o equivalente a 10 piscinas olímpicas de água potável. Este não é apenas um problema técnico ou financeiro, é um alerta vermelho para a sustentabilidade do nosso futuro.

O Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2024) confirmou o que já era evidente para quem acompanha o setor da água: estagnámos. E pior, estamos a comprometer um recurso essencial para a vida e para o desenvolvimento sustentável do País, porque a eficiência na gestão da água é um imperativo inadiável. Todos damos como adquirido determinados valores ou serviços, mas é um erro, veja-se a atual situação geopolítica global, com contornos que seriam impensáveis há poucos anos atrás.  Igualmente damos como adquirido que podemos abrir as torneiras e ter sempre água de qualidade e na quantidade necessária, mas desenganemo-nos: pode não ser bem assim no futuro.

As perdas médias de água de 28,3%, nas redes das entidades públicas, contrastam com os 15,2% das redes das concessões privadas, e demonstram um desequilíbrio alarmante, que reflete a urgência da mudança. É imperioso modernizar infraestruturas, apostar em soluções inovadoras e fomentar modelos de gestão que privilegiem a eficiência e a sustentabilidade ambiental e financeira. O setor privado tem vindo a demonstrar, de forma consistente, um desempenho superior, resultado de uma gestão profissionalizada, tecnologicamente inovadora e financeiramente sustentável. Não é por acaso que entidades gestoras que apostaram em parcerias entre operadores públicos e privados para garantir a modernização e maior eficiência das infraestruturas hídricas alcançaram excelentes resultados de redução de perdas de água.  Devemos olhar para estes casos de sucesso e refletir como se podem ajustar à totalidade da realidade nacional.

Prova da maior eficiência e do melhor serviço prestado ao consumidor final é o reconhecimento recente da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), que atribuiu 86% das distinções de excelência a entidades privadas. Estes resultados são a evidência de um setor que responde com rigor, competência e responsabilidade aos desafios da sustentabilidade.

O setor privado não é apenas um interveniente opcional, é um aliado fundamental para garantir serviços de qualidade e uma gestão eficiente dos recursos hídricos. A sua capacidade de investimento, aliada à experiência e à aposta na inovação, permite assegurar infraestruturas mais resilientes e melhores serviços ao consumidor ao custo mais baixo.

A estratégia nacional para a água, através do programa “Água que Une”, aponta caminhos positivos, mas só será eficaz se houver uma verdadeira abertura a uma gestão moderna e inclusiva, onde todas as competências são mobilizadas. Precisamos de um compromisso real com a eficiência, nomeadamente a eficiência hídrica, com a sustentabilidade económica das entidades gestoras e, sobretudo, com a qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.

Portugal não pode continuar a apresentar indicadores inadmissíveis de perda de água, ano após ano, numa eterna resignação, como se tudo isso fosse um fado. O tempo para debates inconclusivos terminou. É hora de agir, de modernizar e de garantir que o recurso mais precioso da Humanidade não desaparece no desalento do desperdício e da ineficiência. As empresas privadas do setor da água têm estado na vanguarda da transformação deste paradigma e continuarão a liderar a inovação, a eficiência e a sustentabilidade.

A AEPSA reafirma o compromisso dos seus associados de contribuírem, ativamente, para esta mudança, através de investimentos estratégicos, inovação tecnológica e boas práticas que assegurem um serviço de água eficiente, equitativo e sustentável. A solução está ao nosso alcance e passa por estimular um setor mais competitivo, dinâmico e orientado para a qualidade. O futuro da água e dos serviços da água, em Portugal, dependem das decisões que tomarmos hoje.