
A frase
“Quem tem MB Way no telemóvel já tem os dados bancários registados no Google! Um ‘reset’ [e] ficam com as contas a 0 (zero)”
— Utilizador de Facebook, 19 de março de 2025
A publicação em causa, nas rede social Facebook, sugere que quem tem a aplicação MB Way no telemóvel não está seguro, acrescentando que “já tem os dados bancários registados no Google” e que bastará “um ‘reset‘ [e] ficam com as contas a 0 (zero)”. Ora, a acusação parte do princípio de que quem utiliza o serviço pode ser alvo de fraude, podendo ficar sem dinheiro nas contas bancárias associadas — uma acusação que gera preocupação nos utilizadores.

Questionado pelo Observador, a SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços, SA), entidade a que pertence o MB Way, desmente a publicação e a insinuação em causa, deixando claro que se trata de “um serviço multibanco que apresenta o mesmo nível de segurança a que os utilizadores estão habituados ao utilizarem os terminais de pagamento”.
“O serviço cumpre com as regras de segurança de dados bancários e utiliza protocolos e algoritmos de que garantem a confidencialidade, integridade e autenticação dos dados transmitidos, processados e armazenados seguindo as mais recentes e exigentes normas de segurança europeias”, acrescenta a SIBS.
Além disso, a entidade esclarece que “todas as comunicações e transações MB WAY são monitorizadas 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano por sistemas de prevenção de fraude, suportado numa equipa totalmente dedicada à prevenção e deteção de fraude”.
Recorde-se que o MB WAY se apresenta como uma “solução digital” que serve para “simplificar os pagamentos” e que permite, ao associar um número de telemóvel ao cartão bancário, “fazer compras online e em lojas físicas, enviar, receber e pedir dinheiro, levantar dinheiro e utilizar o multibanco”, segundo informações retiradas do site oficial.
Em outubro de 2024, a SIBS revelou que o número de utilizadores da aplicação subiu para seis milhões, frisando que, “em média, por mês, são mais de 70 milhões de operações, incluindo compras físicas e online, pelos mais de 10 milhões de cartões adicionados na plataforma”.
A somar a todas as informações públicas sobre a empresa, uma afirmação desta dimensão, caso fosse verdade, nunca passaria despercebida, tendo em conta que o MB Way é cada vez mais usado pelos portugueses.
Aliás, outras fraudes — e não a ideia de que as contas dos utilizadores podem ficar a zeros — têm feito correr muita tinta nos órgãos de comunicação social, à cabeça a burla conhecida como “Olá, pai. Olá, mãe”, em que os responsáveis contactam as vítimas e pedem que lhes seja transferido dinheiro, não raras vezes pelo MB Way e outras por transferência.
Foram centenas as queixas que chegaram às mãos das autoridades nos últimos anos e houve notícias de que algumas das redes foram desmanteladas, ainda que continue a haver relatos do género. Em agosto de 2024, por exemplo, o Observador escreveu aqui que, num ano e meio, a Polícia Judiciária tinha recebido quatro mil novos casos.
A PSP chegou a explicar que a melhor forma de a pessoa (possível vítima) se certificar de que o pedido é verdadeiro é ligar para o número de origem da mensagem, uma vez que os burlões não atendem e acabam por optar apenas pela comunicação através de mensagens escritas.
https://observador.pt/especiais/ola-pai-ola-mae-como-funcionava-e-como-foi-desmantelado-o-esquema-de-burlas-que-desviou-milhares-de-euros-das-contas-dos-portugueses/
Conclusão
O serviço MB Way, apesar de ser online, é gerido pela SIBS, a responsável pela gestão das redes multibanco, nos seus múltiplos canais, e garante que “todas as comunicações e transações são monitorizadas 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano por sistemas de prevenção de fraude, suportado numa equipa totalmente dedicada à prevenção e deteção de fraude”. A ideia de que a utilização do MB Way não é segura não tem qualquer fundo de verdade, pelo menos até então não há nada que o comprove.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.