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Fact Check. Vídeo mostra autoridades chinesas a destruir uma mesquita?

Publicação alega que a China destruiu uma mesquita, ligando este alegado ato com a perseguição à minoria muçulmana. Mas o vídeo não foi gravado na China nem mostra destruição de uma mesquita.

Tiago Caeiro
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A frase

A China declara oficialmente o Islão uma ‘doença mental’ e está destruindo centenas de mesquitas.

— Utilizador de Facebook, 13 de março de 2025

Uma publicação que se encontra a circular na rede social Facebook alega que a China está a destruir centenas de mesquitas, por considerar o Islamismo “uma doença mental”. “A China declara oficialmente o Islão uma ‘doença mental’ e está destruindo centenas de mesquitas. ‘Quem estiver incomodado por não ter onde orar, volte para seu país'”, pode ler-se na publicação, que alegadamente cita as autoridades chinesas.

O post em causa tem também acoplado um vídeo, que mostra o que parece ser uma mesquita a ser destruída por uma máquina auto-escavadora, perante o olhar de vários elementos das forças de segurança.

A repressão levada a cabo pelo regime chinês, ao longo dos últimos anos, contra a população muçulmana que habita no país é uma realidade documentada por diversas organizações não governamentais — que têm alertado para o desrespeito reiterado de Pequim pelos direitos humanos de parte da população que habita a província de Xinjiang, no noroeste do país.

Em agosto de 2022, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou abusos cometidos pelo governo chinês contra os uigures e outras minorias predominantemente muçulmanas (como a tortura e prisão em massa em campos de internamento), classificando a atuação das autoridades como “crimes contra a humanidade”.

Já antes, em 2021, a Amnistia Internacional tinha criticado o que considerava serem as perseguições sistemáticas contra os uigures. Foram divulgadas dezenas de testemunhos de ex-detidos, que foram alvo de tortura, com o objetivo último de renunciarem às suas crenças religiosas, práticas culturais e idiomas. Nos chamados campos de internamento, as autoridades vigiam todos os movimentos dos muçulmanos, a quem tentam incutir os ideias do Partido Comunista Chinês.

Mas será que a política de repressão também implica a destruição de mesquitas, o local de culto dos muçulmanos? Um relatório da Human Rights Watch, de 2023, acusou também a China de encerrar e demolir mesquitas no seu território.

No entanto, o vídeo partilhado no Facebook não foi gravado na China, nem mostra a destruição de uma mesquita. As imagens foram gravadas num parque de diversões na Indonésia, que foi encerrado e demolido por ordem das autoridades locais. As imagens disponíveis online do Hibisc Fantasy Park coincidem com a infraestrutura que é demolida no vídeo.

Segundo a imprensa indonésia, foi o governador de Java Ocidental (a província que abarca a zona de Jacarta, nas imediações das quais se localizava o parque), Dedi Mulyadi, a ordenar, em março de 2025, a demolição das infraestruturas do parque — que tinha aberto as portas há apenas três meses, em dezembro.  Segundo as autoridades, o Hibisc Fantasy Park contribuiu para as inundações que afetaram a capital indonésia no início de março, e que provocaram a morte a três pessoas.

A construção do parque — localizado a 75 quilómetros a sul de Jacarta e numa zona montanhosa — terá levado ao desmatamento de uma grande área florestal, impedindo, dessa forma, a retenção das águas da chuvas.

Conclusão

O vídeo em causa é verdadeiro mas não mostra a destruição de uma mesquita na China. Mostra, sim, a demolição de um parque de diversões nos arredores de Jacarta, a capital indonésia.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.