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Fact Check. Macron chama "carniceiro" a Putin durante conferência de imprensa com Trump?

O Presidente de França está a ser acusado de, durante uma conferência de imprensa conjunta com Donald Trump, ter chamado "carniceiro" ao Presidente da Rússia.

Inês André Figueiredo
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A frase

O Presidente de França, Emmanuel Macron, chamou a Putin ‘carniceiro’ e fez comentários sobre os seus ‘crimes de guerra’.

— Utilizador do Facebook, 24 de março de 2025

Emmanuel Macron está a ser acusado de ter dito, durante uma conferência de imprensa ao lado de Donald Trump, na Casa Branca, que Vladimir Putin, Presidente da Rússia, era um “carniceiro”. Em causa está, alegadamente, a utilização da palavra “butcher” por parte do chefe de Estado francês, que significa “carniceiro” em português.

Ora, o que o Presidente de França disse não foi “butcher” e sim “Bucha”, a cidade a cerca de 30 quilómetros de Kiev, onde, durante a invasão da Rússia à Ucrânia, houve aquilo que foi considerado um massacre e que levou à investigação de alegados crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Os números apontam para mais de 400 mortos e as imagens que foram captadas após a saída dos russos da cidade marcaram a guerra na Ucrânia.

https://observador.pt/especiais/o-massacre-em-bucha-o-relatorio-que-culpa-putin-e-as-parecencas-com-a-armenia-esta-a-russia-a-cometer-genocidio-na-ucrania/

Era exatamente a isso que Macron se estava a referir, tanto que falou dos “crimes de guerra” em Bucha. Nessa conferência de imprensa conjunta, na Casa Branca, o chefe de Estado francês reconheceu que o homólogo norte-americano “tem boas razões para retomar o diálogo com o Presidente Putin” e explicou que só parou de tentar contactar com chefe de Estado russo “após Bucha e os crimes de guerra”.

“Partilhamos o objetivo da paz, mas estamos muito conscientes da necessidade de garantias para alcançar uma paz estável que permita que a situação estabilize”, acrescentou Macron, citando por diversas vezes o exemplo dos acordos de Minsk, forjados após a anexação da Crimeia, que não foram capazes de impedir a invasão de larga escala em 2022. Nesse sentido, não só realçou a necessidade de “garantias de segurança”, como repetiu as declarações de Trump, quando diz quer pretende ser um “ator pela paz” na região.

Aliás, na mais recente história da diplomacia relativa à guerra na Ucrânia, há um episódio com Joe Biden, quando ainda era Presidente dos EUA, em que utiliza exatamente a palavra “carniceiro” para descrever Vladimir Putin, durante um encontro com refugiados ucranianos na Polónia.

Essa atitude levou Emmanuel Macron a reagir, alertando para uma “escalada verbal” que deveria ser evitada. “Temos de fazer tudo para impedir esta situação de escalar. Eu não usaria estas palavras, porque continuo a falar com o Presidente Putin”, disse Macron, em entrevista à estação pública francesa France 3, quando ainda mantinha o contacto com o Presidente da Rússia. Seja como for, independentemente da posição anterior, a verdade é que o Presidente de França não chamou “carniceiro” a Putin naquela conferência de imprensa.

https://observador.pt/2025/02/25/trump-e-macron-discutem-paz-na-ucrania-o-dia-de-conversas-pautado-por-elogios-uma-correcao-e-a-promessa-do-fim-da-guerra/

Conclusão

Não é verdade que Emmanuel Macron tenha chamado “carniceiro” a Vladimir Putin, Presidente russo, durante uma conferência conjunta, ao lado de Donald Trump. O Presidente francês referiu-se aos “crimes de guerra” em Bucha, na Ucrânia, sem nunca se referir ao chefe de Estado russo como um “carniceiro”. Desta forma, a frase de Macron foi deturpada para se alimentar uma narrativa errada.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.