Quando se deparou com a primeira vítima, na manhã do último dia de julho de 1992, num exíguo barracão de madeira na Póvoa de Santo Adrião, a Polícia Judiciária soube imediatamente que o que tinha em mãos estava longe de ser “apenas” mais um crime.
A mulher era prostituta e toxicodependente. Foi encontrada morta, no chão do barracão, com sinais de extrema violência; tinha hematomas no corpo e na face e um corte longitudinal na barriga, por onde lhe tinham sido arrancados os intestinos. Os investigadores nunca tinham visto nada assim. Aquilo que, naquela manhã de verão, ainda não tinham como saber é que Maria Valentina Pereira Lopes seria apenas a primeira vítima.
Isso mudou na manhã do dia 2 de janeiro de 1993, quando o corpo de outra mulher, também ela prostituta, foi encontrado no chão de outro barracão, dessa vez junto à estação de comboios de Entrecampos, no centro de Lisboa. Assim que a equipa de piquete aos Homicídios da PJ chegou ao local do crime, reconheceu imediatamente o modus operandi. Maria Fernanda Matos tinha sido vítima do mesmo assassino.
Desde o momento em que a polícia percebeu que havia um assassino em série à solta em Lisboa até aparecer a terceira vítima, passaram apenas mais três meses. Maria João Rodrigues Vieira André dos Santos também era toxicodependente e, como Maria Valentina, também se prostituía para pagar o vício. Detalhe: frequentava os mesmos locais que a primeira vítima e tinha até colaborado com a PJ para tentar apanhar o responsável pelos homicídios.
Para capturar o assassino, que rapidamente começou a identificar como “O Estripador de Lisboa”, a PJ montou uma verdadeira caça ao homem.
Interrogou centenas de pessoas, teve mais de uma dezena de suspeitos, e, quando tudo falhou, viu-se obrigada a criar um grupo especial para investigar os crimes e a pedir ajuda à polícia internacional com mais experiência na perseguição de assassinos em série, o FBI.
“A Caça ao Estripador de Lisboa” revela todos os passos da investigação, que durou anos e hoje ainda continua a ter ecos, mais de 20 anos depois dos crimes. É uma série para ouvir em seis episódios que faz parte dos Podcast Plus do Observador, tem narração da atriz Inês Castel-Branco e conta com banda sonora original de Mário Laginha.
Pode ouvir todos os episódios aqui:
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/estreia-a-caca-ao-estripador-de-lisboa-episodio-1-foi-a-ultima-vez-que-a-viu-2/
“Anda um serial killer à solta”
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/episodio-2-anda-um-serial-killer-a-solta/
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/episodio-3-o-assassino-comete-um-erro/
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/episodio-4-e-preciso-chamar-o-fbi/
“Um roubo na sala de autópsias”
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/episodio-5-um-roubo-na-sala-de-autopsias/
“Sei quem é o Estripador de Lisboa”
https://observador.pt/programas/a-caa-ao-estripador-de-lisboa/episodio-6-sei-quem-e-o-estripador-de-lisboa/