Guilherme Blanc, atual diretor artístico do Batalha Centro de Cinema, no Porto, está de saída do cinema na Invicta para ocupar o cargo de diretor adjunto para a cultura na Fundação Calouste Gulbenkian, confirma ao Observador.
“Foi um convite que me criou muito ânimo e entusiasmo”, diz ao Observador, adiantando que entra em funções na Fundação em outubro. Do Batalha recorda um “projeto singular a todos os níveis” e a sensação de missão cumprida.
O investigador, professor e programador, que chegou a ser o responsável na Câmara do Porto pelo Departamento de Arte Contemporânea e de Cinema, é diretor artístico do Batalha Centro de Cinema desde agosto de 2021. Contactada pelo Observador esta terça-feira, a Ágora, a empresa municipal da Câmara do Porto responsável pelas áreas da Cultura, Desporto e Entretenimento, não quis comentar o tema nem esclarecer se o sucessor será encontrado por nomeação ou através de concurso público. Já esta quarta emitiu um comunicado enviado à Lusa dando conta da abertura de um concurso.
Guilherme Blanc é licenciado em Direito pela Universidade do Porto e mestre em Cultural Policy and Management pela City University London, em Londres, onde esteve sete anos, “primeiro a estudar e depois a trabalhar”, nomeadamente no Barbican Center, “onde programava essencialmente cinema português”, disse em entrevista ao Observador em 2022.

Várias biografias online, como a que está disponível no site da Universidade Católica do Porto, onde leciona cinema nos cursos de graduação e mestrado da Escola das Artes desde 2017, dão conta de colaborações como curador independente em instituições como o Institute for Contemporary Arts (ICA), o Institut français, a Whitechapel Gallery e o Barbican Center, na exibição de cinema e filmes de artistas portugueses. Segundo a mesma nota, em 2012 integrou a equipa de “Fundraising” do Barbican Centre.
Foi em 2013 que Blanc chegou à Câmara Municipal do Porto pela mão de Paulo Cunha e Silva, então vereador da Cultura, que o convidou para ser seu adjunto. Dois anos depois, após a morte de Cunha e Silva, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, assumiu o pelouro da Cultura e Guilherme Blanc, até aqui adjunto do vereador, passou a ser adjunto do presidente. Foi com Rui Moreira, de resto, que Blanc assumiu ter ganhado uma noção maior de política cultural.
Entre 2017 e 2021, foi diretor do Departamento de Cinema e Arte Contemporânea da Ágora e nessa capacidade foi responsável pelo programa artístico da Galeria Municipal do Porto e de programas discursivos como o Fórum do Futuro. Em agosto de 2021, recebeu o convite de Rui Moreira para dirigir o destino do histórico Cinema Batalha, uma das obras mais aguardadas no Porto, que abriu portas a 9 de dezembro de 2022 sob o desígnio Batalha Centro de Cinema, após três anos de obras de reabilitação que ascenderam aos cinco milhões de euros.
Blanc sai num momento feliz para a histórica sala, que registou, em 2025, a maior afluência desde a sua reabertura, com um crescimento de 16% face ao ano anterior. Contrariando a tendência de decréscimo do número de espectadores de cinema verificada em Portugal, entre janeiro e dezembro do ano passado, o cinema portuense recebeu 62 230 espectadores. No total, foram 589 as sessões de cinema, que somam a programação do Batalha à dos festivais de acolhidos.
Desde a sua reabertura, o equipamento tem acolhido vários festivais e mostras de cinema da cidade: IndieJúnior Porto, Fantasporto, Porto Femme, Multiplex, Festa do Cinema Italiano, BEAST, Arquiteturas Film Festival, Festa do Cinema Francês, Family Film Project, MICAR, Queer Porto e Porto/Post/Doc.